Em clima de disputa interna, PSB e Rede tentam mostrar unidade

Por Luciana Lima - iG Brasília |

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Embate sobre disputas regionais pauta a relação entre socialistas e integrantes do grupo de Marina, que lançam hoje plataforma conjunta para a eleição do próximo ano

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e a ex-senadora Marina Silva (PSB) estarão juntos nesta quinta-feira (28), em São Paulo, para lançar uma síntese do programa do partido. No entanto, os pontos do programa de governo que unem o PSB à Rede ainda são muito menores que as divergências existentes entre os dois grupos que, com a convivência partidária, se avolumam a cada semana.

A incompatibilidade, segundo socialistas, se faz ver principalmente nas negociações regionais. Em São Paulo, por exemplo, o time de Eduardo Campos pediu ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), para entrar em cena.

Alckmin, segundo relato de um socialista, chamou Marina para uma conversa que poderá ocorrer ainda nesta quinta-feira. O objetivo é convencê-la a recuar das pressões para que o PSB tenha candidato próprio em São Paulo.

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Alice Vergueiro / Futura Press
Marina e Campos durante primeiro encontro programático em São Paulo

Marina, que retornou nesta semana de sua viagem ao Peru, Equador e Colômbia, segundo um socialista, aceitou o convite. Até agora, ela tem demonstrado posição contrária à de Campos nesta questão. Para garantir um palanque forte para sua candidatura à Presidência da República em 2014, Campos quer o PSB paulista engajado na campanha para a reeleição de Alckmin. Já Marina, com a defesa de candidatura própria ao governo, tenta emplacar na disputa seu aliado na Rede, o deputado federal Walter Feldman (PSB).

Feldman diz que não há espaço na Rede para apoio ao governador de São Paulo. “A rede defende candidatura própria porque parte do princípio de que essa polarização existente entre PSDB e PT não é saudável para o Brasil. Nós nos juntamos ao projeto de Eduardo Campos exatamente por ele representar essa alternativa e isso levou Marina a fazer um gesto de desprendimento único na história. Não é nada contra o Geraldo Alckmin, mas seria uma incoerência. Se isso ocorrer com o PSB, a Rede não tem como apoiar”, considerou.

Incêndios

As divergências entre Marina e Campos acabaram ficando explícitas logo após a migração da ex-senadora e de seus seguidores da Rede para o PSB. Líderes do PSB na Câmara dizem ter sido obrigados a “apagar incêndios” que atribuem à ex-senadora e seu grupo político.

Os deputados Júlio Delgado (PSB-MG) e Beto Albuquerque (RS), líder do partido na Câmara, estão ainda empenhados nos desagravos ao líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), atacado por Marina. A ex-senadora classificou Caiado como inimigo histórico de indígenas e populações do campo e disse que após sua filiação ao PSB não havia lugar para o ruralista na campanha de Eduardo Campos.

Os apelos dos deputados socialistas, no entanto, não surtiram efeito para garantir o palanque de Eduardo Campos em Goiás. Depois de romper com o PSB, Caiado tem articulado dentro de seu partido e com setores importantes da indústria e do agronegócio para também lançar sua candidatura à Presidência da República.

Até empresários do agronegócio dispostos a contribuir para a campanha de Eduardo Campos chegaram a sondar Ronaldo Caiado sobre seu apoio ao projeto do PSB. No entanto, o deputado se mostrou irredutível.

“Acabou, não existe mais essa hipótese. Perguntei a eles (empresários) se, durante a conversa, Eduardo Campos estava sozinho. Eles disseram que sim. Aí não adianta nada porque Eduardo Campos longe de Marina é uma pessoa espetacular. Mas as decisões passam por ela e o preconceito dela não permite diálogo conosco”, enfatizou Caiado.

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