'Brasileiro tem mais felicidade que dinheiro no bolso’, diz Marcelo Neri

Por Luciana Lima e Marcel Frota - iG Brasília |

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Em entrevista ao iG, ministro de Assuntos Estratégicos diz que brasileiro tem alto nível de felicidade para sua renda e avisa que o momento na economia é de poupar

O brasileiro tem um alto nível de felicidade se considerada sua renda e é menos suscetível a eventuais variações de suas condições materiais. A avaliação é feita pelo ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri, com base na análise do chamado “Índice da Felicidade Bruta”. O chamado “FIB”, adotado como métrica pelas Organizações das Nações Unidas (ONU), passou a ser tema de estudos no Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea).

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Em entrevista ao iG, o ministro diz que não há “nenhum povo, entre 160 países, que é mais insensível às mudanças nas condições materiais de vida do que o brasileiro”. Diante disso, apesar de condições adversas no campo material, os estudos apontam que o brasileiro tem um alto índice de felicidade.

“Há uma área de pesquisa forte sobre isso no Ipea. O brasileiro tem um alto índice de felicidade para sua renda. Temos mais felicidade que dinheiro no bolso. Em um certo sentido, o brasileiro é feliz porque ele é feliz, não porque a vida dele em bens materiais melhorou”, disse.


Neri acumula no governo o comando da SAE e a presidência do Ipea. A pasta comandada por ele tem a função de pensar estratégias a médio e longo prazo para o país. Já o Ipea, órgão subordinado à Secretaria, faz, por meio dos estudos desenvolvidos, uma leitura do presente do país, comparando índices com o passado e verificando os efeitos das políticas adotadas pelo governo, ao longo do tempo.

Recentemente, Neri foi escalado pela presidente Dilma Rousseff para dar suporte técnico para as comemorações dos 10 anos do programa Bolsa Família. Em conjunto com a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, ele traçou um panorama detalhado dos efeitos do programa no país. O foco dos dois ministros foi o de combater mitos e desmantelar críticas ao programa de distribuição de renda. Diante da ação da oposição para reivindicar a paternidade do programa, Neri diz se tratar de “dores do sucesso do programa”.

Passadas as comemorações do Bolsa Família, o ministro agora se dedica a medir tecnicamente os efeitos de outra bandeira de Dilma Rousseff, o Minha Casa, Minha Vida, programa habitacional que também está prestes a completar uma década.

Crise

Neri também analisa o cenário econômico internacional e, diante do quadro de crise, afirma que as gestões do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff se viram obrigadas a adotar políticas de incentivo à demanda. Esse cenário, entretanto, não é mais o mesmo, na visão de Neri. Ele defende como estratégia agora o incentivo à poupança como forma de driblar as adversidades que podem surgir de um contexto de pleno emprego.

“Durante a crise somos todos keynesianos extremados. Quando se tem uma crise de demanda como foi a de 2009, foi preciso injetar demanda na economia. Agora, quando nos aproximamos do pleno emprego, nós temos que ter uma agenda mais de ‘desengargalar’ esses problemas, ainda mais no longo prazo”, diz Neri.

“Acho que temos que ter uma agenda de olhar mais para frente. O próprio Keynes dizia isso: quando muda o contexto, muda a solução”, afirma o ministro, referindo-se à teoria econômica defendida por John Maynard Keynes. “Em 2009, nós tínhamos um risco de desemprego generalizado como aconteceu em outros países”, explica.

Ele diz ver a necessidade de uma redistribuição de recursos do governo com foco em ministérios como Saúde, Educação, em programas de inovação científica, além de incremento de investimentos nos programas sociais, como o Bolsa Família - mesmo que isso signifique menos recursos para sua própria pasta. “O real adicional que eu faria seria para programas como o Bolsa família, na Educação e Saúde, menos para outras áreas, inclusive o meu ministério”, sugeriu.

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