Advogado diz que ex-diretor do Banco do Brasil 'acredita que não cometeu as acusações às quais responde'

Reprodução de documentos usados por Henrique Pizzolato e comparação das digitais dele com as do irmão Celso Pizzolato
Alan Sampaio / iG Brasília
Reprodução de documentos usados por Henrique Pizzolato e comparação das digitais dele com as do irmão Celso Pizzolato

O advogado de Henrique Pizzolato, Lorenzo Bergami, explicou hoje (7) aos juízes do Tribunal de Recurso de Bolonha que ele fugiu para a Itália porque "o processo [do Mensalão] não foi tratado de modo correto".

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"Ele o considera um processo político e acredita que não cometeu as acusações às quais responde", acrescentou. Pizzolato, disse o advogado, "é muito claro e tem muita fé no sistema judiciário italiano." O advogado acredita que Pizzolato foi detido na Itália, no entanto, "provavelmente" devido "o perigo de sua fuga".

Justiça italiana nega pedido de liberdade provisória a Henrique Pizzolato

O advogado, que hoje pediu que não fosse aplicada nenhuma medida de limitação de sua liberdade, ou uma detenção domiciliar, avaliará se pedirá nas próximas semanas umas atenuação da medida, mas deve apresentar novos recursos na ocasião.

A Justiça da Itália negou hoje a liberdade provisória a Pizzolato. A corte de apelação da cidade de Bolonha confirmou a prisão provisória, sob mandado de prisão internacional, medida que não permitirá que Pizzolato responda ao processo de extradição para o Brasil em liberdade. A Justiça italiana aplicou uma medida de detenção no presídio de Modena, onde o brasileiro ficará detido.

Na audiência desta manhã, Pizzolato foi apresentado oficialmente à justiça e reconhecida sua identidade, que ele não negou. Ele ainda declarou ser contrário à sua extradição para o Brasil.

O Ministério da Justiça informou que protocolou ontem, no Supremo Tribunal Federal (STF) um aviso da abertura do processo.o processo para pedir ao governo italiano a extradição do ex-diretor. O objetivo da iniciativa, segundo nota divulgada pela pasta,  é dar ciência ao Supremo da abertura do prazo de 40 dias para que a Corte “manifeste interesse na instalação da extradição e encaminhe os documentos necessários” para formalização do pedido ao governo da Itália.


Cronologia do caso Pizzolato, preso na Itália

Agosto de 2012 – Condenação

Dia 27 - O ex-diretor do Banco do Brasil Henrique foi condenado no final de agosto de 2012, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. Em novembro, os ministros do STF definiram uma pena total de 12 anos e 7 meses de prisão.

Novembro de 2013 – Fuga para Itália

Dia 15 - O presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, determinou a prisão de 12 condenados do mensalão, entre eles Pizzolato.

Dia 16 - O advogado de Pizzolato informou que seu cliente fugiu para a Itália, aproveitando a dupla cidadania. Ele foi o único a fugir e dizia que não ia se entregar. Em nota, o ex-diretor afirmou que, "por não vislumbrar a mínima chance de ter um julgamento afastado de motivações político eleitorais", decidiu ser julgado na Itália.

Dia 18 – Pizzolato entrou para a lista de procurados da Interpol, organização internacional de polícia criminal.

Dia 21 - A polícia italiana confirmou que Pizzolato estava no país, mas por ser cidadão italiano é "um homem livre". E o alerta vermelho emitido pela Interpol não valeria como mandado de prisão para um italiano dentro da Itália.

Janeiro de 2014 – Conta milionária na Europa

Dia 18 - Autoridades brasileiras e da Suíça investigam uma conta secreta operada por Pizzolato em um banco suíço, com saldo de quase 2 milhões de euros.

Fevereiro de 2014 – Prisão

Dia 5 – Pizzolato é preso em uma operação conjunta da Interpol com as polícias brasileiras e italianas. Ele utilizou um passaporte falso no nome do irmão Celso, morto em 1978. Ele está preso na Itália, onde deve responder por falsidade ideológica e espera decisão sobre possível extradição para o Brasil.

*Com ANSA e Agência Brasil





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