Governo anuncia que Suécia vence concorrência para compra de caças para a FAB

Por Luciana Lima - iG Brasília | - Atualizada às

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Ministro da Defesa afirmou que escolha levou em conta o equilíbrio de três fatores: 'performance, transferência de tecnologia e custos' de aquisição e manutenção

O ministro da Defesa, Celso Amorim, anunciou nesta quarta-feira (18) que o governo escolheu o caça de fabricação sueca Gripen NG, da Saab, para trocar a frota de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB). O processo de escolha, que tinha a França e os Estados Unidos no páreo, se arrastava desde o final do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O programa, conhecido como F-X2, foi iniciado em maio de 2008 e tem o objetivo de adquirir inicialmente 36 novos caças para a FAB, que substituirão a atual frota, que está obsoleta. O valor total da aquisição é de cerca de US$ 4,5 bilhões até 2023.

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Amorim disse que a escolha foi muito cuidadosa e levou em conta o equilíbrio de três fatores: "performance, transferência de tecnologia e custo, não só de aquisição mas de manutenção". O ministro acrescentou que o Brasil iniciará a fase de negociação do contrato com a Saab. Segundo Amorim, a compra de caças pelo governo brasileiro não terá impacto no orçamento de 2014.

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O caça sueco Gripen NG venceu a concorrência para a troca de 36 aeronaves da FAB. Foto: Divulgação/SaabOs caças substituirão a atual frota, que está obsoleta. Foto: Divulgação/SaabO processo de escolha tinha a França e os Estados Unidos no páreo. Foto: Divulgação/SaabNa Força Aérea, o Gripen sempre foi considerado favorito . Foto: Divulgação/SaabMinistro da Defesa diz que escolha levou em conta performance, transferência de tecnologia e custo. Foto: Divulgação/SaabSegunda a Saab, o caça sueco Gripen alcança um raio de combate de 700 nm (milhas náuticas), ou seja, 1.300 km, a partir da base de operações. Foto: Divulgação/SaabSaab diz também que O Gripen NG é o caça mais ágil do mundo em combate de perto. Foto: Divulgação/SaabO caça tem 120 mil horas de voo acumuladas, em total segurança, em vários países. Foto: Divulgação/SaabO Gripen NG apresenta os menores custos operacionais e de logística, informa site da Saab. Foto: Divulgação/Saab


O ministro disse ainda a decisão do governo brasileiro de comprar os caças da sueca Saab também foi reforçada pela concordância da empresa em transferir totalmente a tecnologia e a compartilhar o desenvolvimento e a fabricação de seus caças-bombardeiros com o Brasil, inclusive, segundo Amorim, com a abertura do código de fonte das armas que equipam o caça. “Isso é o coração do avião”, disse o ministro.

Amorim não considerou um problema para o Brasil o fato de que muitos componentes do Gripen NG são fabricados em outros países como Estados Unidos, França, Alemanha e Reino Unido. A turbina do avião, por exemplo, é de fabricação norte-americana. Para o ministro, isso não atrapalha os interesses do Brasil na questão da transferência de tecnologia. “Sabemos que a turbina é norte-americana, mas não é tão sensível em matéria de conhecimento como outras partes do avião”.

De acordo com o comandante da FAB, Juniti Saito, a Embraer é a principal parte do contrato com a empresa sueca no Brasil para a transferência de tecnologia. Na Força Aérea, o Gripen sempre foi considerado favorito porque, apesar de ter muitos componentes dos EUA, é um projeto a ser desenvolvido em parceria conjunta com o Brasil.

Mais cedo, a presidente Dilma Rousseff avisou que Amorim faria o anúncio sobre a aquisição. "Instruí o ministro da Defesa, Celso Amorim, a anunciar hoje a decisão quanto à compra do F-X e quanto à parceria que nós iremos fazer para o F-X2", disse Dilma em discurso durante confraternização de fim de ano com as Forças Armadas.

A fabricante norte-americana Boeing perdeu terreno na disputa após as denúncias de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos EUA a empresas e cidadãos brasileiros e até mesmo às comunicações pessoais de Dilma.

Durante seu discurso no almoço com os chefes militares hoje, Dilma disse que acontecimentos recentes mostraram que as riquezas brasileiras podem suscitar comportamentos intrusivos à soberania nacional, uma menção velada ao episódio de espionagem dos EUA.

Desde o início do F-X2, as autoridades brasileiras têm insistido que a transferência de tecnologia seria um dos principais fatores para a escolha. Ao anunciar que a decisão seria divulgada nesta quarta, Dilma acrescentou que também seriam divulgadas "parcerias" a serem feitas no programa F-X2.

A compra dos caças envolve a transferência de tecnologia para o Brasil, condição prevista na Estratégia Nacional de Defesa. A escolha do país que irá vender as aeronaves foi fruto de polêmica no último ano do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria manifestado preferência por caças de uma empresa francesa. Na época, companhias de outros países entraram na briga pelo negócio e a transação se arrastou.

Com Reuters, Agência Estado

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