Equipamento da Petrobras preso no Porto do Rio gera prejuízo de R$ 1,5 bilhão

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo |

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Estatal paga R$ 13,4 milhões no aluguel de um espaço no porto para guardar 14 reatores, que, de tão pesados, não podem ser transportados pelas ruas da capital fluminense

Frederico Bailoni/Divulgação
Vista aérea do Complexo Petroquímico de Itaboraí (Comperj), na Região Metropolitana do Rio

Menina dos olhos da Petrobras, o Complexo Petroquímico de Itaboraí (Comperj), na Região Metropolitana do Rio, deveria refinar 165 mil barris de petróleo por dia desde setembro último, quando sua inauguração estava prevista. Mas os consecutivos atrasos nas obras e mudanças no projeto original dispararam o valor da construção e empurraram o início de seu funcionamento para agosto de 2016. A contabilidade do último prejuízo acaba de ser concluída pelo Tribunal de Contas da União (TCU): R$ 1,5 bilhão.

De acordo com os fiscais, o rombo é resultado das medidas que a estatal precisou tomar para prosseguir com as obras que dependiam de 14 reatores importados da Itália ao custo de R$ 316,8 milhões, mas que estão parados no Porto do Rio de Janeiro desde agosto de 2011. Quatro desses equipamentos medem 40 metros de comprimento e pesam 1,1 mil toneladas cada, o que torna impossível seu transporte pelas vias da cidade ou pela ponte Rio-Niterói.

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Divulgação
Reatores medem 40 metros de comprimento por 12 de diâmetro e pesam 1,1 mil toneladas cada

“Foi constatado que a Companhia iniciou a construção de algumas das obras do Comperj sem se assegurar de que esses equipamentos de grande porte efetivamente estariam disponíveis no prazo previsto”, diz o acórdão do TCU. “Com isso, evidenciou-se que as falhas na gestão das obras implicaram aumento dos custos de mais de R$ 1,5 bilhão, além de atrasar, sobremaneira, a entrada em operação do Complexo.” 

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Apenas para manter os reatores no Porto do Rio, a Petrobras vai desembolsar R$ 13,4 milhões em aluguéis. A primeira solução apresentada pela estatal para resolver o imbróglio foi transportar os reatores pelo rio Guaxindiba, mas o Instituto Chico Mendes, autarquia ligada ao Ministério do Meio Ambiente, vetou a ideia por se tratar de uma área de proteção ambiental.

A solução mais cara e demorada foi então adotada. Será necessário construir um píer (uma espécie de passarela sobre a água), um canal de navegação, um pátio com área útil de 5.500 m2 e duas estradas, uma de 18 quilômetros, orçada em R$ 190 milhões, e outra de oito quilômetros, ao custo de R$ 244 milhões - sempre de acordo com o TCU, já que a Petrobras mantém sigilo sobre essas informações.

TCU/Divulgação
Caminho onde será construída uma via para transportar equipamentos pesados parados há dois anos no Porto do Rio

As principais desapropriações e licenças ambientais já foram providenciadas. A expectativa é que os equipamentos estejam de pé em outubro do ano que vem, quando, depois de transportar os reatores, serão repassados para a administração de São Gonçalo e Itaboraí, cidades cortadas pelas estradas.

“A auditoria entendeu que esse descompasso originou-se da atitude temerária dos gestores da Petrobras em assumir o risco desarrazoado de dar partida nas obras sem garantias mínimas de que a infraestrutura logística necessária ao transporte dos equipamentos seriam concluídas a tempo”, reitera o acórdão. “Havia informações e dados que já apontavam para a ocorrência de atraso na conclusão das obras de infraestrutura”, conclui o texto encaminhado para a Comissão Mista de Infraestrutura do Congresso, a quem cabe decidir se pune com multa a estatal, que ainda pode recorrer.

Questionada pela reportagem, a Petrobras diz que não comenta o assunto.

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