Acusação envolve compra e venda de votos para favorecer Azeredo nas eleições para o governo de Minas em 1998. Publicitário já está preso em Brasília pelo mensalão

O publicitário Marcos Valério, preso em Brasília condenado por ser o operador do mensalão, recebeu mais uma condenação nesta sexta-feira (14) por corrupção envolvendo a campanha do deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), em 1998, o chamado mensalão mineiro. Também foi condenado, segundo o Ministério Público Federal, o ex-advogado de Valério Rogério Tolentino.

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Segundo a sentença da 4ª Vara Criminal Federal de Belo Horizonte, o esquema para obter recursos públicos “tinha como ponto de partida a simulação ou superfaturamento de contratos de publicidade junto a órgãos da Administração direta e indireta do Estado de Minas Gerais, bem como a empresas que tivessem interesses econômicos a serem favorecidos com o esquema”.

Valério foi condenado a quatro anos e quatro meses de prisão por corrupção ativa e Tolentino, condenado pelo mesmo período, por corrupção passiva.

Segundo a denúncia do MPF, nos meses de setembro e outubro de 1998, cooptado por Valério, Tolentino teria recebido R$ 303.350,00 para que, no exercício da função de juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), favorecesse os então candidatos Eduardo Azeredo e Clésio Andrade (vice na chapa), que disputavam a eleição para o governo estadual.

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Na denúncia, os réus também eram acusados de lavagem de dinheiro, mas a juíza considerou que os depósitos efetuados nas contas de Tolentino e de sua mulher Vera Tolentino, apesar de configurarem “prova inconteste do crime de corrupção ativa e passiva”, não seriam capazes de “dissimular a origem de recurso advindo da prática de crime contra a Administração Pública”.

O Ministério Público Federal recorreu da absolvição por esse crime e pediu ainda o aumento das penas impostas aos réus. O recurso será julgado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília (DF).

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