Parcela do eleitorado paulista anseia por mudanças, mas não conseguiu vislumbrar, até o momento, uma alternativa

As eleições para o governo do Estado de São Paulo, em 2014, deverão implicar uma dura batalha. O cenário atual indica que o governador Geraldo Alckmin entrará na disputa na condição de favorito. Mas depois de quase 20 anos de governos tucanos e de um certo marasmo na política estadual, abrem-se brechas para mudanças. A permanência de um mesmo partido por muitos anos no poder provoca um desgaste natural e uma acomodação política e administrativa. O governo e o partido perdem parte de sua vitalidade. O escândalo do cartel do Metrô também provoca desgaste no governador, mas não ao ponto de tornar-se um fator capaz de decidir as eleições.

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Desta forma, parcela do eleitorado paulista anseia por mudanças de rumos na condução política e administrativa do Estado. Mas este eleitorado não conseguiu vislumbrar, até o momento, uma alternativa capaz de geral confiança suficiente para que se transforme em uma aposta segura. As oposições procurarão gerar essa alternativa no próprio decurso da campanha.

Assim, a conjuntura eleitoral no Estado de São Paulo será ambígua: parte da sociedade quer a continuidade do atual governo e parte da sociedade quer mudanças. Isto abre a perspectiva de uma disputa acirrada e para uma decisão no segundo turno, algo que não vinha ocorrendo desde 2002.

Quem se credenciará para ser o principal oponente de Alckmin também é uma questão em aberto. O PT, cujo candidato deverá ser o ministro Alexandre Padilha, é um partido forte e tem estrutura de campanha. Já Paulo Skaf, que deverá ser o candidato do PMDB, vem semeando sua candidatura há alguns anos com uma forte presença na mídia em anúncios da Fiesp.

Salvo surpresas, que sempre podem ocorrer em eleições, o quadro principal de candidaturas deverá girar em torno desses três nomes. Há que se prestar atenção sobre os rumos do PSB: para encorpar a candidatura presidencial de Eduardo Campos, a lógica recomenda que lance um candidato próprio em São Paulo.

É preciso acompanhar também os prováveis protestos de rua, que deverão ocorrer já durante a copa. Eles poderão influir sobre o rumo das campanhas e sobre as opções de voto. E tendo em vista o baixo prestigio dos políticos e a crise de representatividade das instituições, é bastante provável que haja um aumento dos votos nulos e branco e do abstencionismo no dia das eleições.

*Aldo Fornazieri é cientista político e professor da Escola de Sociologia e Política

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