PMDB, PTB e PROS aguardam que Dilma volte de Cuba com solução para ceder espaço no governo. Aliados seguem disputando Integração Nacional

O retorno da presidente Dilma Rousseff da viagem oficial que faz a Cuba vem sendo aguardada com ansiedade por siglas aliadas como PMDB, PTB e PROS. Dilma está em Havana, onde participa da II Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), e volta hoje. A viagem aumentou a tensão entre as legendas, que esperam que a presidente traga na bagagem uma solução para acomodar a todos na Esplanada dos Ministérios.

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A demora em acertar o espaço que será dado aos partidos começa a irritar dirigentes e acirrar a disputa especialmente pelo Ministério da Integração Nacional, cujo orçamento para 2014 soma R$ 8,5 bilhões. A expectativa é de que uma solução seja apresentada pelo ministro Aloizio Mercadante (Educação), que está a caminho da Casa Civil.

Mas ainda não houve convite para reuniões com o ministro, que ontem voltou a despachar da Educação – Mercadante aproveitou as férias de Gleisi Hoffman na semana passada para ocupar uma sala anexa à da ministra, que deve deixar a Casa Civil na próxima semana para disputar o governo do Paraná. “Ele (Mercadante) precisa ligar”, afirma o senador Gim Argelo (PTB-DF).

O senador é moderado ao comentar as pretensões do partido, mas ressalta que o PTB segue na disputa por Integração. “A gente continua (querendo Integração)”, diz, sem deixar de sinalizar que o partido aceita uma “segunda fase” de conversas por um ministério menor como Turismo. “Se não for (Integração), a gente pode ir para uma segunda fase, mas por enquanto é Integração”, afirma.

Festas de Lula

Já o PROS confia na “paixão de Dilma pelo Ciro Gomes”, como define o líder do partido na Câmara, Givaldo Carimbão (AL). “Eu estive com a presidente Dilma há um mês e ela pintou Ciro como um amigo, uma pessoa que ela conhece das festas do Lula”, diz o líder, em referência ao tempo em que os então ministros Dilma e Ciro participavam de comemorações promovidas pelo ex-presidente na Granja do Torto - a casa de campo oficial da Presidência da República.

Carimbão diz que a amizade levou Dilma a mencionar Ciro na conversa na qual, segundo ele, “o PROS não colocou como condição para apoiar o governo (no Congresso) ter um ministério”.

O partido ainda segue de olho na Integração. Mas há setores do PT que sustentam informalmente que Dilma não pretende dar a pasta para Ciro, o que para ela significaria mantê-lo no comando do ministério caso seja reeleita.

O PT estaria estudando como solução convencer o governador do Ceará, Cid Gomes (PROS-CE), a aceitar a manutenção do atual ministro Francisco Teixeira até o final, como parte de um acordo para sua indicação ou de seu irmão Ciro a uma pasta maior em 2015.

Carimbão nega que haja acordo para que o PROS contabilize como seu um ministro que foi técnico da Integração deixada pelo PSB, que saiu da pasta em sinal de ruptura com o PT para lançar a pré-candidatura de Eduardo Campos (PE) à Presidência da República.

Portos e Turismo

A cúpula do PMDB pretendia se reunir hoje em Brasília para discutir, mas a reunião foi adiada. A direção do principal aliado da base dilmista preferiu esperar o retorno da presidente para que ela chame o vice-presidente Michel Temer para apresentar uma proposta. O partido, que hoje ocupa cinco ministérios, espera ganhar mais uma pasta.

A liderança peemedebista ainda segue em busca de Integração, mas já teria sinalizado a Mercadante que aceita a Secretaria Especial de Portos – cujo orçamento para em 2014 soma quase R$ 1,3 bilhão, sendo quase R$ 1,5 bilhão para investimentos hidroviários.

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O problema para o interlocutor destacado por Dilma para conduzir a reforma ministerial é que para oferecer Portos ao PMDB será preciso manter Turismo sob o comando peemedebista. Isto porque Integração tem orçamento quatro vezes maior que a verba liberada para Portos e Turismo (R$ 700 milhões em 2014).

No que pode ser a semana decisiva para a reforma na estrutura ministerial que a presidente terá em seu último ano de mandato em meio à disputa pela reeleição, a tarefa continua sendo acomodar o PTB em troca do 1 minuto e 28 segundos que os trabalhistas têm de propagada de televisão por dia – outro tanto do mesmo tempo será usado no rádio.

O partido espera “reciprocidade” para ceder seu tempo de televisão à coligação de Dilma, segundo declarou ao iG o líder trabalhista na Câmara, Jovair Arantes (PTB-GO). “Estamos com o governo desde o Lula, mas nunca houve uma troca de reciprocidade. Precisamos entender que o governo quer a parceria com o PTB”, afirma o líder.

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