Manifestações de rua são herança das Diretas, diz Pedro Simon ao iG

Por Wilson Lima - iG Brasília | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Senador afirma que após queda da emenda Dante de Oliveira, que permitia eleições diretas, movimentos sociais cogitaram recorrer à luta armada

Um dos articuladores do movimento “Diretas Já”, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) afirma que somente agora, 30 anos após a ampla coalizão de partidos em prol da redemocratização do país, é que o Brasil está próximo de sua maturidade e independência democrática. “Estamos caminhando para um bom ano, uma boa eleição que poderá consolidar a democracia”, afirma o senador nesta entrevista em vídeo ao iG.

30 anos depois: os personagens das Diretas Já

Maior movimento popular da história do Brasil, Diretas Já completa 30 anos

Jovens hoje são mais políticos e menos partidários do que os das Diretas Já

Em 1984, Simon foi uma das figuras exponenciais que buscou a aprovação, primeiramente, da emenda Dante de Oliveira, Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de 2 de março de 1983, que estabelecia eleições diretas para presidente. Mas que acabou derrotada por não conseguir obter a adesão de três quartos do Congresso Nacional. Na época, 298 deputados votram a favor; 65 contra; houve três abstenções e 113 ausências no plenário.

O senador explica que o fracasso da Dante de Oliveira foi fruto, principalemnte, da articulação dos militares que conseguiram esvaziar o Congresso Nacional por meio da intimidação de parlamentares. “O movimento foi determinado pelos militares. A Arena trabalhou, se esforçou e quis derrubar e derrubou”, relembra.

De acordo com Simon, a não aprovação da Dante de Oliveira criou um sentimento de frustração coletivo em todos os partidos e não somente no PMDB, que na época era a legenda que abrigava os principais opositores ao regime militar. “Achamos que só tinha um caminho que era a luta armada e Deus nos livre e não sabíamos o que poderia acontecer”, disse Simon.

Infográfico: saiba o que foi o movimento das Diretas Já

Nessa época, conforme o senador, a única alternativa para se conter os ânimos e evitar uma luta armada contra a Ditadura era enfrentar uma eleição indireta, indicando o nome de Tancredo Neves. Os integrantes do PMDB classificaram a postura como uma “loucura” e imaginaram ser impossível derrotar os militares em uma eleição indireta. “Eu disse: era difícil, era duro, poderia não dar em nada, mas era a última chance”, afirmou o Senador.

Conforme Simon, a frustraçaõ coletiva pela não aprovação da Dante de Oliveira, de certa forma, fortaleceu Tancredo Neves e os movimentos populares do período. Segundo ele, foi somente após o crescimento dos movimentos populares é que houve a adesão da grande imprensa ao movimento das Drietas Já.

Simon afirma que a situação vivida há 30 anos é semelhante aos dias atuais, mais especificamente aos protestos de junho do ano passado. “Se não fosse o jovem cobrar de nós, não existia o (julgamento do) mensalão”, pontua o senador. “São momentos que nós podemos prever que possa aparecer algo de novo nesse sentido”, sentencia.

Confira os principais tópicos da entrevista com o senador

Maturidade política 

Para o senador Pedro Simon, somente agora, 30 anos após as Diretas Já, o Brasil vive um momento de maturidade democrática e de real independência econômica. Segundo ele, as eleições deste ano serão importantíssimas porque o Brasil hoje é um país extremamente respeitado externamente e os pré-candidatos à Presidência são de alto nível. Apesar disso, Simonacredita que Itamar Franco foi o melhor presidente após a redemocratização do país.


Movimentos populares de 2013 

De acordo com o senador, os movimentos populares ocorridos nos últimos anos são uma espécie de reedição da reação popular vistos durante os anos de 1980. Se durante o movimento das Diretas Já, o brasileiro perseguia o direito à Democracia, agora, para Simon, a luta é por valores. “Eu acho que é o grande momento que vive o mundo inteiro. São os jovens sem partido, sem pressão, sem coerção que possam se manifestar em busca de um mundo melhor.”


Articulação contra a “Dante de Oliveira” 

O senador Pedro Simon credita a queda da Emenda Dante de Oliveira a uma articulação poderosa dos militares em março de 1984, quando ela foi votada. Segundo ele, internamente, os deputados, mesmo os da Arena, queriam votar a favor da Dante de Oliveira, mas foram coagidos pelos membros das Forças Armadas da época. “Muitos não conseguiram votar porque o Congresso estava fechado. Outros não vieram de medo mesmo”.


Descrença do colégio eleitoral 

Após a queda da Dante de Oliveira, segundo Simon, Ulysses Guimarães, um dos maiores expoentes na luta pela reabertura política do Brasil, entrou em depressão e alguns membros de movimentos populares já cogitaram ampliar a luta armada no Brasil contra o regime. Segundo Simon, foi um verdadeiro “milagre” Tancredo Neves ter vencido os militares em uma eleição indireta, embora já houvesse uma coalizão de legendas em torno dele. “Ou saía isso (a vitória de Tancredo no Colégio Eleitoral) ou não sabíamos como ia terminar”, disse Simon.


**Vídeos: Alan Sampaio/iG Brasília

Leia tudo sobre: diretas jápedro simon

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas