Dirceu desiste de emprego de R$ 20 mil em hotel

Por Wilson Lima - iG Brasília | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Defesa do ex-ministro chefe da Casa Civil afirmou que ele foi vítima de um “linchamento midiático”

O ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, que cumpre pena de 7 anos e 11 meses na Penitenciária da Papuda pelo crime de corrupção ativa, desistiu da proposta de emprego para trabalhar em um hotel na região central de Brasília. Pelo cargo de gerente administrativo, Dirceu receberia um salário de R$ 20 mil.

Conheça a nova home do Último Segundo

Leia tudo sobre o julgamento do mensalão 

Leia também: Controlado por amigo de Dirceu, Hotel Saint Peter já pertenceu a Sérgio Naya

ALAN SAMPAIO/iG BRASILIA
Fachada do Hotel Saint Peter, onde José Dirceu receberá um salário de R$ 24 20 mil

Em nota oficial divulgada na tarde desta quinta-feira (5), o advogado de Dirceu, José Luís Oliveira Lima, afirma que o ex-ministro chefe da Casa Civil desistiu da proposta de emprego em função de um “clima de linchamento midiático instalado contra José Dirceu e contra a empresa que lhe ofereceu trabalho”. “Trata-se de uma decisão tomada com o objetivo de diminuir o sofrimento dos empresários que lhe fizeram a oferta e das centenas de funcionários que trabalham no grupo – agora sujeito também aos efeitos corrosivos de uma cobertura marcada pela irracionalidade e pelo espírito de justiçamento, não de justiça”, afirma o advogado.

Leia mais:

Dirceu terá salário de R$ 20 mil se for autorizado a trabalhar em hotel

Ex-ministro pede à Justiça para trabalhar como gerente de hotel em Brasília

Lima também pontuou que a proposta apresentada para Dirceu cumpria “todas as formalidades previstas em lei”. “Mesmo assim, foi tratada por setores da mídia como uma farsa. Essa atitude denuncia a intenção de impedir que o ex-ministro trabalhe, direito que lhe é garantido pela lei e que vale para todos os condenados em regime semiaberto”, descreve o advogado. “Não se busca nenhum privilégio, apenas o cumprimento da lei”.

O contrato de trabalho de Dirceu foi assinado dia 22 de novembro, uma semana após a Polícia Federal (PF) cumprir seu mandado de prisão. Mas, para assumir o emprego, Dirceu dependia de uma decisão do juiz da Vara de Execuções Penais (Vepe) de Brasília, Bruno Ribeiro. A decisão também passaria pelo crivo do presidente do STF, Joaquim Barbosa.

O hotel em que o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu pediu para trabalhar pertence a um amigo do petista e dono de várias emissoras de rádio de televisão: o empresário Paulo Abreu. Ele é irmão do ex-deputado federal José de Abreu, presidente do PTN, um dos partidos que compõe a base do governo Dilma Rouseff (PT).

Abreu mantém o hotel em sociedade com uma empresa chamada Truston International, sediada no Panamá, cujo procurador é Rothschild de Abreu, filho de Paulo Abreu. Mas a Truston Internacional é suspeita de utilizar um “laranja” em sua constituição acionária, conforme matéria exibida do Jornal Nacional nessa semana.

Leia tudo sobre: mensalãojulgamento do mensalãohotelDirceu

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas