Pacotão, bloco mais antigo do DF, levou às ruas o protesto contra decisão que livrou condenados do crime de quadrilha

A decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de livrar os réus do mensalão do crime de quadrilha fez com que o presidente da Corte, Joaquim Barbosa, um dos votos vencidos na semana passada, se tornasse um ídolo no desfile do Bloco Pacotão, em Brasília. A reviravolta no julgamento foi considerada uma derrota de Barbosa, que lamentou o resultado: "Hoje é uma tarde triste para o STF", disse no plenário da Corte.

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Há 36 anos, a agremiação faz da crítica política sua principal marca e tem entre seus membros muitos petistas. Mesmo assim, não faltaram faixas criticando a decisão, fantasias de presidiários com máscara dos petistas José Genoino (ex-deputado) e José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil), além de fotos de Barbosa, recebendo beijinhos dos foliões.

Com a decisão, o Supremo acabou tirando Dirceu e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares do regime fechado. Eles passaram a ter o direito de dormir na prisão e passarem o dia trabalhando. “O STF mijou pra tráz (sic)”, dizia uma das faixas.

Do alto do carro de som, procurando manter a rima, o médico Jadir Rodrigues Alves elogiou a postura de Barbosa. “Barbosa quis manter a prisão. Os outros ganharam um dinheirão para liberar o pessoal do mensalão”, cantou.

Jadir Alves ainda sugeriu que Barbosa se candidate. “Sorridente, se cantar hoje, Barbosa será o presidente”, improvisou o médico que trabalha no Hospital de Base, em Brasília, o maior no atendimento público da capital federal.

Quanto aos réus do mensalão, a sentença do bloco foi mandá-los para o presídio de Pedrinhas, no Maranhão. É o que sugere uma das marchinhas cantadas pelo bloco durante o desfile.

Fantasiado de José Dirceu, com roupa listrada e tudo, o folião avisava: “Acabei com o Brasil e agora vou me acabar no Pacotão”, exibia a placa. Sempre ao lado, outro folião, fantasiado de Genoino exibia outro cartaz: “Saí da prisão para dar um rolezinho no Pacotão”.

O bloco é formado principalmente por jornalistas. Lançado em plena ditadura militar, o nome da agremiação faz referência às mudanças nas regras das eleições lançadas pelo então presidente da República Ernesto Geisel.

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As mudanças, lançadas em abril de 1977 ficaram conhecidas como “Pacote de Abril”. No ano seguinte ao pacote, o bloco surgiu desfilando sempre pela contramão da avenida W3, na época uma das principais áreas de comércio de Brasília. A ala de cadeirantes do bloco exprimia bem o tom do desfile. “Deficiente de governo”, dizia uma dos cartazes empunhados pelos foliões.

Embora o destaque deste ano tenha sido Joaquim Barbosa, muitos foliões torceram o nariz. No entanto, mantiveram o humor e a principal filosofia do bloco: “É proibido proibir”. “No Pacotão é assim. A gente critica todo mundo que está no poder e quem quer chegar a ele. Não importa em quem a pessoa vote. Pode falar mal de todo mundo”, explicou um dos integrantes do bloco, o jornalista Paulão de Veradeiro.

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