Aécio se aproxima de Roger Molina para atacar política externa petista

Por Luciana Lima , iG Brasília |

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Senador boliviano, que fugiu para o Brasil no ano passado, tem se integrado à campanha tucana. Ele será um trunfo do PSDB para criticar o alinhamento dos governos petistas com governos de esquerda na América Latina

O senador boliviano Roger Pinto Molina, que fugiu para o Brasil em agosto do ano passado, depois de viver 455 dias confinado na Embaixada do Brasil em La Paz, será um dos personagens da campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República. Molina, que hoje mora de favor no apartamento funcional do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), tem sido presença assídua em atos políticos em Brasília programados pela pré-campanha de Aécio.

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Luciana Lima/iG Brasília
Senador boliviano Pinto Molina (centro), durante evento em Brasília

O senador boliviano esteve presente, por exemplo, na homenagem aos 30 anos da campanha pelas Diretas Já, na segunda-feira (24), e na sessão solene que comemorou os 20 anos do Plano Real, nesta terça-feira (25), evento que reuniu os tucanos e que contou com a presença do ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, no Senado.

Nos dois eventos, Molina evitou dar entrevistas, deixando esta tarefa a cargo de seu advogado Fernando Tibúrcio. No plenário, no entanto, Molina mostrou-se muito entrosado com Aécio e com os demais tucanos.

Para a campanha, ele é um trunfo para exemplificar a grande crítica à política externa brasileira durante o governo da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os tucanos acusam os governos petistas de se alinharem na América Latina a governos autoritários. Os integrantes do PSDB citam a relação de Lula e Dilma com presidente boliviano Evo Morales, com o venezuelano Hugo Chávez, morto no ano passado, e com a presidente da Argentina Cristina Kirchner, a quem acusam de não respeitar a liberdade de expressão.

Antes da sessão solene de começar, o advogado de Molina se esforçava para apresentar as pressões que o governo boliviano estaria fazendo para que o Brasil devolva o senador à Bolívia. “Fomos alertados sobre esta pressão e vamos levar este caso ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo”, disse Tibúrcio, que não tem dúvida de que o senador terá muito a contribuir para a campanha tucana.

“Não tenho dúvida nenhuma de que ele será uma peça importante nas eleições brasileiras. O caso dele é emblemático para avaliar os rumos da política externa que vem sendo desempenhada pelo Brasil. O episódio envolvendo o senador representa o pior momento do Itamaraty, um desastre do modelo adotado”, comentou o advogado.

A presença de Molina nos dois eventos atendeu ao convite feito pelo próprio senador Aécio Neves. “Ele aceitou o convite porque também gostou de um artigo escrito por Aécio Neves que apresenta, na nossa avaliação, uma boa compreensão sobre o caso”, disse o advogado.

Antes de chegar ao Senado, nesta terça-feira, Molina foi à Polícia Federal para garantir sua permanência no Brasil durante a campanha. Ele renovou seu pedido de refúgio provisório por mais seis meses. O caso está ainda sob analise do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare).

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