"Eleitor só vai se ligar na eleição depois da Copa", diz presidente do Ibope

Por Brasil Econômico - Por Eduardo Miranda, Octávio Costa e Paulo Henrique de Noronha |

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Presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro diz que, com Carnaval e Copa, o ano passará rápido e a campanha eleitoral deste ano será curta

Brasil Econômico

Um dos principais especialistas em pesquisa de opinião do país, o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, disse que 2014 é um ano "que vai passar rápido" e que a população só vai começar a dar atenção às eleições depois da Copa do Mundo. "Antes disso, ninguém vai falar de política", afirma Montenegro, em entrevista exclusiva ao Brasil Econômico.

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Maíra Coelho/Ag. O Dia
"Um terço do eleitorado ainda não optou por ninguém", diz o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro

Destacando que o nível de satisfação do brasileiro, hoje, é de 80%, Montenegro diz que a maioria da população desconhece siglas como Copom, Selic e PIB e está mais preocupada com o que afeta diretamente seu bolso, com a economia doméstica."O brasileiro quer saber é se a prestação vai caber no seu orçamento", explica.

Em relação à eleição de outubro, Montenegro diz que ainda é prematuro falar em favoritismo da presidenta Dilma Rousseff, que lidera as pesquisas do Ibope de intenção de votos. "A presidenta tem o desgaste de quem está no governo, mas tem também a caneta de quem está lá, em aparição constante", analisa. Nos estados, ele acredita que as eleições serão muito difíceis e ainda estão imprevisíveis.

Brasil Econômico - Como o sr. está vendo o cenário da pré-eleição presidencial?

Montenegro - Após as manifestações que ocorreram no meio de 2013, o fim do prazo para criação de novos partidos e filiação partidária, e ainda um fato político importante - que foi a adesão de Marina Silva ao PSB, já que não conseguiu a legalização de seu partido em tempo hábil -, notamos hoje que um terço do eleitorado ainda não optou por ninguém. Esse terço talvez não esteja satisfeito com as coisas, talvez esteja esperando a proximidade da campanha para definir seus candidatos. A verdade é que o brasileiro não gosta muito de política. Se o voto no país não fosse obrigatório, teríamos eleições similares às que tivemos no Chile agora - com algo em torno de apenas 40% votando.

Brasil Econômico - Como está o conhecimento do eleitor em relação aos candidatos à presidência da República?

Montenegro - Temos hoje o Eduardo Campos (governador de Pernambuco, PSB) e o Aécio Neves (senador, PSDB-MG), que não são conhecidos por toda a população. Por outro lado, temos a presidenta Dilma, com o desgaste de quem está no governo, mas também a caneta de quem está lá, em aparição constante. Acredito que 2014 vai passar muito rápido. Daqui a dois meses, temos o Carnaval; mais dois meses, teremos a Copa do Mundo; três meses depois, as eleições; mais dois meses, as festas de fim de ano novamente. Isso é o que vai pautar o ano. Antes do fim da Copa, ninguém vai falar de política, com exceção da imprensa, que é obrigada a encontrar fatos e noticiar o dia a dia. O eleitor só vai começar a se ligar a partir do dia 15 de julho, dois dias depois da final da Copa.

Brasil Econômico - Qual vai ser o tema dominante das campanhas no nível federal?

Montenegro - As eleições no Brasil têm se definido muito em função da economia. Tivemos quase uma década com Fernando Henrique Cardoso, que arrumou a vida do brasileiro com o fim da inflação, algumas privatizações importantes, estabilização e respeito do mercado pelo país. Depois, tivemos a década do Lula, que foi importantíssima e promoveu inclusão social, crédito, casa, luz, encheu os aeroportos de pessoas que nunca tinham viajado de avião e fez com que muitos dessem um passo à frente. Isso foi possível graças à prioridade que ele deu a essas questões e graças também ao país mais estruturado que ele pegou do governo anterior. A Dilma está com avaliação boa - já esteve melhor - e quer dar continuidade a isso. O que o brasileiro ou grande parte do eleitorado mais gosta é de emprego - que é um ponto forte -, crédito e juros baixos, no sentido de saber se a prestação de uma compra vai caber no seu contracheque. Acho que a economia, novamente, vai ser determinante.

Brasil Econômico - Além da economia, mobilidade, educação e saúde também estarão no centro do debate?

Montenegro - Ainda não sabemos bem. Tudo começou com a questão dos 20 centavos nas passagens de ônibus. A sociedade precisa de metrôs de ônibus,mas o que é prioridade? Ao mesmo tempo, falta dinheiro, estrutura, saneamento. Na saúde, já havíamos levantado, através de pesquisas específicas, que as pessoas até acham que há hospitais, remédios, atendimento, mas faltam médicos. O governo, atento a isso, criou o programa Mais Médicos, mas isso também gerou insatisfação e um certo bairrismo em outros segmentos.

Brasil Econômico - O brasileiro, de um modo geral, quer mudanças?

Montenegro - Nas últimas pesquisas, 66%, quase dois terços, disseram que sim. Talvez outras prioridades em relação a programas sociais e mais investimentos em infraestrutura. Mais adiante, vamos fazer pesquisas qualitativas para saber o que os eleitores entendem por mudanças. As pessoas não gostam muito de mudar. Sempre começamos as pesquisas querendo saber o nível de satisfação de vida, e esse nível está muito alto, em torno de 80%. Isso parece um pouco contraditório diante dos 66% que querem alguma mudança. Mas, na verdade, os que querem uma mudança drástica estão na casa dos 20%. Essa parcela, possivelmente, já está votando em candidatos da oposição. O que precisamos investigar é os outros 46%.

Brasil Econômico - O Ibope consegue ver nesses 66% alguma tendência em termos de estratificação social? É mais forte na chamada nova classe C ou na velha classe C?

Montenegro - Em termos de classe, é bem espalhado. Mas se falamos de região, dá para dizer que há uma concentração maior no Sudeste e no Sul do Brasil. O Nordeste evoluiu muito nos últimos 20 anos e, hoje, consequentemente, tem um nível de satisfação bem mais alto. Eles deram um salto de qualidade grande em tudo. A aprovação da Dilma lá é maior e o índice de pessoas que querem mudanças é menor. Outro detalhe é que esse desejo de mudança que aparece nas pesquisas não é personificado. A gente não sabe se são mudanças com o mesmo governo ou com outro governante.

Brasil Econômico - Fala-se muito que a oposição no Brasil está enfraquecida. Ela terá condição de ocupar um espaço maior quando começarem as campanhas?

Montenegro - Acho que sim. E essa participação é legítima. O Brasil precisa de uma renovação política. A ditadura, no passado, ocupou tempo demais e tirou uma geração inteira do cenário. Agora é que o país está trocando de personagens. Porém, nomes como os de Fernando Henrique Cardoso e Lula continuam aparecendo. São pessoas importantes, mas que já tiveram seu tempo. Outra coisa é que o Brasil - e aí tem a ver com as manifestações - está muito "do contra". Muitas vezes, o eleitor não gosta do governo e, por isso, diz que vai votar no Aécio Neves ou no Eduardo Campos. Não vejo voto a favor, um voto pelas qualidades do candidato, alguém dizendo que acredita naquele programa de governo da oposição. Quando as pessoas votaram no Fernando Henrique, estavam acreditando nele. Quando votaram no Lula, também estavam acreditando nele. A mesma coisa foi com a Dilma. A oposição precisa fazer com que o eleitor se interesse pelo seu programa, pelo seu candidato. O voto contra é muito para baixo.

Brasil Econômico - O fato de Aécio e Eduardo estarem se encontrando e conversando não faz parecer que ambos estão trabalhando para uma mesma candidatura?

Montenegro - O sistema de dois turnos é feito para que você tenha muitos candidatos. Um do PMDB, outro do PT, outro do PSDB, outro do DEM, do PSB e por aí vai. Depois, no segundo turno, é que você afunila para costurar as alianças. No entanto, aqui no Brasil tudo é feito no primeiro turno a fim de liquidar a fatura de uma só vez. Você tem um número de candidatos que pode se reduzir a qualquer momento mesmo no primeiro turno. Para mim, é estranho. Sou partidário do voto facultativo, acho que o primeiro turno deveria ser disputado por todas as correntes (de centro, esquerda, direita, verde, liberal, sindicato, tradicionais) e as coligações ficariam para o segundo turno.

Brasil Econômico - Em economia, fala-se muito do pessimismo do mercado. O brasileiro está pessimista ou é só desinteresse mesmo?

Montenegro - Sou otimista por natureza e acho que o Brasil cresceu muito nesses últimos 20 anos, mas a classe política vinha dando maus exemplos, até que o copo encheu e a água caiu fora dele. As pessoas tentaram dar um basta com essas manifestações. Para alguma coisa serviu, mas ninguém muda uma cultura da noite para o dia. A sensação de impunidade não pode continuar existindo. As pessoas precisam ter a certeza de que políticos podem ir presos também. Outros casos importantes deveriam ser julgados para que essa percepção de impunidade comece a diminuir. Uma das grandes reformas que o Brasil precisa fazer é a reforma política, além da reforma do Judiciário. Meu irmão (Luis Paulo Montenegro) costuma dizer que a reforma política tem que ser feita já, para valer em 2026. Ele acha que se for para entrar em vigor agora, ela nunca sairá, porque o político fica pensando que as mudanças terão consequência no seu próprio mandato.

Brasil Econômico - Como será a abordagem da economia nas campanhas?

Montenegro - É preciso que fique bem claro: a maioria dos brasileiros não sabe o que é Copom, Selic, muita gente ainda não tem conta em banco, não sabe o que são juros de 8% ao ano. Os brasileiros têm dificuldade para entender o que é o PIB, o que representa um crescimento de 2,3%, não sabem o que é R$ 1 trilhão de dívida interna. Como já disse, o que eles sabem são três coisas: emprego, juros e crediário, isto é, se a prestação cabe no orçamento dele. Quanto à inflação, ele está preocupado com o preço nos supermercados e se aquele produto não vai sumir das prateleiras. Se o candidato for pelo outro lado, ninguém vai entender direito.

Brasil Econômico - Fala-se da possibilidade de as manifestações voltarem no auge da Copa do Mundo. Qual foi o impacto delas até agora na cabeça do eleitor?

Montenegro - Não tiveram impacto. Essas manifestações surgiram naturalmente. Os 20 centavos foram um símbolo e mostraram outras insatisfações. A única manifestação que teve peso foi uma no Rio de Janeiro que reuniu 300 mil pessoas. Nesse sentido, é preciso ter cuidado com as redes sociais. Todo mundo convocava para a grande manifestação do feriado de 7 de setembro, dizendo que o Brasil ia parar. E nada aconteceu. Com a escalada de violência dos Black Blocs, a classe média, que estava indo às ruas, começou a recuar, com medo. Como eram vândalos, os governos começaram a combatê-los. Da mesma forma e mal comparando, são equivalentes àquelas cenas das brigas da torcida do Vasco com a do Atlético Paranaense que vimos na TV. O brasileiro rejeita esse tipo de coisa. Aliás, o brasileiro, na média, é muito otimista.

Brasil Econômico - A oposição continua fazendo alarde em relação aos protestos...

Montenegro - Obviamente, os grandes partidos passam um pessimismo porque não estão no poder. O PT fez o mesmo com o Fernando Henrique. Não acredito que esses protestos voltarão, mesmo sabendo que vai aparecer uma meia dúzia de manifestantes. A Copa do Mundo é o momento em que o Brasil vai se unir. Além disso, é tudo muito dividido: vai ter jogo em Manaus, no Rio, em Belo Horizonte e em diversas capitais. Os estádios são parcerias dos governos federal, estadual, municipal e, às vezes, empresas privadas. É complicado um protesto contra tudo e contra todos. Talvez o futebol seja uma das poucas alegrias com preço barato e na televisão. Por isso, não acredito que vão destruir os estádios.

Brasil Econômico - O resultado do Brasil na Copa pode influenciar de alguma maneira a eleição?

Montenegro - Zero chances, zero! Em 1998, o Brasil perdeu a Copa para a França e o Fernando Henrique se reelegeu. Em 2002, FH presidente, o Brasil ganhou e quem levou a eleição foi o Lula. O eleitor de hoje em dia está muito avançado e sabe que isso não tem nada a ver com o governo.

Brasil Econômico - Há uma especulação de que Fernando Henrique pode ser vice na chapa de Aécio. Isso teria algum impacto na eleição?

Montenegro - Não acredito nisso, mas ficaria triste se acontecesse. Fugiria à ideia da renovação. E Fernando Henrique não aceitaria, ele já tem seu nome na história, fez um grande trabalho. Ele não pode acreditar nessa história de que é imortal mesmo. Imagina pensar que assumiria o governo se acontecesse alguma coisa ao Aécio! É uma coisa surrealista. Daqui a pouco, dirão que Lula será vice de Dilma.

Brasil Econômico - Fala-se de uma renovação maior nas próximas eleições na Câmara, maior que a média, por conta das manifestações, da Ficha Limpa, que tende a ser mais rigorosa...

Montenegro - Nisso, eu acredito. E acredito, também, que muita gente não vai votar, que vai aumentar a abstenção. Até mesmo porque hoje em dia, como voto eletrônico, é difícil o eleitor sair de casa só para votar branco. Antigamente, ele rabiscava a cédula com prazer. Hoje em dia, a multa por não comparecer é muito ridícula, barata. Então, o que pode haver é uma abstenção maior. E pode haver uma renovação maior, também.

Brasil Econômico - Nos estados, para os cargos majoritários, pode haver um fenômeno parecido com esse?

Montenegro - Temos estados com eleições tradicionalmente difíceis, como é o caso do Rio Grande do Sul. Acho que quem está no governo lá nunca conseguiu se reeleger. O Tarso Genro (PT), atual governador, está muito bem avaliado e mesmo assim terá uma eleição difícil coma Ana Amélia Lemos (PP) como adversária. Em São Paulo, pode acontecer de tudo. O Geraldo Alckmin é a cara de São Paulo, mas o PSDB já está há muito tempo no poder. E há algumas denúncias contra o governo dele. Ao mesmo tempo, o Fernando Haddad (PT) não passa por um bom momento na prefeitura. São Paulo tem, ainda, o Paulo Skaf (pré-candidato do PMDB) numa terceira via.

Brasil Econômico - E o Alexandre Padilha (ministro da Saúde e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo)?

Montenegro - São Paulo e Minas Gerais são estados muito conservadores. Padilha vai ter um longo caminho, uma guerra. Se, mais à frente, o Haddad estiver bem, isso pode facilitar a vida dele (Padilha). De um modo geral, as eleições serão muito difíceis para todo mundo. Sempre pode haver o fator do desconhecido, do descrédito. É certo que essa classe que fez as manifestações vai dar uma resposta nas urnas. Só não se sabe se a favor ou contra. Numa eleição federal ela não é importante, mas pode ter uma influência grande nos estados.

Brasil Econômico - Como está a situação do Rio?

Montenegro - No Rio, os candidatos têm índice de rejeição muito alto. É uma eleição do contra. E todos têm chances, não há um favorito. O Rio teve um dos melhores governos dos últimos 30 anos, mas, infelizmente, a população anda bem chateada com o governador Sérgio Cabral. A pessoa jurídica foi bem, mas a pessoa física, na cabeça do eleitor, não está bem. Talvez por essas notícias com o helicóptero etc. O Rio é um estado muito político e efervescente o tempo todo.

Brasil Econômico - E nos demais Estados?

Montenegro - Minas, também, terá uma eleição complicada e ardida: é Fernando Pimentel (PT) contra Pimenta da Veiga (PSDB). Na Bahia, o Jacques Wagner e o PT não estão muito bem avaliados. Em Pernambuco, é a mesma dificuldade. O Eduardo Campos (PSB), presidenciável e atual governador do estado, pode ter com o seu candidato (o ex-ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra) a mesma dificuldade que o Lula tem com o Padilha. Em Pernambuco, o Armando Monteiro (senador e pré-candidato do PTB) está muito forte.

Brasil Econômico - Essas eleições estaduais têm impacto na sucessão presidencial?

Montenegro - Não. O eleitor não vota vinculado. Pelo contrário: às vezes, ele gosta de colocar alguém no federal diferente do estadual para um checar o outro, fazer contraponto. O eleitor brasileiro não gosta de entregar tudo para um só. Em alguns casos, até pode coincidir, mas não por serem do mesmo partido.

Brasil Econômico - Recentemente, o vice-presidente Michel Temer disse, em entrevista ao Brasil Econômico, que o PMDB dá o tom da política no Brasil. Vai continuar assim?

Montenegro - Veja o caso do DEM, antigo PFL. Ele ficou no poder por muito tempo, mas sempre a reboque do PSDB. Aí, veio o resultado: hoje, é um partido pequeno, que está desmilinguindo, porque nunca teve uma cara própria. Acho que o DEM está pagando por isso. O PMDB tem que tomar cuidado. Mas, como ele é um partido muito grande, cabe outra análise. O PMDB tem muitos índios e poucos caciques. Ele é forte nos estados, mas ainda não tem uma liderança nacional. E eles nem querem testar. O PMDB sempre estará no governo, independentemente de quem ganhe. Se a Dilma ganhar, é fundamental o PMDB para dar governabilidade. Se o Aécio ganhar, é fundamental o PMDB para dar governabilidade. Se o Eduardo ganhar, idem. E com qualquer outro partido, porque ele tem entre 20% e 25% dos deputados e senadores. Agora, ele não tem uma cara, uma liderança.

Brasil Econômico - O Temer disse que o partido terá candidato em 2018.

Montenegro - O certo é ter. Na política, o certo é cada partido ter o seu programa, suas ideias e lideranças. No segundo turno, faz a composição.

Brasil Econômico - As pesquisas do Ibope já revelam o perfil dessa nova classe C, esse novo eleitor?

Montenegro - Temos os jovens, e muitos participaram das manifestações, que ainda não são obrigados a votar e estão sem motivação para isso. Quanto à classe social, não trabalhamos muito com esse dado nas pesquisas. A pessoa mudou de classe, subiu um degrau, mudou de casa, adquiriu eletrodomésticos, mas não mudou de cabeça, não mudou de cultura, não mudou de amigos. A mudança de classe não significa que as pessoas ficaram mais cultas, mais pró ou contra o governo, mais gratas ou ingratas. E pode não haver mudança no voto, a probabilidade é o eleitor continuar pensando do jeito que já pensava. Alguns partidos, os mais elitizados e formadores de opinião, acham que o voto tem que ser obrigatório porque têm medo de que esse eleitor não vote. Mas a partir do momento em que o Brasil prioriza e acelera o processo de educação, um dia o voto obrigatório vai acabar.

Brasil Econômico - Deputados e senadores mudarão suas campanhas diante das manifestações?

Montenegro - As manifestações foram importantes, mas há outras coisas relevantes acontecendo no Brasil. O crescimento da internet, o julgamento do mensalão, enfim, muita coisa mudou. É preciso tomar cuidado, porque qualquer candidato que apareça nessas manifestações para se aproveitar da situação pode provocar um efeito negativo na própria campanha. A não ser que seja alguém autêntico, que pense daquela maneira. Se for político tradicional, o efeito será contrário.

Brasil Econômico - A Dilma tem mais apoio do eleitorado feminino por ser mulher?

Montenegro - Acho que não. Há mais homens votando nela do que mulheres. Depois que a pessoa chega ao posto de presidente da República, ela não é avaliada por uma questão de gênero ou idade. Ela é avaliada como presidente.

Brasil Econômico - Dilma é favorita ou não?

Montenegro - As pesquisas estão dando 43% das intenções de voto para Dilma, 14% para Aécio e 7% para o Eduardo, no primeiro turno.

Brasil Econômico - No segundo turno, a vitória é dela?

Montenegro - Sim, mas ainda tem muita água para passar por baixo da ponte.

Brasil Econômico - Seria prematuro dizer que ela é a favorita?

Montenegro - Seria. Acho que quem está no poder leva uma vantagem de aparição. O jogo fica mais equilibrado durante a campanha tradicional. Só não leva vantagem se estiver muito mal avaliado, com uma rejeição enorme. Agora, não dá para saber o que vai acontecer. Todo mundo foi pego de surpresa no dia 4 de outubro com a decisão da Marina de apoiar o Eduardo Campos.

Brasil Econômico - As redes sociais na internet reduzem o peso da televisão?

Montenegro - A TV já anda meio chata e também precisando de uma reforma política. Tanto é que os programas, em si, não são tão vistos. O que são vistas são as inserções comerciais. Tudo o que é obrigatório não é legal. Você tem um aumento de pessoas com TV paga, e elas fogem da propaganda eleitoral. Já os comerciais entram naturalmente. E aí, a TV vale porque quem tem mais tempo, tem mais anúncios de 30 segundos. Quando se fala em aumentar o tempo de TV, é mais por conta dos anúncios. O programa mesmo só é visto na última semana por pessoas que ainda estão na dúvida sobre o candidato.

Brasil Econômico - E os debates?

Montenegro - Esses, sim, são importantes. Às vezes, eles não têm muita audiência, mas a repercussão é grande.

Brasil Econômico - O José Serra vai ser candidato ao governo de São Paulo?

Montenegro - Não acredito, mas até a convenção, no dia 30 de junho, pode haver mudança. O jogo se define no meio da Copa, e os partidos terão até o dia 5 de julho para registrar as chapas de presidente e vice. Se bem que a Marina Silva, por exemplo, cai cada vez mais nas pesquisas depois que saiu dos noticiários. Ela está diminuindo em relação ao Eduardo.

Brasil Econômico - E o Serra, não?

Montenegro - O Serra é mais conhecido, já disputou outras eleições. Mas a partir do momento em que o Aécio for aparecendo no noticiário, a tendência é (o Serra) cair.

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