Oficial da polícia italiana no Brasil afirmou que prisão foi realizada a pedido do Brasil e que a Justiça da Itália irá decidir o futuro do condenado no mensalão

A polícia italiana divulgou nesta quinta-feira (6) detalhes da operação que prendeu o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato , único foragido entre os condenados do mensalão. Pizzolato fugiu para a Itália usando documentos falsos em nome de Celso, irmão morto em um acidente em 1978, dois meses antes de o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, decretar sua prisão. Ele estava trancado no apartamento onde morava com o sobrinho, em Maranello, norte do país, e, segundo informações da TV Globo, a polícia teve de cortar a energia do lugar para forçar a sua saída.

Pizzolato responderá por falsidade ideológica na Itália

Pizzolato usou nome de irmão morto para obter passaporte e fugir para a Itália

Ministro da Justiça diz que pedirá ao STF extradição de Pizzolato


O ofical de ligação da polícia italiana no Brasil, Roberto Donati, explicou, em coletiva de imprensa realizada em Brasília, que a Justiça da Itália irá decidir o futuro do ex-diretor do BB, condenado a 12 anos e sete meses de prisão, segundo informações da ANSA. "A prisão do Pizzolato é resultado de uma ação conjunta. É uma prisão que foi realizada a pedido do Brasil", explicou o agente italiano. "Nosso objetivo foi apenas o de finalizar um pedido do Brasil, compartilhado na Interpol", acrescentou. Donati explicou que, após a prisão realizada a pedido do Brasil, a Polícia apresenta à Corte de Apelação do lugar onde o réu foi preso e o organismo decide o futuro do criminoso.

Ontem, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que encaminhará o pedido de extradição de Pizzolato. “[Pedir a extradição] é nosso dever e assim o faremos. Comunicaremos a prisão ao Supremo Tribunal Federal e tomaremos todas as providências”, disse Cardozo.

Condenado a 12 anos e 7 meses de prisão por formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro no processo do mensalão, Pizzolato foi o único dos condenados com mandado de prisão expedido a não se entregar à Polícia Federal e entrou na lista de procurados pela Interpol, organização internacional de auxílio às polícias, em mais de 190 países.

Cronologia do caso Pizzolato, preso na Itália

Agosto de 2012 – Condenação

Dia 27 - O ex-diretor do Banco do Brasil Henrique foi condenado no final de agosto de 2012, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. Em novembro, os ministros do STF definiram uma pena total de 12 anos e 7 meses de prisão.

Novembro de 2013 – Fuga para Itália

Dia 15 - O presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, determinou a prisão de 12 condenados do mensalão, entre eles Pizzolato.

Dia 16 - O advogado de Pizzolato informou que seu cliente fugiu para a Itália, aproveitando a dupla cidadania. Ele foi o único a fugir e dizia que não ia se entregar. Em nota, o ex-diretor afirmou que, "por não vislumbrar a mínima chance de ter um julgamento afastado de motivações político eleitorais", decidiu ser julgado na Itália.

Dia 18 – Pizzolato entrou para a lista de procurados da Interpol, organização internacional de polícia criminal.

Dia 21 - A polícia italiana confirmou que Pizzolato estava no país, mas por ser cidadão italiano é "um homem livre". E o alerta vermelho emitido pela Interpol não valeria como mandado de prisão para um italiano dentro da Itália.

Janeiro de 2014 – Conta milionária na Europa

Dia 18 - Autoridades brasileiras e da Suíça investigam uma conta secreta operada por Pizzolato em um banco suíço, com saldo de quase 2 milhões de euros.

Fevereiro de 2014 – Prisão

Dia 5 – Pizzolato é preso em uma operação conjunta da Interpol com as polícias brasileiras e italianas. Ele utilizou um passaporte falso no nome do irmão Celso, morto em 1978. Ele está preso na Itália, onde deve responder por falsidade ideológica e espera decisão sobre possível extradição para o Brasil.

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