DEM disponibiliza a médica cubana motorista da Câmara e dinheiro de ‘vaquinha’

Por Nivaldo Souza - iG Brasília | - Atualizada às

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Só no primeiro dia, partido pagou a Ramona R$ 850, arrecadados pela legenda para roupas e itens de higiene

A acolhida à médica cubana Ramona Matos Rodríguez pela liderança do DEM na Câmara inclui hospedagem em apartamento funcional, carro com motorista contratado pelo gabinete do deputado Abelardo Lupion (DEM-PR) e uma “vaquinha” para arrecadar fundos para a ex-integrante do Programa Mais Médicos. Na terça-feira (4), primeiro dia da cubana como refugiada na liderança do DEM, a médica recebeu R$ 850,00 para comprar roupas e itens de higiene pessoal. Desde então, novos valores têm sido repassados de acordo com pedidos de Ramona, conforme apurou o iG.

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A vaquinha do primeiro dia é quase o equivalente aos R$ 950,00 (US$ 400) recebidos mensalmente pela cubana quando trabalhava no Mais Médicos – outros US$ 600 (cerca de R$ 1.426) eram depositados pelo governo cubano numa conta.

Associação Médica Brasileira contrata médica cubana. Foto: Agência BrasilCubana que deixou o Mais Médicos concede entrevista coletiva. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaRamona Rodriguez afirma ter se sentido enganada por ter recebido salário menor. Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos DeputadosProfissionais do programa "Mais Médicos" em Salvador (BA). Foto: Futura PressMédicos cubanos da segunda etapa embarcam em aviões oficiais para capitais do País. Foto: Ministério da Saúde/Erasmo SalomãoMédico cubano Isoel Gomez Molina convocou uma reunião na igreja da comunidade para se apresentar aos moradores e teve uma recepção calorosa. Foto: Julia Carneiro/BBCProfissionais participam do programa Mais Médicos. Foto: Agência BrasilMédica cubana chega ao Brasil. Foto: José Cruz/ABr Dilma Rousseff cumprimenta médicos antes da sanção da lei que institui o Programa Mais Médicos. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR No centro da imagem, o médico cubano Juan Delgado, que foi hostilizado em sua chegada ao Ceará, durante sanção da lei que institui o Programa Mais Médicos. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR Dilma presta homenagem ao médico cubano que foi vaiado no aeroporto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR Os médicos foram recepcionados na Base Aérea de Salvador. Foto: Tribuna da BahiaSão Paulo recebe médicos cubanos. Foto: Gutemberg Gonçalves/Futura PressGrupo de 215 médicos cubanos chega para atuar no Programa Mais Médicos. Foto: José Cruz / Agência BrasilMédicos cubanos desembarcam no aeroporto de Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaMédicos cubanos desembarcam no aeroporto de Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaImportação de médicos de Cuba faz parte do Programa Mais Médicos. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaMédicos estrangeiros e brasileiros formados no exterior chegam para 1º dia de curso. Foto: Natália Peixoto / iG São PauloParte dos médicos cubanos desembarcou em Recife. Foto: Matheus Britto/AImagem/Futura PressMédicos estrangeiros do Programa Mais Médicos visitam centro de saúde na Ilha do Governador. Foto: Agência BrasilBrasília - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresenta os municípios que receberão os primeiros 400 médicos cubanos participantes do Programa Mais Médicos.
. Foto: Agência BrasilMercedes, Carlos, Tomás e René se disseram impressionados com a beleza da capital. Eles estavam ansiosos para dar uma volta pela cidade. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaCubanos posaram em frente à Catedral: monumento mais bonito da Esplanada, segundo eles. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaMercedes ficou encantada com a Catedral. Queria fotografar tudo para mostrar à família. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaEncantados, os médicos cubanos não perdiam a chance de registrar e brincar com a arquitetura e as esculturas dos edifícios. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaEm frente a Supremo Tribunal Federal, Mercedes pediu ao segurança para sentar "aos pés" da Justiça. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaAté os guardas do Batalhão Presidencial foram alvos do assédio cubano. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaOs médicos cubanos conheceram os principais pontos turísticos da capital e visitaram a Torre de TV e o Parque da Cidade. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaAlém dos registros, os médicos perguntavam muito sobre a história dos edifícios e a arquitetura da cidade. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaNa pausa para o almoço, eles comeram comida popular e no fim sentenciaram: "comida muito boa". Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaProtesto de médicos, nesta terça-feira (16), em São Paulo. Foto: Beatriz Atihe, iG São PauloProtesto de médicos, nesta terça-feira (16), em São Paulo. Foto: Beatriz Atihe, iG São PauloParalisação de médicos na manhã desta terça-feira (30), no centro de Curitiba (PR). Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura Pressprotesto de médicos. Foto: Futura Pressprotesto de médicos. Foto: Futura PressProtesto de médicos realizado no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (31), é contra o programa Mais Médicos. Foto: Futura PressManifestante se veste de caveira durante protesto de médicos em São Paulo, nesta quarta-feira (31). Foto: Futura PressMédicos protestam na avenida Paulista em SP. Foto: Rafael Belzunces/Futura PressMédicos realizam passeata pelas Avenidas Brigadeiro Luís Antônio e Avenida Paulista, em São Paulo (SP), na noite desta quarta-feira (31). Foto: Rafael Belzunces/Futura Press


O auxílio repassado pelo DEM foi usado nesta quinta-feira (6) pela médica para almoçar em um restaurante da Asa Sul de Brasília, na capital federal. Ramona está hospedada no bairro, mais precisamente no apartamento funcional onde vive Lupion. De acordo com as regras da Câmara, é “vedada cessão ou transferência (do apartamento funcional) para terceiros”, conforme definido no Ato da Mesa Diretora da Câmara nº 5, de maio de 2011. “O imóvel destinar-se-á exclusivamente à residência do Deputado e de seus familiares, vedada a cessão ou transferência a terceiros, a qualquer titulo”, diz o ato.

Lupion também colocou seu carro pessoal para Ramona circular por Brasília – o deputado não tem direito a veículo oficial por não ser membro da Mesa Diretora da Câmara. Embora o automóvel seja pessoal, o deputado tem direito a combustível pago pela Câmara. Em novembro, última prestação de contas realizada, Lupion apresentou nota de R$ R$ 428,69 em combustível.

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A médica é transportada pela capital federal pelo motorista Geosmar Soares Cunha, que é lotado oficialmente como “secretário parlamentar” no gabinete de Lupion. O cargo oficial do motorista é definido pelo Ato da Mesa nº 58, de 2010, como de “exercício em Brasília, nos gabinetes parlamentares, ou no Estado de representação do parlamentar”. A definição, contudo, recebeu do mesmo ato da Mesa Diretora da Câmara a atribuição de “conduzir veículo” como uma das tarefas de um secretário.

Além de dirigir, o motorista também assumiu o papel de acompanhante da médica cubana no apartamento funcional ocupado por ela. Ramona tem sido acompanhada por uma funcionária aposentada da Câmara, que passa o dia apresentando Brasília à estrangeira. À noite, além da companhia do motorista de Lupion, Ramona é assistida por um funcionário da liderança do DEM – a equipe se reveza para dormir no apartamento junto com a médica.

Em viagem pelo interior do Paraná, o iG não conseguiu contatar o deputado Abelardo Lupion. O DEM afirma por meio da assessoria de imprensa da liderança que o uso do apartamento funcional de um servidor público faz parte de uma ação que atende a “questões humanitárias”. “Uma das funções parlamentares é fiscalizar o Poder Executivo. A médica Ramona esteve ligada ao Programa Mais Médicos, aprovado no Congresso Nacional, que foi enganado pelo Executivo, já que há diversas informações repassadas pelo Executivo que não se confirmam”, diz a legenda.

O partido tem ajudado a médica cubana como parte do que vem sendo chamado informalmente entre os deputados como “corrente do DEM”, uma ação coletiva de simpatizantes de Ramona. Essa corrente está ajudando a médica a alugar uma casa em Brasília.

Ofertas de emprego

A médica recebe ainda a assistência jurídica de Fabrício Medeiros, a advogado do DEM, que auxiliou Ramona a obter carteira de trabalho no Tribunal Superior do Trabalho (TST) para retirar carteira de trabalho.

O advogado orientou Ramona a entrar com pedido de refúgio ao governo brasileiro no Comitê Nacional Para Refugiados (Conare). O órgão do Ministério da Justiça tem aproximadamente 1.500 pedidos de refúgio em análise e concedeu 180 dias de permissão para Ramona ficar no Brasil sem visto definitivo. A autorização de permanência pode ser renovada enquanto não houver decisão final do Conare.

Enquanto o visto não sai, a médica avalia proposta de emprego articulados pela “corrente do DEM”. A médica recebeu propostas de entidades depois que a Associação Médica Brasileira (AMB) ofereceu trabalho na área administrativa. Ramona avalia ainda duas propostas de empresas fora da área médica.

‘Faltou diálogo’, diz amiga

A funcionária pública Silvana de Souza, que trabalha para a prefeitura em Pacajá (PA), cidade a 360 quilômetros de Belém onde a médica atendia no Mais Médicos, afirma que a cubana reclamava com frequência do salário abaixo dos R$ 10 mil pagos pelo Ministério da Saúde a profissionais de outros países que participam do Mais Médicos. “Ela sempre colocava que o salário era muito pouco”, diz.

Segundo a servidora as Secretaria de Habitação de Pacajá, que ficou amiga de Ramona no período em que ela chegou à cidade paraense, a médica recebia auxílio alimentação, alojamento mobiliado que dividia com outros integrantes do Mais Médicos, internet Wi-fi e motorista com carro da prefeitura. “Acho que houve muita falta de diálogo dela com a gente”, opina Silvana.

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