Ministério Público pede prisão de seis por atentado à bomba no Riocentro em 1981

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Procuradores argumentam que crime é imprescritível. Denúncia prevê penas a militares que ultrapassariam 60 anos

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF/RJ) denunciou seis por envolvimento no atentado à bomba, ocorrido nas dependências do complexo Riocentro, em Jacarepaguá, no dia 30 de abril de 1981, durante a realização de um show para comemorar o Dia do Trabalhador. Os procuradores argumentam que o crime é imprescritível e pedem penas que ultrapassam 60 anos para os acusados.

Comissão da Verdade mostra detalhes de como funcionava tortura na ditadura

Delegado do DOI-Codi nega torturas e até que conhecia superior hierárquico

Na ocasião, uma das bombas carregadas pelos denunciados explodiu no colo de um dos criminosos no momento em que se aproximava de carro do complexo. Outra bomba foi lançada na subestação de eletricidade do Riocentro, com o objetivo de cortar a energia. A ação dos militares, segundo o MPF, pretendia causar pânico e terror na plateia do show e na população, “atribuindo falsamente o atentado a uma organização da militância contra o regime de exceção e, assim, justificar um novo endurecimento da ditadura”.

As investigações do MPF duraram quase dois anos e envolveram a análise de 38 volumes de documentos. Foram tomados depoimentos de 42 testemunhas e investigados, num total de 36 horas de gravação. Foram expedidos 86 intimações e 79 ofícios requisitando informações, além de três pedidos de cooperação internacional para França, Bélgica e Argélia. As investigações identificaram o envolvimento dos seis denunciados, além de outros nove que já morreram.

O coronel reformado Wilson Luiz Chaves Machado, vulgo "Dr. Marcos", o ex-delegado Claudio Antonio Guerra e os generais reformados Nilton de Albuquerque Cerqueira e Newton Araujo de Oliveira e Cruz foram denunciados por homicídio doloso. Newton Cruz foi denunciado ainda pelo crime de favorecimento pessoal. O general reformado Edson Sá Rocha, vulgo "Dr. Silvio", foi denunciado por associação criminosa armada e o major reformado Divany Carvalho Barros, vulgo "Dr. Aureo", por fraude processual. As penas de Wilson Machado, Claudio Guerra e Nilton Cerqueira podem chegar a 66 anos e 6 meses de reclusão, e a de Newton Cruz a 67 anos.

O MPF/RJ requer ainda que os denunciados sejam condenados à perda do cargo público, com o cancelamento de aposentadoria, à perda de medalhas e condecorações obtidas e a pagar indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 500 mil, a ser dividido pelos denunciados.

Os procuradores da República Antonio do Passo Cabral, Sergio Suiama, Ana Cláudia de Sales Alencar, Tatiana Pollo Flores, Andrey Mendonça e Marlon Weichert apontam que os crimes narrados na denúncia ocorreram após a Lei da Anistia e, por terem sido cometidos no contexto de um ataque sistemático ou generalizado a uma população civil, são imprescritíveis, sendo considerados crimes contra humanidade, tanto pelo direto internacional quanto pela decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos contra o Brasil.

Leia tudo sobre: riocentroatentado à bombaditadura militarmpf

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas