Documentos falsos foram expedidos a partir de novembro de 2007, ano em que ele foi indiciado pelo Supremo

O ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado em 2012 no julgamento do mensalão a 12 anos e 7 meses de prisão por formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro, começou a operar sua fuga três meses após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter acatado a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o caso.

Pizzolato usou nome de irmão morto para obter passaporte e fugir para a Itália

Ministro da Justiça diz que pedirá ao STF extradição de Pizzolato

Foragido desde novembro, Henrique Pizzolato é preso na Itália

Reprodução de documentos usados por Henrique Pizzolato
Alan Sampaio / iG Brasília
Reprodução de documentos usados por Henrique Pizzolato

As investigações sobre o mensalão começaram em 2003 mas foi somente em agosto de 2007, que o Supremo aceitou a denúncia da PGR e, oficialmente, Pizzolato tornou-se réu na então ação penal 470. Mas, conforme os documentos obtidos pela Polícia Federal, o primeiro passo para a fuga de Pizzolato foi dado em novembro daquele ano, quando ele falsificou o documento de identidade do irmão, Celso Pizzolato, morto em abril de 1978, em um acidente de carro.

Em 30 de novembro de 2007, Pizzolato conseguiu tirar uma carteira de identidade em nome do irmão, em Florianópolis, Santa Catarina, aproveitando-se da não existência de um atestado de óbito de Celso Pizzolato. Depois, em 2010, Pìzzolato conseguiu um passaporte em nome do irmão. A Polícia Federal abriu inquérito nesta terça-feira para apurar como Pizzolato conseguiu obter esses documentos falsos.

A consumação da fuga de Pizzolato ocorreu em setembro deste ano, antes mesmo do Supremo julgar os embargos de declaração impetrados por ele. O julgamento dos embargos ocorreu eu novembro. “O erro do Pizzolato foi ter subestimado o trabalho da Polícia”, disse Luiz Cravo Dórea, coordenador-geral de Cooperação Internacional da Polícia Federal.

Chamou a atenção da PF o fato de que Pizzolato “esquentou” toda a documentação de Celso Pizzolato, dando a ele CPF e até mesmo registro na Justiça Eleitoral. Apesar disso, ainda em 2010, Pizzolato ainda tentou obter autorização para permanecer na Espanha, mas com sua identidade original. Apesar disso, não existem registros bancários em nome de Celso Pizzolato após o período da fuga. No momento da captura, Henrique Pizzolato estava com aproximadamente 15 mil euros no bolso. Ele foi preso em Maranello, cidade no norte da Itália, na residência de um sobrinho, Fernando Grando, engenheiro que trabalha na fábrica da Ferrari.

Veja a lista de brasileiros procurados pela Interpol:

Ainda conforme a PF, o processo de captura durou em torno de 12 horas e nos últimos dias a PF vinha monitorando a rota do automóvel da esposa de Pizzolato, Andréa, um Fiat Punto vermelho com placa da cidade de Malaga, Espanha. Foi nesse veículo que Pizzolato conseguiu atravessar a Espanha e chegar até a Itália. A Polícia Federal ainda analisa se indiciará Andréa Pizzolato e Grando por ajudar na fuga de um foragido da Justiça.

Apesar disso, Pizzolato somente cumprirá prisão no Brasil assim que for extraditado, mas essa é uma decisão da Justiça Italiana. No Brasil, ele também deve responder pelos crimes de falsidade ideológica e falsificação de documentos.

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