À espera de resposta da presidente, peemedebistas tentam intensificar ameaças de rompimento e indicar Vital do Rêgo para presidir comissão de Orçamento 2015

A pressão do PMDB nas últimas semanas não tem surtido o efeito desejado pelo principal partido aliado do governo sobre as decisões da presidente Dilma Rousseff no contexto da reforma ministerial. A ordem no Palácio do Planalto é protelar ao máximo as decisões sobre a parte que caberá aos peemedebistas no novo desenho da Esplanada. Antes, Dilma decidirá a parte que cabe ao PT.

Nesta semana, após a crise deflagrada na bancada peemedebista na Câmara, a esperada reunião entre o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, com o vice-presidente Michel Temer não ocorreu.

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No PT, a avaliação é de que a rebeldia na Câmara ensaiada pelo principal aliado não é novidade e é entendida como mais um momento de chantagem, entre tantos já ocorridos.

Enquanto a presidente coloca o PMDB em banho-maria e não cogita contemplar o pedido feito pelo líder do partido, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pela Secretaria dos Portos, o vice-presidente Michel Temer não tem feito esforços para conter o desejo de grande parte dos peemedebistas de se manterem livres nos estados nas coligações. O governo, entretanto, trata as dissidências regionais como algo absolutamente natural num processo eleitoral.

Diante do silêncio de Dilma, o PMDB tenta nos bastidores intensificar recados com ameaças de rompimento, mas custa a conseguir uma resposta do governo. Nesta semana, em reuniões internas, líderes do PMDB decidiram indicar Vital do Rêgo como nome para presidir o que o partido enxerga como mais um instrumento de pressão ao Planalto: a Comissão Mista do Orçamento de 2015.

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Vital tem enfrentado a recusa de Dilma para as pastas pretendidas pelo PMDB. Ele ficou mais de quatro meses à espera de uma nomeação para o Ministério da Integração Nacional, que Dilma deverá manter sob comando do PROS.

Embora o ponto mais nevrálgico da crise neste momento seja a Secretaria de Portos, desejada por Cunha e da qual Dilma não abre mão, a recusa da presidente em dar a Integração Nacional ao PMDB serviu para azedar ainda mais o clima.

Vital do Rêgo apostará na candidatura ao governo da Paraíba de seu irmão, Veneziano, ex-prefeito de Campina Grande, e vem costurando apoio do tucano Cássio Cunha Lima, em vias de rompimento com o atual governador Ricardo Coutinho (PSB).

Além disso, peemedebistas da Câmara e do Senado passaram a alardear a ameaça de que na convenção do partido, marcada para junho, a tendência é que vença a tese da independência das coligações estaduais. Na convenção do partido no ano passado, prevaleceu a tese da aliança prioritária com o PT, inclusive nos estados.

Na argumentação incentivada na bancada pelo líder Eduardo Cunha e pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), não fez bem ao PMDB ter o vice no governo de Dilma Rousseff. Na semana passada, em uma das reuniões, Cunha chegou a exibir uma lisa de cargos que o partido controlava no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em comparação com o número de cargos que o partido tem hoje.

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