Condenado no escândalo do mensalão, o petista está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília

João Paulo Cunha entrou carta de renúncia na Câmara dos Deputados
Agência Câmara
João Paulo Cunha entrou carta de renúncia na Câmara dos Deputados

O deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), condenado na ação penal do mensalão, renunciou na noite desta sexta-feira (7) ao mandato. A carta de renúncia foi protocada na Câmara dos Deputados por volta das 20h20. No texto, o petista afirma que desiste de manter o cargo "com consciência do dever cumprido e baseado nos preceitos da Constituição Federal" .

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O petista ainda cita na carta uma frase do escritor e jornalista cubano Leonardo Padura: "a dor e a miséria figuram entre aquelas poucas coisas que, quando repartidas, tornam-se sempre maiores".

Desde terça (4), o petista está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília já que foi condenado em dois dos três crimes nos quais foi julgado no Supremo Tribunal Federal - peculato e corrupção passiva.

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Apesar disso, durante esta semana, Cunha deu demonstrações de que não iria renunciar, mas foi aconselhado por pessoas próximas a mudar de ideia, pois o desgaste seria grande tanto para ele como para partido. Antes de ser convencido a abandonar o posto, o agora ex-deputado chegou até a entrar com pedido na Vara de Execuções Criminais de Brasília para trabalhar na Câmara. 

O líder da bancada petista na Câmara dos Deputados, Vicentinho (PT - SP), divulgou carta em que reafirma a inocência do colega e manifesta solidariedade à decisão tomada por João Paulo Cunha. "Reiteramos ainda que João Paulo terá o nosso apoio em todas as iniciativas que vier a tomar para demonstrar os equívocos, erros e omissões que permearam seu julgamento no âmbito da Ação Penal 470".

Entenda

Cunha era presidente da Câmara dos Deputados à época do escândalo de compra de apoio político no Congresso durante o primeiro mandato do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro e começará a cumprir apenas a parte da pena que já transitou em julgado: 6 anos e 4 meses. Ainda existe possibilidade de recurso, os chamados embargos infringentes, contra a condenação por lavagem de dinheiro, o que pode reduzir a pena total do parlamentar.


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