Uma das candidatas na eleição do Conselho Participativo que acontece neste domingo em São Paulo, Cecília Lotufo vê possibilidade de ação real e diz não ter 'rabo preso'

Cecília tenta uma vaga de conselheira na subprefeitura de Pinheiros
Alexandre Carvalho/ Fotoarena
Cecília tenta uma vaga de conselheira na subprefeitura de Pinheiros

Famosa pela sua participação política desde 1992, quando ficou conhecida aos 17 anos como musa dos Caras Pintadas, Cecília Lotufo é candidata a uma das 30 vagas do Conselho Participativo da subprefeitura de Pinheiros. “É uma possibilidade mesmo de ação real”, diz a símbolo dos jovens que encheram as ruas pelo impeachment de Fernando Collor há mais de 20 anos. Para ela, o novo órgão é um espaço para dar a “voz que sociedade vem clamando”. “É uma possibilidade de ação real, de intervenção, de contato direto com o poder público, de forma até de conseguir de transformar junto e não só ficar de fora falando”, diz.

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Cecília comemora poder se candidatar a vaga de conselheira sem precisar recorrer aos partidos políticos, pois não encontra um que a represente. “Eu tenho uma questão partidária forte porque ao mesmo tempo em que eu acredito na existência de partido político eu ainda não encontrei o lugar para mim”, diz. “Me deixa feliz entrar na política por um conselho como uma simples cidadã. Eu não tenho rabo preso com ninguém.”

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Moradora do bairro Alto de Pinheiros, Cecília é dona de uma pizzaria e milita na Ong “Boa Praça”. Ela diz que o seu trabalho comunitário a transformou em uma liderança natural da região e se diz satisfeita em poder entrar na política institucional para ajudar a planejar junto intervenções no bairro. “Existe pouco planejamento das subprefeituras, o que se tem são emergências, eles vão fazendo as coisas sem pensar muito sobre elas”, analisa. “Quero exercer meu papel de cidadão, com liberdade de expressão e com possiblidade de mudança.”

Cecília já é membro do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CADES), da subprefeitura de Pinheiros, mas acredita que o novo conselho de cidadão de Haddad terá mais representatividade, por ser exclusivamente da sociedade civil e eleito diretamente.

A empresária, mãe de dois filhos, vê a política como algo além dos cargos e papéis institucionais do Estado e espera deixar a mensagem de que é possível trabalhar politicamente sem ser da forma tradicional. “Política está no ambiente, no que eu escolho para comer, em como eu lido com o meu vizinho, os meus amigos, a minha praça. Isso (o Conselho) só é uma extensão do que eu acredito da política.”

O Conselho Participativo será escolhido no dia 8 de dezembro, por meio de eleição direta não obrigatória, entre os paulistanos com título de eleitor. O órgão será composto por membros da sociedade eleitos diretamente pelos moradores de cada distrito da capital. Os mais de mil conselheiros servirão como representantes da sociedade civil nas subprefeituras, onde atuarão como consultores.

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