Candidaturas de Skaf e Kassab beneficiam Padilha, diz presidente eleito do PT

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo |

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"Com certeza estaremos todos no mesmo palanque no segundo turno contra o PSDB", afirma Emidio de Souza

Eleito presidente estadual do PT de São Paulo no último domingo com o recorde de 91,7% dos votos, o ex-prefeito de Osasco Emidio de Souza, virtual coordenador da campanha de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo, disse que as candidaturas de Paulo Skaf (PMDB) e Gilberto Kassab (PSD) ao Palácio dos Bandeirantes favorecem a possibilidade de um segundo turno contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Segundo ele, PT, PMDB e PSD têm conversado constantemente para fechar um acordo de apoio mútuo contra o tucano caso a previsão se concretize.

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Divulgação/Facebook
Emídio de Souza, presidente estadual do PT

"Com certeza estaremos todos no mesmo palanque no segundo turno contra o PSDB", disse ele em entrevista ao iG na sede do diretório estadual do PT paulista.

Emidio evita a frase "o PT nunca teve tanta chance de ganhar o governo de São Paulo", repetida à exaustão por seus correligionários nas últimas três eleições e seguida de derrotas nas urnas. Mas apresenta dados concretos para justificar o otimismo em relação à candidatura de Padilha.

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Ele lembra que na única vez em que o PT foi para o segundo turno no Estado, em 2002, com José Genoino, havia uma terceira candidatura forte, de Paulo Maluf (PP), que evitou a polarização e tirou votos do tucano. Já Aloizio Mercadante, candidato nas últimas duas eleições, teve mais votos do que Genoino, mas não chegou ao segundo turno, de acordo com o presidente eleito do PT-SP, porque polarizou com José Serra e depois com Alckmin.

"O PT só tem crescido nas eleições em São Paulo. Genoino teve 32% em 2002, o Aloizio repetiu os 32% em 2006 e chegou a 36% em 2010 mas perdeu porque não tinha uma terceira via", disse Emidio.

Segundo ele, o desgaste do PSDB depois de quase 20 anos no governo do Estado é outro fator de otimismo.

"O Alckmin não tem mais nada o que apresentar a São Paulo. Qualquer coisa que ele prometer vamos lembrar que ele teve 20 anos para fazer. Por que não fez?", disse o petista. "São Paulo não pode se conformar com a mediocridade de um governo que construiu só 1,7 quilômetro de metrô por ano em média", completou.

Outro fator apontado por Emidio a favor de Padilha é a dissolução da ampla aliança que elegeu Alckmin em 2010. O PMDB e o PSD terão candidatos próprios. O PDT e o PP estão mais próximos do PT hoje do que há quatro anos e o PSB enfrenta resistência da Rede que prefere uma candidatura própria.

Apesar de tudo isso Alckmin é o franco favorito, segundo as pesquisas de opinião.

Uma das estratégias do PT para romper a rejeição ao partido no interior paulista será intensificar a propaganda sobre as realizações dos governos Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva nestas cidades.

Além disso, o PT espera passar uma imagem mais palatável ao eleitorado conservador do interior.

"São Paulo não tirou o PSDB do governo ainda porque tem que ter mais confiança e segurança no PT", afirmou.

Na gestão interna do PT paulista, Emidio pretende aumentar a interlocução com os movimentos sociais que historicamente apoiaram o partido e hoje estão afastados e criar canais para atrair a juventude que foi às ruas nas manifestações de junho. Uma das ideias é transformar os diretórios do PT existentes em quase todas as cidades paulistas em centros de cultura.

"A cultura é uma demanda muito forte da juventude", disse Emidio. "Também podemos abrir nossos cursos de formação política para jovens que não são filiados ao partido. A pessoa primeiro vê se gosta e depois decide se quer entrar", sugeriu.

De acordo com Emidio, o desafio do PT é retomar uma linguagem que dialogue com a juventude a exemplo do que aconteceu nos anos 80, quando o partido se transformou na válvula de escape dos jovens inconformados com o imobilismo na política.

"O método para fazer isso ainda precisa passar por uma discussão", admitiu o presidente eleito do PT paulista.

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