‘A partir de 2015, será diferente. Queremos participação no governo’, diz Kassab

Por Clarissa Oliveira e Marcel Frota | - Atualizada às

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Ao iG, o ex-prefeito de São Paulo afirma que a aproximação com o PT de Dilma foi ‘natural’. Pré-candidato ao governo paulista, ele afirma que o PSDB sofre com ‘fadiga de material’

Cada vez mais distante da aliança que manteve nos últimos anos com o PSDB, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab faz o plano de como seu partido poderá participar de um eventual segundo governo da presidente Dilma Rousseff. Pré-candidato ao governo de São Paulo na eleição deste ano,Kassab diz que a aproximação do PSD com o PT na esfera nacional se deu de maneira “natural” e minimiza a demanda atual por cargos na administração federal. Mas admite que, uma vez Dilma reeleita, o PSD espera participar formalmente da gestão.

“A partir do ano que vem, ganhando as eleições, será diferente. Aí, queremos ter participação no governo, é fundamental que tenhamos. Fizemos campanha juntos, queremos governar juntos. Até porque se não tivermos vamos nos sentir diminuídos, despreparados”, disse Kassab, “É a essência da democracia. O partido disputa o voto para governar.”


Hoje, o PSD é representado informalmente no governo Dilma pelo ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif. O Palácio do Planalto chegou a cogitar a entrega formal de uma pasta à legenda. O fato de o partido de Kassab ter liberado o governo de contemplar o PSD na reforma ministerial foi entendido como uma operação para que o próprio ex-prefeito assuma uma posição na Esplanada a partir de 2015.

Negando a conversa com Dilma, Kassab reitera que o PSD já se decidiu pelo apoio a Dilma independentemente de ser contemplado no atual governo. “O nosso apoio à presidente Dilma não implica de maneira alguma uma condição de ter uma contrapartida para participar do governo, mas somos governo”, declara.

Ele garante que suas relações com José Serra em particular e com o PSDB em geral são boas, mas aponta que a aproximação com o PT se deu de forma natural, na época da criação do PSD, em 2011. “A aproximação com o PT surgiu naturalmente com a formação do partido por causa da majoritária aproximação que os estados têm com o PT. A maior parte dos dirigentes parlamentares do nosso partido, em 2010, caminhou com a candidatura da presidente Dilma”, diz Kassab. “Não é o caso de São Paulo. Em São Paulo o PT é nosso adversário”, acrescenta ele.

‘Fadiga de material’

Pré-candidato ao governo paulista, Kassab afirma que o governador tucano Geraldo Alckmin tende a enfrentar o desgaste das sucessivas gestões do PSDB em São Paulo ao tentar a reeleição neste ano. A presença do partido no governo paulista chega ao vigésimo ano ao final de 2014, um legado que começou com Mário Covas em 1º de janeiro de 1995. “O atual governo, em todos os cantos do estado, conviverá com essa dificuldade, a fadiga de material, muito tempo de governo. Nossa pré-candidatura é uma candidatura de renovação”, diz Kassab.

Ele sustenta a tese de que o PSDB em São Paulo está próximo de um esgotamento: alternância de poder. “A alternância de poder, em especial quando você se compara a um governo que está há muito tempo no poder, é sempre bem vista e analisada com muita simpatia”, afirma o ex-prefeito paulistano.

Kassab enfrentou altos índices de rejeição da população paulistana quando deixou a prefeitura da cidade de São Paulo em 2012. Em setembro daquele ano, na reta final da eleição municipal, o Datafolha apontou que a administração Kassab tinha 48% de avaliação ruim ou péssimo dos eleitores da cidade. O índice de aprovação, aqueles que consideravam a gestão dele como boa, era de 20%.

Agora engajado em giro pelo estado de São Paulo ao lado do ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, cotado para disputar o Senado, Kassab diz acreditar que durante a campanha estadual poderá reverter a imagem negativa do final da sua gestão como prefeito. “Tenho uma confiança muito grande que esses índices, que já têm melhorado, continuarão melhorando”, resume ele.

Diálogo com o interior

Kassab diz já ter começado a desenhar propostas para o interior paulista, tido como origem da força eleitoral de Alckmin no estado. Ele rejeita a tese de que problemas como segurança e mobilidade urbana estejam concentrados na região metropolitana.

“As outras cidades também têm um problema grave de trilhos. Não é o problema dos trilhos, mas é não ter transportes sobre trilhos”, resume Kassab, que cita cidades como Campinas, São José dos Campos, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto. “Em São Paulo tem o mau funcionamento (do transporte sobre trilhos), nas outras cidades por não ter”, critica o ex-prefeito, que promete levar o metrô para cidades com esse perfil.

Sobre segurança pública, Kassab aumenta o tom da crítica ao legado do PSDB em São Paulo. “Em relação à segurança, é geral. Tenho corrido todo o estado”, dispara ele. “Se há algo que aflige qualquer cidade paulista e qualquer família paulista é a questão da segurança”, emenda o ex-prefeito paulistano.


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