Médica cubana diz que decidiu ficar no Brasil porque se sentiu injustiçada

Por Priscilla Borges - iG Brasília | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Ramona Matos Rodriguez explicou que não desistiu antes de vir ao País por medo de represálias do governo cubano. Ela reclamou do salário de 1.000 dólares (R$ 2403)

Associação Médica Brasileira contrata médica cubana. Foto: Agência BrasilCubana que deixou o Mais Médicos concede entrevista coletiva. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaRamona Rodriguez afirma ter se sentido enganada por ter recebido salário menor. Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos DeputadosProfissionais do programa "Mais Médicos" em Salvador (BA). Foto: Futura PressMédicos cubanos da segunda etapa embarcam em aviões oficiais para capitais do País. Foto: Ministério da Saúde/Erasmo SalomãoMédico cubano Isoel Gomez Molina convocou uma reunião na igreja da comunidade para se apresentar aos moradores e teve uma recepção calorosa. Foto: Julia Carneiro/BBCProfissionais participam do programa Mais Médicos. Foto: Agência BrasilMédica cubana chega ao Brasil. Foto: José Cruz/ABr Dilma Rousseff cumprimenta médicos antes da sanção da lei que institui o Programa Mais Médicos. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR No centro da imagem, o médico cubano Juan Delgado, que foi hostilizado em sua chegada ao Ceará, durante sanção da lei que institui o Programa Mais Médicos. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR Dilma presta homenagem ao médico cubano que foi vaiado no aeroporto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR Os médicos foram recepcionados na Base Aérea de Salvador. Foto: Tribuna da BahiaSão Paulo recebe médicos cubanos. Foto: Gutemberg Gonçalves/Futura PressGrupo de 215 médicos cubanos chega para atuar no Programa Mais Médicos. Foto: José Cruz / Agência BrasilMédicos cubanos desembarcam no aeroporto de Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaMédicos cubanos desembarcam no aeroporto de Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaImportação de médicos de Cuba faz parte do Programa Mais Médicos. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaMédicos estrangeiros e brasileiros formados no exterior chegam para 1º dia de curso. Foto: Natália Peixoto / iG São PauloParte dos médicos cubanos desembarcou em Recife. Foto: Matheus Britto/AImagem/Futura PressMédicos estrangeiros do Programa Mais Médicos visitam centro de saúde na Ilha do Governador. Foto: Agência BrasilBrasília - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresenta os municípios que receberão os primeiros 400 médicos cubanos participantes do Programa Mais Médicos.
. Foto: Agência BrasilMercedes, Carlos, Tomás e René se disseram impressionados com a beleza da capital. Eles estavam ansiosos para dar uma volta pela cidade. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaCubanos posaram em frente à Catedral: monumento mais bonito da Esplanada, segundo eles. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaMercedes ficou encantada com a Catedral. Queria fotografar tudo para mostrar à família. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaEncantados, os médicos cubanos não perdiam a chance de registrar e brincar com a arquitetura e as esculturas dos edifícios. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaEm frente a Supremo Tribunal Federal, Mercedes pediu ao segurança para sentar "aos pés" da Justiça. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaAté os guardas do Batalhão Presidencial foram alvos do assédio cubano. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaOs médicos cubanos conheceram os principais pontos turísticos da capital e visitaram a Torre de TV e o Parque da Cidade. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaAlém dos registros, os médicos perguntavam muito sobre a história dos edifícios e a arquitetura da cidade. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaNa pausa para o almoço, eles comeram comida popular e no fim sentenciaram: "comida muito boa". Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaProtesto de médicos, nesta terça-feira (16), em São Paulo. Foto: Beatriz Atihe, iG São PauloProtesto de médicos, nesta terça-feira (16), em São Paulo. Foto: Beatriz Atihe, iG São PauloParalisação de médicos na manhã desta terça-feira (30), no centro de Curitiba (PR). Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura Pressprotesto de médicos. Foto: Futura Pressprotesto de médicos. Foto: Futura PressProtesto de médicos realizado no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (31), é contra o programa Mais Médicos. Foto: Futura PressManifestante se veste de caveira durante protesto de médicos em São Paulo, nesta quarta-feira (31). Foto: Futura PressMédicos protestam na avenida Paulista em SP. Foto: Rafael Belzunces/Futura PressMédicos realizam passeata pelas Avenidas Brigadeiro Luís Antônio e Avenida Paulista, em São Paulo (SP), na noite desta quarta-feira (31). Foto: Rafael Belzunces/Futura Press

A médica cubana Ramona Matos Rodriguez, que desistiu de participar do programa Mais Médicos, disse nesta quinta-feira (6) que só viu o contrato de trabalho três dias antes de embarcar de Cuba para Brasília. Em nova entrevista à imprensa, concedida no apartamento do deputado federal Abelardo Lupion (DEM-PR), ela afirmou que não saiu de Cuba com a intenção de permanecer no Brasil. Segundo a médica, ao perceber que seu salário era “muito menor” que o pago aos médicos de outras nacionalidades, ela se sentiu enganada.

Médica cubana terá visto cassado se for desligada do Mais Médicos

Cubana que abandonou o Mais Médicos será desligada do programa

“Eu falei com muitos cubanos que estão no Mais Médicos e eles também se sentem enganados. Mas no meu país a gente não pode falar como eu estou falando agora”, disse para os jornalistas sobre os motivos que a levaram a abandonar seu posto de trabalho no município de Pacajás, interior do Pará.

Ramona explicou que não desistiu antes da chegada ao Brasil por medo de represálias do governo cubano. Ela reclamou do salário de 400 dólares (R$ 953) que recebia para se manter no Brasil. O susto da médico foi com o preço das coisas no Brasil. "Um sapato custa R$ 150 reais. Uma blusa, também", comentou. Além dos 400 dólares, os médicos cubanos recebem outros 600 dólares (R$ 1429), que são repassados a uma conta em Cuba, que ela só pode retirar no seu retorno.

A médica admitiu, no entanto, que morava em uma “boa casa”, cedida pela Prefeitura de Pacajás, que havia um carro à disposição e que recebia mais R$ 750 reais de ajuda para alimentação. “Outros médicos recebiam R$ 10 mil para fazer a mesma coisa que eu. O Brasil dá a Cuba R$ 10 mil por cada médico. A questão é para onde vai a outra parte desse dinheiro?”, questionou.

A cubana contou ainda que, já no Brasil, passou a ter acesso à internet e descobriu a possibilidade de pedir asilo nos Estados Unidos por conta de um programa para médicos desertores. Por isso, decidiu fugir de Pacajás e vir para Brasília. Ela chegou na capital no sábado (8), quando foi pedir asilo na Embaixada norte-americana.

Além disso, ela apresentou um pedido de refúgio ao governo brasileiro na quarta (5), mas vai ter de esperar na fila do Comitê Nacional Para Refugiados (Conare). O órgão da Justiça tem aproximadamente 1.500 pedidos de refúgio em análise. Como oficialmente não foi desligada dos Mais Médicos ainda, Ramona não está ilegal no Brasil.

Só após o desligamento do programa, ela seria notificada pela Polícia Federal de que teria sete dias para deixar o País. Mas, com o pedido protocolado no Conare, ela terá 180 dias de permissão para ficar por aqui. A autorização de permanência pode ser renovada enquanto não houver decisão final do Conare. Com o refúgio temporário, ela já tirou carteira de trabalho. Apesar disso, negou que já tenha recebido propostas de empregos de associações médicas brasileiras.

Outras missões

Ramona já esteve em outra missão, intermediada pelo governo cubano, na Bolívia. Lá ela diz que a missão era realmente humanitária e não por contrato de trabalho. Ainda segundo seu depoimento, ela recebia 300 dólares (R$ 714) por mês para se manter. No entanto,  na opinião dela, o valor era suficiente para os padrões da Bolívia.

Em Cuba, a médica diz que ganha um salário de 35 dólares (R$ 87) por mês. Para a missão no Brasil, ela começou a se preparar em novembro de 2012 e disse que fugiu para Brasília de carro e avião com a ajuda de amigos, que diz não ter ligações com partidos políticos. A cubana também afirmou que ficou com medo da situação porque a Polícia Federal teria procurado os amigos dela para sabe onde ela tinha ido. 

Ramona ainda contou que não vai mais voltar para Cuba porque tem medo de ser presa. “Diziam que (o Mais Médicos) era uma proposta muito interessante. Interessante para o governo cubano, não para nós (médicos). Quero ser livre, se o Brasil me der essa oportunidade, ficarei feliz“, justificou. 

Sobre o suposto namorado que ela teria nos Estados Unidos, a médica disse que é apenas um amigo que tem "afeição" por ela. De acordo com Ramona, trata-se de um cubano que desertou e a ajuda. Ele teria apenas se disposto a oferecer casa para ela, caso conseguisse sair de Cuba. "Não penso que o governo brasielrio errou, mas acho que questão dos salários tem que ser revisada", defendeu.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas