Deputado João Paulo Cunha se entrega na Papuda após ter prisão decretada

Por iG São Paulo |

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Antes de se entregar, Cunha divulgou uma carta na qual diz que o julgamento do mensalão foi um 'show midiático'

O deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), condenado na ação penal do mensalão, se entregou no início da noite desta terça-feira no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, depois de ter sua prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Antes de se entregar, Cunha divulgou uma carta na qual diz que o julgamento do mensalão foi um "show midiático", reafirma que é inocente e ressalta que cumpriria a "injusta absurda pena".

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Em janeiro, o presidente do STF e relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, decretou a conclusão do julgamento para dois dos três crimes pelos quais o parlamentar foi condenado -peculato e corrupção passiva - mas não havia assinado ainda o mandado de prisão. "A PF informa que o Deputado Federal João Paulo Cunha acaba de se entregar no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília", diz a mensagem publicada pela Polícia Federal em sua conta no Twitter.

Agência Câmara
Com prisão decretada, João Paulo Cunha se entrega à Penitenciária da Papuda

Barbosa demorou a assinar e expedir o mandado de prisão porque estava em viagem fora do país. Outros ministros do STF se recusaram a assinar o documento na ausência dele.

Cunha era presidente da Câmara dos Deputados à época do escândalo de compra de apoio político no Congresso durante o primeiro mandato do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Ele foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro e começará a cumprir apenas a parte da pena que já transitou em julgado: 6 anos e 4 meses. Ainda existe possibilidade de recurso, os chamados embargos infringentes, contra a condenação por lavagem de dinheiro, o que pode reduzir a pena total do parlamentar.

Segundo o STF, Cunha recebeu dinheiro para assinar contratos irregulares como presidente da Câmara dos Deputados com agências de publicidade de Marcos Valério, apontado pelo Supremo como operador do mensalão.

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse, segundo a Agência Câmara, que a decretação da prisão de Cunha, que afirma inocência, será analisada pela Mesa Diretora da Casa. Outros deputados condenados no esquema - José Genoino (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT) - renunciaram aos mandatos. Com a renúncia, os parlamentares evitaram um possível processo de cassação.

Com Reuters e Agência Brasil

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