Para pressionar Dilma, ala do PMDB ameaça entregar cargos no governo

Por Nivaldo Souza - iG Brasília |

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Peemedebistas da Câmara reagem após ala do Senado negociar reforma isoladamente, prometendo entregar Agricultura e Turismo, ocupados hoje por deputados

A reunião da presidente Dilma Rousseff com o vice-presidente Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o líder do governo no Senado, Eduardo Braga, na noite de segunda-feira, para discutir o espaço que o PMDB pode ter na nova estrutura ministerial dividiu o principal aliado da base dilmista. A ala peemedebista da Câmara ameaça, agora, abandonar os ministérios da Agricultura e Turismo – respectivamente ocupados pelos deputados licenciados Antônio Andrade e Gastão Vieira. Para tratar do assunto, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) convocou uma reunião para esta quinta-feira.

Temer reúne cúpula do PMDB e pressiona por mais espaço no Ministério 

"O PMDB (da Câmara) pensa em discutir abrir mão de indicar os nomes para deixar a presidente Dilma livre para dar o espaço necessário aos partidos que possam lhe dar tempo de televisão (para campanha de reeleição)”, diz o vice-líder Lúcio Vieira Lima.

O Senado conta também com duas indicações na Esplanada dos Ministérios: Edison Lobão, em Minas e Energia; e Garibaldi Alves Filho, na Previdência Social. O ministro Moreira Franco (Aviação Civil) é tido como indicação isolada de Temer. “O partido sempre teve essa divisão (de forças entre Senado e Câmara), mas a paz reinou nos últimos sete anos”, afirma Vieira Lima.

A suposta divisão ganhou contorno na noite da segunda-feira, quando Dilma isolou o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), da conversa com Temer, Renan e Braga. O agravamento foi maior diante da informação de que Renan e Braga teriam sugerido que o partido se daria por satisfeito se a presidente cedesse o Ministério da Integração Nacional ao senador Eunício Oliveira (CE).

Com o acordo, Eunício sairia da corrida eleitoral pelo governo do Ceará, deixando a disputa no estado aberta para o candidato do governador Cid Gomes (PROS-CE). Faltou combinar com os peemedebistas da Câmara, que ficaram irritados diante da possibilidade de ala do Senado ceder Turismo ao PTB em troca de Integração – o que tiraria uma pasta do controle dos deputados do partido.

Henrique Alves só foi convocado no Palácio do Planalto para participar do final da reunião, apenas para referendar a decisão envolvendo Integração para Eunício – o presidente da Câmara pegou o fim da conversa e depois acabou a noite no Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-Presidência, conversando com Temer.

Racha combinado

O problema é que a indicação de Eunício não é consenso dentro do PMDB. O combinado entre os peemedebistas era a legenda indicar o senador Vital do Rêgo (PDB-PB) para Integração. Mas Vital foi deixado de lado pela presidente, que priorizou a pasta em uma negociação que atendesse os irmãos Cid e Ciro Gomes na sucessão no Ceará.

Eunício nega que seu nome tenha sido apresentado. “Eu não recebi nenhum aviso disso. Ninguém falou nada comigo”, afirma. Mas irritação o levou, segundo relatos, a procurar Vital do Rêgo para lhe garantir que não aceitaria Integração.

O senador do Ceará, que está na metade do mandato, pretende disputar o governo estadual à revelia da vontade dos irmãos Gomes. Ele tem apoio do presidente do partido, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), que diz que o importante é a costura nos estados. “O importante é priorizar os palanques estaduais”, afirma.

A ausência de Raupp na reunião no Planalto intriga os deputados peemedebistas, que reclamam de concentração das conversas com Dilma pela ala do partido no Senado. Apesar do suposto racha evidente, Raupp minimiza qualquer divisão.

O presidente do PMDB tenta encontrar um discurso combinado e termina por afirmar que a ala do Senado seguirá ao lado do grupo peemedebista da Câmara, caso os deputados decidam abandonar ministérios. “Se acontecer de a Câmara entregar ministério, sou favorável de que o Senado tem de fazer o mesmo”, afirma.

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