"Temos um candidato em condições de ganhar e o PT não nos apoia. Isso gera uma relação de constrangimento", diz o presidente do PCdoB, Renato Rabelo

O 13º Congresso do PCdoB, que começa nesta quinta-feira, vai reafirmar o apoio incondicional do partido à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). A manutenção da aliança, no entanto, não esconde o mal estar entre as duas siglas. O problema: a falta de reciprocidade por parte do PT.

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O único comunista em condições de vencer uma eleição para governador é Flavio Dino, no Maranhão. E o PT local insiste em apoiar um candidato indicado pelo clã Sarney.

Em entrevista ao iG, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, disse que o partido pode abrir o palanque para o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), caso o PT insista em ficar ao lado dos Sarney.

Renato Rabelo, presidente do PCdoB
Futura Press
Renato Rabelo, presidente do PCdoB

"Temos um candidato em condições de ganhar e o PT não nos apoia. Isso gera uma relação de constrangimento. Já o PSB quer nos apoiar no Maranhão. Vamos dizer que não queremos? Seria uma estupidez", disse Rabelo. "É uma realidade objetiva se isso (ceder o palanque a Campos no Maranhão) acontecer", completou.

Além da pressão nacional do PMDB pela aliança com os Sarney, o PT alega que a aproximação dos comunistas com o PSB de Campos, que já embarcou na campanha de Dino, afasta os petistas do PCdoB no Maranhão.

Em entrevista coletiva realizada na terça-feira, em São Paulo, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, citou a suposta dificuldade do PCdoB em se "desvencilhar" do PSB como um problema. Além da aliança no Maranhão, o PCdoB ocupa a vice-prefeitura de Recife, comandada pelo PSB.

Segundo Rabelo, este tipo de cobrança é inaceitável. "O PCdoB nunca impediu que ninguém apoiasse o PT. Não aceitamos este tipo de imposição", disse Rabelo.

Ele lembrou que o PSB é um aliado histórico do PCdoB e que os dois partidos formaram por mais de uma década um bloco no Congresso. "Nossa relação com Eduardo Campos é muito boa desde os tempos do avô dele (Miguel Arraes)", disse Rabelo.

Segundo Rui Falcão, a saída para o PT pode ser apoiar Dino para governador e Roseana Sarney (PMDB) para o Senado. "Dizem que a Roseana quer ir para o Senado. Esta pode ser uma solução salomônica", disse Falcão.

Antes, porém, o PT nacional terá que pacificar o partido no Maranhão. Os grupos favoráveis e contrários a Sarney travaram uma luta fratricida no Processo de Eleições Diretas realizado domingo que pode parar nos tribunais. O grupo sarneyzista se declarou vencedor, mas os adversários apontam manipulação de dados e pagamentos irregulares das contribuições partidárias em algumas cidades.

Apesar das desavenças no Maranhão, Rabelo descartou a possibilidade de o PCdoB não apoiar Dilma em 2014. "Queremos um quarto mandato", afirmou ele.

O objetivo do 13º Congresso, segundo Rabelo, é atualizar programaticamente o partido e encaminhar colaborações ao programa de governo da candidata. Entre eles as reformas política, tributária e urbana. Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmaram participação no evento.

Além disso, o PCdoB fará um balanço da situação política no Brasil e no mundo. O partido mais antigo do Brasil em atividade, com mais de 90 anos, tem por hábito se situar no contexto histórico.

"Foi antecipada a campanha eleitoral do ano que vem e não nos cabe dizer quem foi que começou. Tudo tem sido debatido sob o prisma eleitoral e nossos objetivos no Congresso são mais estruturais. Somos um partido programático. Sem um programa ficamos perdidos", disse Rabelo

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