PMDB faz apelo a Dilma e Lula para que PT adie desembarque do governo Cabral

Por Nivaldo Souza - iG Brasília | - Atualizada às

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Encontro na Granja do Torto termina sem definição da situação do Rio, mas Sarney consegue compromisso petista de apoio a sua filha, governadora do Maranhão

Em reunião realizada na Granja do Torto neste sábado (30), a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula ouviram do PMDB um apelo para que o partido não entregue, ao menos até março, os cargos que ocupa na administração do governador do Rio, Sérgio Cabral. O encontro foi articulado para as siglas discutirem palanques regionais nas eleições de 2014.

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Na quinta-feira (28), Lula havia pedido ao senador Lindbergh Farias, pré-candidato petista ao governo fluminense, que adiasse o desembarque da gestão Cabral, anteriormente previsto para hoje, quando toma posse a nova direção da sigla no estado. O gesto foi visto como positivo pelo presidente do PMDB, Valdir Raupp (PMDB-RO). "Já era para ter acontecido [o desembarque do governo]", afirmou.

Apesar do apelo, os peemedebistas não saíram do encontro com nenhuma garantia de que o PT fica no governo Cabral até março. Dilma e Lula se comprometeram apenas a dialogar com o diretório fluminense da legenda antes de anunciar qualquer definição. Para Raupp, a postulação simultânea de Lindberg e do vice de Cabral, Luiz Fernando Pezão, é prejudicial para os dois partidos.

Dilma chegou de helicóptero direto do Palácio da Alvorada, a cerca de 18 quilômetros, e pousou dentro da Granja do Torto. Também participaram do encontro o vice-presidente, Michel Temer (PMDB-SP), o ministro Aloizio Mercadante (Educação), Renan Calheiros (PMDB-AL, presidente do Senado), Henrique Alves (PMDB-RN, presidente da Câmara), o senador José Sarney (PMDB-AP) e Rui Falcão (presidente do PT). Todos eles usaram uma entrada alternativa e driblaram os jornalistas que faziam plantão na portaria principal.

A presidente ainda se encontra na tarde deste sábado com a cúpula do PP para uma rodada idêntica de negociações de alianças estaduais.

Segundo Raupp, o único acordo concretizado no encontro da manhã de sábado diz respeito às eleições no Maranhão. O senador José Sarney, que inicialmente não participaria da reunião, foi à Granja do Torto para pedir pessoalmente que o PT apoie o candidato apontado por sua filha, Roseana Sarney, governadora do estado.

"O Maranhão foi resolvido", afirmou Raupp. A executiva nacional do PT estudava intervir no diretório maranhense para manter o apoio a Roseana (que vem desde 2010) e de seu candidato à sucessão. A ação ocorre após o candidato de oposição nas eleições internas do PT, Henrique Souza, derrotar o atual presidente da legenda, Raimundo Monteiro. Souza é opositor da família Sarney e tenta levar o partido a apoiar Flávio Dino (PCdoB).

Palanques duplos

Apesar da divergência entre e PT e PMDB continuar no Rio, no Ceará e na Paraíba, o discurso ao final da reunião foi de que é preciso manter a aliança nacional, que inclui o posto de vice-presidente da República. "O projeto mais importante é a aliança nacional. Nos estados, vamos ajustando", afirmou Raupp.

Raupp mencionou pesquisas qualitativas internas de seu partido para reforçar o poder de transferência de votos do ex-presidente Lula que, segundo o presidente do PMDB, chegaria a 70% nos estados.

Na reunião ficou certo também que no Rio Grande do Sul e em São Paulo os dois partidos devem manter palanques distintos, e que a presidente Dilma não terá nenhum constrangimento em apoiar candidatos de partidos diferentes. "Em alguns lugares, a presidente terá até quatro palanques", disse Raupp.

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