Vereador Aurélio Miguel recebia de quadrilha, diz auditor em depoimento

Por Agência Estado |

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Os valores seriam repassados pelo auditor Ronilson Bezerra Rodrigues, apontado como líder do esquema de fraude na Prefeitura de São Paulo; vereador nega

Agência Estado

O promotor Roberto Bodini disse nesta quarta-feira, 13, que o auditor fiscal Eduardo Horle Barcellos afirmou ao Ministério Público (MP) que o vereador Aurélio Miguel (PR) também recebia dinheiro do esquema de propina na Secretaria de Finanças da Prefeitura de São Paulo. Os valores seriam repassados pelo auditor Ronilson Bezerra Rodrigues. "Barcellos não disse qual era o valor repassado nem em que período houve os pagamentos", disse Bodini.

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Fiscal suspeito de fraude diz que pagava R$ 20 mil por mês a Donato

Ele, no entanto, afirmou que não pretende convocar Miguel para prestar esclarecimentos sobre essa denúncia. "Meu foco no momento é a fraude no ISS (Imposto Sobre Serviços). Isso não quer dizer que um outro procedimento não possa ser aberto no Ministério Público para investigar essas acusações."

Barcellos disse também ao MP nesta terça-feira, 12, que entregou R$ 20 mil por mês ao vereador Antônio Donato, que deixou o cargo de secretário do Governo Municipal da Prefeitura, entre dezembro de 2011 e setembro de 2012. Bodini disse ainda que Rodrigues não deverá aceitar acordo de delação premiada para colaborar com as investigações.

Aurélio Miguel nega qualquer envolvimento com o ex-subsecretário da Receita Municipal Ronilson Bezerra Rodrigues, apontado como líder do esquema. "Nunca recebi nada do Ronilson nem para campanha nem para outra finalidade. Até mesmo fui eu quem iniciei as investigações sobre irregularidades na arrecadação de IPTU, na CPI da Câmara Municipal", disse Aurélio Miguel.

Segundo o parlamentar, a relação com Rodrigues era a de "um vereador, membro da Comissão de Finanças, com a de um subsecretário da Receita". "Ele (Rodrigues) não saía da Câmara. Tanto que eu e outros vereadores o consultávamos para a construção de projetos de lei", disse.

Em fevereiro, o vereador se tornou alvo de uma ação civil pública do MPE sob a suspeita de receber R$ 640 mil em propina da Brookfield para ajudar a liberar obras irregulares no Shopping Pátio Paulista, na Bela Vista, na região central. A promotoria pediu o afastamento do parlamentar do cargo, bloqueio de seus bens e quebra dos sigilos bancário e fiscal, além do pagamento de R$ 34,8 milhões em ressarcimento aos cofres públicos.

Aurélio Miguel é o quarto vereador citado nas investigações. Também foram Antonio Donato (PT), hoje secretário municipal de Governo e ex-membro da Comissão de Finanças da Câmara, Paulo Fiorilo (PT) e Nelo Rodolfo (PMDB).

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