Chioro diz que ela não é a primeira a desistir. Do total de 5.378 médicos cubanos contratados, 22 (0,4%) não quiseram continuar atuando no Brasil e voltaram a Cuba

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, informou, nesta quarta-feira (5), que a médica cubana Ramona Matos Rodriguez que desistiu de participar do programa Mais Médicos será desligada do contrato formal. Segundo ele, quando há desistência, a prefeitura precisa informar o Ministério da Saúde (o que foi feito nesta manhã) e, por sua vez, o ministério comunica o ocorrido à Organização Pan-Americana de Saúde, responsável pelo contrato com o governo cubano. Amanhã, uma nova médica irá substituí-la em Pacajás (PA).

Médica cubana terá visto cassado se for desligada do Mais Médicos

Chioro disse que a prefeitura informou que a médica havia “abandonado o posto por mais de 24 horas”. Ele diz que ela não é a primeira a desistir. Do total de 5.378 médicos cubanos contratados pelo programa Mais Médicos, 22 (0,4%) não quiseram continuar atuando no Brasil. Ele conta que 17 alegaram problemas de saúde e cinco, motivos pessoais. Todos voltaram para Cuba. Entre todos os 6,6 mil participantes do programa, há mais 80 (entre brasileiros e estrangeiros de outras nacionalidades) que também abriram mão do emprego.


O novo ministro da Saúde, empossado nesta segunda-feira, procurou defender os objetivos do programa e evitou comentar as críticas aos salários recebidos pelos profissionais cubanos aqui no Brasil. “A desistência no programa é insignificante. Para nós, o importante é garantir a expansão de atendimento médico à população brasileira. E não podemos aceitar prejuízos ao atendimento da população, por isso já solicitamos reposição à OPAS”, afirmou.

Sobre os salários, Chioro não quis comentar se achava o dinheiro suficiente para um médico se manter no país. Preferiu ressaltar que a OPAS é quem cuidava do contrato diretamente com o governo cubano. De acordo com o ministro, os critérios são os mesmos estabelecidos entre Cuba e os outros 60 países com os quais têm convênio de cooperação médica. “O governo concedeu os mesmos R$ 10,4 mil a todos os profissionais. As regras do funcionalismo cubano não é estabelecida pelo Brasil”, comentou.

Para o ministro, a oposição está criando um “espetáculo” com uma situação “normal” de desistência. “Não é possível aceitar esse tipo de ataque ao programa”, afirmou. “A oposição, em nenhum momento, ajudou a encontrar uma saída para melhorar a saúde da população brasileira. Ao contrário, tínhamos até agora 22 milhões de brasileiros sem atendimento”, garantiu. Na opinião do ministro, o caso é uma “exploração política” de um ato “normal”.

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