Deputado condenado do mensalão já se considera 'espiritualmente' na cadeia

Por Wilson Lima e Nivaldo Souza - iG Brasília |

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Pedro Henry tem desabafado com amigos sobre espera para cumprir pena. Já Costa Neto aparenta tranquilidade

Sem saber ao certo quando e como poderão ser presos por suas respectivas condenações no julgamento do mensalão, os deputados federais Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT) vivem sentimentos distintos. Costa Neto tenta aparentar tranquilidade, segundo pessoas próximas, mas se prepara para ser preso. Já Henry tem desabafado com os amigos sobre a angústia de “espiritualmente já estar na cadeia”.

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Ambos os deputados vivem mais distantes da vida partidária e do Congresso desde que conseguiram ser reeleitos em 2010, em meio ao processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). Costa Neto foi hábil ao repassar o controle efetivo sobre o PR paulista para senador Antônio Carlos Rodrigues, que pode lhe ceder espaço novamente depois que o deputado deixar a cadeia. Já Henry foi afastado de qualquer articulação no PP da Câmara, onde participou de poucas reuniões de bancada por se sentir deixado de lado por colegas de legenda.

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Pedro Henry foi condenado a sete anos e dois meses por corrupção ativa

Costa Neto e Henry estão na lista dos sete condenados que podem ter seus mandados de prisão expedidos após a manifestação da Procuradoria-Geral da República. Eles apresentaram embargos infringentes mesmo sem ter direito a esse recurso, que dá direito a um novo julgamento para crimes em que houve pelo menos quatro votos a favor da absolvição do réu.

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Henry mantém contato diário com seus advogados, buscando informações sobre a tramitação do processo do mensalão e da possibilidade de prisão imediata.

Na segunda-feira da semana passada, por exemplo, cogitou não sair de casa com medo de que a prisão fosse expedida enquanto estivesse fora e pudesse ser preso aos olhos de todos. A cada ligação, seus advogados têm reiterado uma máxima jurídica ao cliente ansioso: “Mantenha a vida normal. Vá trabalhar e faça suas atividades, pois a vida continua.”

O deputado foi condenado a 7 anos e 2 meses e multa de R$ 932 mil por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele apresentou embargos infringentes em todos os crimes e por isso ainda não foi preso como os outros 11 réus que cumprem condenação na Penitenciária da Papuda, em Brasília.

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Costa Neto foi condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

Henry apresentou documentos STF dizendo que tem filho menor de idade em Cuiabá. A intenção é ter uma progressão de pena alegando que o filho depende financeiramente dele. Médico legista, Henry também tem levantado documentos já vislumbrando a possibilidade de pedir para trabalhar na capital do Mato Grosso.

Costa Neto, condenado a 7 anos e 10 meses de prisão, tem ficado cada vez menos tempo em seu gabinete no anexo quatro da Câmara. O parlamentar tenta manter a rotina fazendo caminhadas matinais diárias no Lago Sul, região nobre da capital federal onde mora há pouco tempo – desde que deixou o apartamento funcional a que tinha direito como deputado para viver em um apart-hotel às margens do Lago Paranoá.

No restante do tempo, o deputado tem se dedicado aos contatos políticos que ainda mantém. Na Câmara, ele pediu aos funcionários do gabinete que acelerem a elaboração das emendas parlamentares no total dos R$ 14,68 milhões a que cada deputado tem direito. O receio era ser preso antes de destinar a verba para sua base eleitoral, em São Paulo.

O deputado paulista está levantando agora documentos que podem ser úteis na Papuda, onde deve cumprir prisão depois de ter mudado domicílio para Brasília. Entre os papéis estão laudos e receitas médicas. Hipertenso, Costa Neto teme dificuldades para continuar o tratamento na prisão.

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