Saab discute investimentos com Marinho, que ajudou na escolha do Gripen

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento |

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Prefeito de São Bernardo do Campo é amigo de Lula, e tem influência nas escolhas de Dilma, como no episódio da escolha dos caças

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Dirigentes da empresa sueca Saab estarão hoje em São Bernardo do Campo para discutir com o prefeito da cidade, Luiz Marinho (PT), detalhes de investimentos a serem feitos na cidade. A Saab produz o caça Gripen NG, escolhido pela presidenta Dilma, no fim do ano passado, para substituir a frota de Mirages da Força Aérea Brasileira (FAB), que será desativada. Atuando nos bastidores, Marinho foi importante na decisão do governo brasileiro de escolher o caça sueco. Outra figura decisiva foi o ex-analista da CIA Edward Snowden, acusado de espionagem pelos Estados Unidos após divulgar informações sigilosas. A presidente Dilma havia dado sinais de que poderia optar pelo F-18, da americana Boeing. Depois das revelações de Snowden, desistiu da ideia.

A proposta americana ruiu com a descoberta da rede de espionagem dos EUA nos gabinetes de Brasília. O ex-presidente Lula preferia o Rafale, da francesa Dassault. Mas Lula, em maio de 2010, ficou decepcionado com o então presidente da França, Nicolas Sarkozy, pelo fato de ele ter se declarado a favor de sanções diplomáticas ao Irã, contrariando posições do Brasil e Turquia. Ao final de seu governo, o petista decidiu deixar a decisão para a sucessora Dilma. Marinho, então, foi comunicar o fato aos dirigentes da Saab, em um jantar na Suécia. Defensor da instalação de uma fábrica do Gripen em São Bernardo, o prefeito questionou a razão de o rei Gustavo e a rainha Silvia não se envolverem na discussão dos caças, diferentemente de líderes dos países concorrentes. Na mesma noite, recebeu no hotel um convite para conversar com o rei.

Quem sabe menos

Marinho teve um atrito com o ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, que havia convencido Lula a defender o Rafale. Informado das ações do prefeito, Jobim indagou: “Quem é Marinho e o que ele entende de aviação?” O petista respondeu: “Tanto quanto o Jobim, ou seja, nada”.

Para identificar quem ajudou a ditadura

O Grupo de Trabalho dos Sindicalistas da Comissão da Verdade vai homenagear no próximo sábado mais de 400 trabalhadores perseguidos durante a ditadura. No ato, em São Bernardo, os sindicalistas vão pedir o julgamento de processos de trabalhadores parados na comissão de anistia e a revisão dos valores pagos, muitas vezes tidos como irrisórios. Também vão se manifestar pela identificação de empresas, inclusive privadas, que colaboraram com o regime na perseguição a trabalhadores por motivos políticos. Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC durante as greves dos anos 70, o ex-presidente Lula é esperado na homenagem.

Meirelles marca distância de Alckmin

Para o PSD, o discurso que Henrque Meirelles, ex-presidente do Banco Central, fez em São José do Rio Preto (SP), no fim de semana, deixa clara a distância entre ele e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição. Tucanos sonham com Meirelles como vice. O PSD deve apoiar a reeleição de Dilma Rousseff e lançou o ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab ao governo. Meirelles criticou a paralisia do Estado, à qual culpou pelo baixo crescimento do País.

Brasília: faltavam eles nas negociações

Além dos ex-governadores do Distrito Federal Joaquim Roriz e José Roberto Arruda, a conversa para formar uma chapa anti-PT - do governador Agnelo Queiroz - também passa pelo senador Gim Argello (PTB) e pelo ex-senador Luiz Estevão, que preside o PRTB-DF, ao qual Roriz está filiado. O governador Marconi Perillo (PSDB) é o mentor da formação do grupo.

“Nosso compromisso é com a Dilma. Ela é amiga do Rio e minha. Se o PT decidiu não continuar conosco no Rio, nossa aliança nacional não vai terminar”

Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro e pré-candidato a senador pelo PMDB

*Com Leonardo Fuhrmann

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