Partidos pressionam por mais espaço na reforma ministerial

Por Luciana Lima - iG Brasília |

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PMDB busca mais uma cadeira na Esplanada, enquanto o PT reivindica a indicação de um ministro ‘forte’, fora da cota da presidente. Dilma ainda terá que contemplar aliados como os irmãos Gomes no novo governo

Na perspectiva da reforma ministerial que a presidente Dilma Rousseff terá que fazer no início de 2014 devido à saída dos ministros para concorrer às eleições, aliados do Planalto já fazem as contas para, se possível, aumentar de tamanho no novo esboço da Esplanada. As substituições ministeriais devem ocorrer em pelo menos 10 pastas.

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O PMDB, maior partido aliado, por exemplo, almeja manter as cinco pastas que tem e ainda ser contemplado com mais um ministério. Embora controle 14 pastas na Esplanada, o PT também elevou as pressões sobre o Planalto nos últimos meses. Os petistas reivindicam a indicação de um ministro “forte”, que represente “o partido”. O argumento é o de que a maioria dos cargos estratégicos hoje controlados pelo partido na Esplanada pertence à chamada “cota pessoal” da presidente.

A mira dos peemedebistas para aumentar o tamanho está na Integração Nacional, que foi deixada pelo PSB quando o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, rompeu com o Planalto para disputar as eleições presidenciais no próximo ano. O PMDB espera que Dilma nomeie o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). A pasta também cobiçada pelo PROS que pretende indicar o ex-ministro Ciro Gomes (PROS-CE). Ciro já ocupou o cargo no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Os peemedebistas esperam que a acomodação de Ciro Gomes no novo ministério de Dilma Rousseff seja feita em alguma pasta controlada pelo PT. Caso tenha que abrir mão de algum dos ministérios que controla, o PMDB tem ventilado a possibilidade dee entregar a Dilma o Ministério do Turismo, hoje nas mãos do ministro Gastão Vieira (PMDB-MA), que deverá deixar a pasta para disputar a reeleição para deputado federal.

Ciro e seu irmão, o governador do Ceará, Cid Gomes, mantiveram-se fiéis ao Planalto após a debandada dos socialistas, deixaram o PSB e filiaram-se ao PROS. A intenção da presidente é contemplá-los com um bom cargo, com uma relevância bem maior que a pasta do Turismo.

A ideia de que os irmãos Gomes devem ser incluídos na reforma é endossada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Caso a Integração Nacional acabe mesmo ficando com o PMDB, o governo tende a buscar outro ministério com bom orçamento para Cid e Ciro. Uma alternativa ventilada é o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que ficará vago com a saída de Fernando Pimentel, para disputar o governo de Minas Gerais.

No PROS a ordem é esperar o que a presidente tem a oferecer. No entanto, nos bastidores, líderes da legenda dizem esperar pelo menos duas pastas: uma para afagar os irmãos Gomes e outra para o partido.

Candidatos

O PMDB controla também atualmente os ministérios da Agricultura, de Minas e Energia, da Previdência e a Secretaria de Aviação Civil (SAE). Para a Agricultura, pasta que será deixada pelo atual ministro Antônio Andrade (PMDB-MG), que disputará a reeleição de deputado federal, o PMDB pretende indicar outro mineiro para o cargo, o deputado federal Silas Brasileiro (MG).

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), deverá permanecer no cargo. Ele desistiu de se lançar candidato ao governo para apoiar a candidatura de Luis Fernando Silva, ex-prefeito de São José de Ribamar e atual secretário de Infraestrutura do governo do Maranhão. Apadrinhado pelo clã dos Sarney, Silva foi escolhido pela governadora do Maranhão, Roseana Sarney, para disputar sua sucessão.

Ainda não está definido se o ministro da Previdência, Garibaldi Alves (PMDB-RN), sairá da pasta. A cúpula do PMDB tenta convencê-lo a se lançar candidato ao governo do Rio Grande do Norte, dentro da estratégia definida pela executiva do PMDB de ter o maior número de candidatos ao governo nos estados. No entanto, este não é o desejo do ministro, que é senador e ainda tem mais quatro anos de mandato. O ministro Moreira Franco (PMDB-RJ) não disputará eleição e deverá permanecer no comando da SAC.

Xadrez

Até agora, Dilma Rousseff emitiu um único sinal sobre a reforma. Em café da manhã com jornalistas, fez questão de demonstrar que o ministro da Fazenda, Guido Mantega deve permanecer no cargo até o final deste ano. “O ministro Guido está perfeitamente no lugar onde ele está”, disse Dilma diante das especulações de saída de Mantega.

A presidente também fez questão de dizer que a reforma ministerial ainda não está desenhada e que, somente no final de janeiro, as trocas começarão a ser feitas. Dilma disse que espera concluir a reforma até o Carnaval. Aliados de todos os partidos dizem que a presidente também não chamou para conversar sobre o assunto. Mesmo assim, as articulações já existem e levam também em consideração os apoios do governo para aliados nas composições das chapas estaduais.

As especulações também atingem a Casa Civil, de onde a ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR) sairá para disputar o governo do Paraná. Um dos nomes para substitui-la continua sendo o do ministro da Educação, Aloizio Mercadante (PT-SP). No meio do ano, a indicação chegou a ser dada como praticamente certa, principalmente quando o petista atuou como negociador do Planalto junto ao Congresso para aprovar a destinação de parte dos royalties da produção de petróleo para a Educação.

No entanto, a atuação de Mercadante chegou a causar constrangimento às ministras Gleisi e Ideli Salvatti, da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), dissipando a certeza em torno da nomeação. Agora, outro nome que aparece na lista de opções é o de Carlos Eduardo Gabas, atual secretário-executivo do Ministério da Previdência, para a Casa Civil. Gabas é um nome de confiança e amigo da presidente e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também tem atuado nas conversas.

Caso Mercadante deixe de fato o Ministério da Educação, a pasta também passará por uma troca de comando. De acordo com petistas, uma solução possível seria nomear a atual ministra da Cultura, Marta Suplicy, para o cargo.

Na SRI, a substituição da ministra Ideli Salvatti também está indefinida. Ela tem o desejo de se candidatar ao Senado, mas isso ainda dependerá de como o PT se lançará na disputa pelo governo de Santa Catarina. Ideli terá chance de disputar a vaga caso o PT aceite se coligar com o PMDB e com o PSD para a reeleição do governador Raimundo Colombo. No entanto, os controladores do partido no estado defendem candidatura própria, o que inviabilizaria a candidatura da ministra.

Já confirmado como candidato ao governo de São Paulo, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT-SP), é um dos que devem deixar a Esplanada já em janeiro. Nos bastidores, integrantes do PMDB apostam que a pasta cairia bem a Ciro Gomes, atual secretário de Saúde do governo do Ceará. No entanto, as conversas apontam para a nomeação do secretário executiva da pasta Mozart Salles, que coordenou a implantação do programa Mais Médicos. O programa é considerado estratégico para o governo e será uma das principais bandeiras de campanha, tanto de Dilma à reeleição, quanto de Padilha ao Palácio dos Bandeirantes.

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