Perspectiva 2014: O pós-mensalão e seus desdobramentos na política

Por iG São Paulo , Marco Antonio Carvalho Teixeira |

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A questão da corrupção perdeu seu apelo por razões variadas. A primeira é que, com julgamento no STF e a prisão de condenados, o assunto perde ímpeto político

Ocupando lugar central na mídia e no debate político desde 2005, o escândalo do mensalão chegou ao fim oito anos depois de sua eclosão e traz consigo um conjunto de indagações que provocam questionamentos sobre seus prováveis desdobramentos para o processo eleitoral de 2014 e suas consequências para a melhoria do fazer política.

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José Dirceu gesticula ao se apresentar à PF, em novembro

Do ponto de vista do jogo político, parece que o efeito eleitoral deveria mesmo ter acontecido de fato logo em 2006. Todavia, naquela eleição o ex-presidente Lula saiu consagrado das urnas. O que explicaria isso? Duas questões nos ajudam na resposta. A primeira diz respeito à dimensão econômica.

O país experimentava um patamar alto de crescimento econômico (algo em torno de 6%) acompanhado de indicadores positivos em emprego e renda. A segunda, decorrente da primeira, advinha dos altos índices de aprovação do governo, o que ofuscou os possíveis efeitos do escândalo de corrupção no processo eleitoral.

Desde então, em todos os processos eleitorais seguintes, a questão continuou à tona. O PSDB e seus aliados usaram largamente o mensalão na tentativa de transformar o discurso da corrupção em plataforma eleitoral sem, no entanto, obter êxito.

Tal estratégia também foi largamente utilizada nas eleições municipais de 2012 sem que, mais uma vez, se revertesse em ganhos eleitorais significativos, uma vez que o PT recuperou o controle da prefeitura de São Paulo. E agora, qual será a bandeira oposição em 2014?

Definitivamente, a questão da corrupção perdeu seu apelo por razões variadas. A primeira é que, com julgamento no STF e a prisão de condenados, o assunto perde ímpeto político.

A segunda é que se o mensalão mineiro, o mensalão do DEM e os casos Alstom e Siemens efetivamente forem investigados, será a vez de PSDB e DEM ficarem na berlinda, o que pode descontruir a retórica moralista adotada em períodos eleitorais anteriores.

Desse modo, não resta outra alternativa a não ser submeter um programa de governo alternativo e mostrar que pode fazer mais e melhor do que vem sendo feito, algo que não foi feito nos pleitos antecedentes.

Por fim, o pós-mensalão nos remete, ainda, a outras seguintes questões: o que, de fato, estamos aprendendo com esse escândalo? Quais reformas legislativas ele suscitou? Se do ponto de vista da punição parece ter sido exemplar, no que se refere à melhoria da qualidade do fazer política fica a impressão que o comportamento padrão orientado pelo mensalão ainda tem bastante força. Pelo visto somente as ruas podem pressionar por mudanças diante de uma classe política que ainda parece viver em mundo próprio.

*Marco Antonio Carvalho Teixeira é professor de Ciência Política e vice-coordenador do curso de graduação em Administração Pública da FGVSP

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