Partidos investem em celebridades e políticos experientes para crescer na Câmara

Por Marcel Frota - iG Brasília |

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Dr. Rey, Neguinho da Beija Flor e Tiririca dividem status de puxador de votos com políticos experientes na busca por espaço, tempo de TV e dinheiro do fundo partidário

Uma rápida enquete com os principais líderes partidários na Câmara dos Deputados e chega-se à conclusão de que não há cadeiras suficientes na Casa para abrigar as metas de crescimento de cada bancada. Essa meta é fundamental para os partidos, já que a distribuição do tempo de TV do horário eleitoral e das verbas do fundo partidário são calculadas, em sua maior parte, com base nas cadeiras conquistadas na Casa. Em 2013, o Fundo Partidário distribuiu R$ 294.168.124,00 entre as 32 legendas.

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Narcisa Tamborindeguy. Foto: Reprodução/FacebookLuiza Erundina. Foto: Câmara dos DeputadosTiririca. Foto: Agência BrasilJosé Serra. Foto: Futura PressDr. Rey. Foto: André GiorgiKleber Bambam. Foto: Reprodução/FacebookGabriel Chalita. Foto: Câmara dos DeputadosClarissa Garotinho. Foto: Léo Ramos

Para cumprir os objetivos de crescimento, os partidos buscam combinar quadros políticos experientes e populares nas urnas com celebridades que esboçam seus primeiros passos na política, mas que conquistam muitos eleitores que admiram essas pessoas ou mesmo o votam nelas como forma de protestar. Tiririca é o mais recente exemplo desse tipo de candidato.

Em 2010, o puxador de votos do PR conquistou 1.353.820 eleitores. Agora, entretanto, Tiririca está avisado pelos colegas mais experientes sobre as dificuldades da reeleição e tem adotado um discurso mais cuidadoso ao tratar do tema. "Se for eleito está bom", diz ele. "Acabou a novidade, será mais difícil", avalia o deputado que promete voltar com seu personagem. Falta apenas fechar o novo discurso.

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O PR, que não terá um de seus principais líderes em São Paulo, Valdemar da Costa Neto (eleito em 2010 com 174.826 votos) - preso desde dezembro condenado no processo do mensalão -, investirá sem pudores nas celebridades. Neguinho da Beija-Flor (PR-RJ) é aposta do partido para puxar votos no Rio. Aliás, no mesmo estado, a filha do ex-governador Anthony Garotinho, Clarissa Garotinho (118.863 votos em 2010 para deputada estadual), espera herdar parte dos votos do pai (ele foi eleito em 2010 com 694.862 votos), que tentará mais uma vez ser chefe do Executivo fluminense.

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Passado o prazo final de filiação para quem deseja concorrer às eleições deste ano, o quadro vai ficando mais nítido na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados. Muitos nomes fortes, incluindo de celebridades, preferiram a disputa estadual e farão parte de um esforço diferente que nada tem a ver com a busca por tempo de TV.

O PCdoB paulista, por exemplo, fechou sua trinca de puxadores mesclando um artista, um ex-ministro e um delegado da Polícia Federal: Netinho de Paula (que conquistou 50.698 votos na eleição para a Câmara paulistana em 2012), Orlando Silva (com decepcionantes 19.739 votos foi para a fila da suplência) e Protógenes Queiroz (94.906 votos em 2010).

Feliciano e Dr. Rey: apostas do PSC

O PSC também deposita esforços na mescla entre seus quadros políticos com nomes do meio artístico. A maior aposta da legenda é o controverso Pastor Marco Feliciano. Em 2010, ele recebeu 211.855 votos e com o boom de popularidade que ganhou na esteira de sua passagem pela presidência na Comissão de Direitos Humanos da Câmara deve fazer o caminho inverso da perda de fôlego natural nas reeleições. O PSC acredita que Feliciano pode chegar a 1 milhão de votos. Por isso mesmo, o pastor ainda estuda o cenário cogitando uma disputa ao Senado.

Ratinho Júnior (eleito em 2010 com 358.924 votos e que recebeu 387.483 votos no segundo turno da eleição municipal em Curitiba) é aposta do partido. Juntam-se a eles Dr. Rey (SP) e Irmão Lázaro, ex-Olodum (BA). Perguntado se tais candidaturas comprometeriam a credibilidade do partido, o líder do partido na Câmara, André Moura (SE), faz a defesa. "Não acho. Não tem nada que denigra a imagem deles. O Doutor Rey é um artista, um cirurgião, um cidadão de credibilidade e postura", afirma.

Estratégia semelhante será usada pelo PRB, que sofreu com a falta de tempo de TV em 2012 e investirá pesado numa chapa eleitoralmente competitiva. Sua maior estrela, Celso Russomanno (eleito em 2006 com 573.524 votos), deve abrir mão de quaisquer pretensões para disputas majoritárias para assumir a missão de puxar votos e ajudar seu partido a conquistar vagas e aumentar sua fatia de tempo de TV. Russomanno quer nova chance em 2016 e sabe que precisa de mais tempo de TV.

Além de Russomanno, o partido ainda define candidaturas de apresentadores do Balanço Geral, programa vespertino da TV Record, em diversas praças para ajudar o partido. O ex-boxeador Acelino Popó Freitas, que recebeu 60.338 votos em 2010 e conseguiu vaga como suplente, deve colaborar no esforço eleitoral do PRB. Kléber Bambam (SP), Ronaldo Ésper (SP) e Sula Miranda (DF) estão no hall do partido.

PMDB investe em São Paulo

Além das apostas Brasil afora, o PMDB pretende investir no maior colégio eleitoral do país para evitar o fiasco de 2010, quando elegeu somente um deputado (Edinho Araújo, com 100.195 votos). O partido acabou ganhando outro deputado durante a legislatura, Gabriel Chalita, eleito pelo PSB em 2010 com 560.022 votos, mas que deixou o partido. Chalita ganhou status de puxador de votos e é aposta do PMDB. Além dele, o PMDB paulista também tem grandes expectativas com o vice-prefeito de São Bernardo do Campo, Frank Aguiar (144.797 votos em 2006, quando foi eleito pela primeira vez deputado federal).

O principal aliado do governo federal pretende investir pesado para crescer e tentar tomar a liderança do PT em número de deputados na Câmara. Para isso, aposta também em Jarbas Vasconcelos (eleito senador em 2006 com 2.031.261 de votos) em Pernambuco e filiou José Rico (GO), que fazia dupla com Milionário, para tentar puxar votos no estado. Lúcio Vieira Lima (BA - 221.616 votos em 2010) deve ter papel significativo quando aliado a provável candidatura de seu irmão, Geddel Vieira Lima, ao governo baiano.

De sua parte, o PT, que tem a maior bancada da Câmara, apesar de ter perdido nomes de peso na disputa para deputado federal, aposta na fidelidade de seu eleitor para conseguir a reposição desses votos. Se José Genoino (92.362 votos em 2010 eleito suplente pós-mensalão), José Dirceu (556.768 votos em 2002) e João Paulo Cunha (255.497 votos em 2010) não poderão representar o partido, o PT acredita que em São Paulo pode ter em Carlos Zaratini (216.403 votos em 2010), Vicente Cândido (160.242 votos em 2010) e o representante da família Tatto (em 2010, Jilmar Tatto representou o clã e obteve 250.467 votos) as grandes locomotivas da legenda. O partido ainda acredita que poderá ter muitos votos em cidades pelo interior que tenham petistas na administração municipal.

Aposta em Eduardo Campos

Para o presidente do PSB paulista, o principal puxador de votos do partido será o candidato a presidente, Eduardo Campos. "Cerca de 7% dos votos dados ao candidato majoritário são dados também para a legenda do partido. Pelas nossas contas isso pode garantir 600 mil votos de legenda em São Paulo", diz Márcio França.

O partido tem bastante confiança na capacidade de Luiza Erundina (214.114 votos em 2010) e Keiko Ota (213.024 votos em 2010) serem a dupla de ouro socialista no maior colégio eleitoral. O PSB também confia que pode conquistar uma quantidade significativa com Fernando Scherer, o Xuxa, Alexandre Kalil (presidente do Atlético Mineiro), e o ex-embaixador Tilden Santiago, além de Romário (146.859 votos em 2010) e do astronauta Marcos Pontes (SP).

O PSDB deve apresentar a candidatura da exótica Narcisa Tamborindeguy no Rio de Janeiro (ela chegou a confundir o PSDB com o PSD quando resolveu se filiar para disputar a eleição deste ano), mas coloca mesmo fé na força de José Serra (derrotado na disputa municipal em São Paulo com 2.708.768 votos) para voltar a crescer sua bancada na Câmara dos Deputados. Outros nomes do partido que aparecem bem cotados na opinião de congressistas são Bruno Covas (SP) e os baianos Jutahy Júnior (110.268 votos em 2010) e Antonio Imbassahy (112.630 votos em 2010).

Outros puxadores de votos que devem ajudar seus partidos a crescer na Câmara dos Deputados são: Soninha Francine (PPS-SP - recebeu 162.384 na disputa municipal em São Paulo, correspondente a 2,6% dos válidos), Paulo Maluf (PP-SP - recebeu 497.203 votos em 2010), Rodrigo Garcia (DEM-SP - 226.073 votos em 2010) e Chico Alencar (PSOL-RJ - 240.724 votos em 2010).

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