Haddad manterá secretário e convocará construtoras para esclarecer fraude

Por Natália Peixoto - iG São Paulo |

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Prefeito de São Paulo diz que postura de Antonio Donato vai na 'contramão' das denúncias. Controladoria investiga mais 16 servidores suspeitos de outras fraudes

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, descartou afastar o secretário de Governo Antonio Donato após o vazamento de gravações que indicam que ele estaria envolvido no suposto esquema de corrupção que pode ter desviado R$ 500 milhões da Prefeitura. "Esse povo sabe que está sendo investigado desde março. Todo o comportamento dele (Donato) vem na contramão do que diz (a gravação)", afirma Haddad.

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O prefeito disse que não há informações de que o Ministério Público (MP) irá investigar Donato, e que é preciso cautela com as denúncias que surgem, porque "pode ter muita mentira nessa história".

Haddad ressalta que o secretário informou à Controladoria Geral do Município (CGM) que foi procurado pela quadrilha depois de que os envolvidos perceberam que estavam sendo investigados

O prefeito também anunciou que irá convocar construtoras para representarem a documentação do imposto sobre serviços (ISS) dos últimos cinco anos, dando uma "oportunidade" para elas colaborarem com as investigações. A Prefeitura pretende recuperar a memória de cálculo do imposto para recuperar o dinheiro não arrecadado. "O imposto devido não se anula pela chantagem", disse Haddad.

O prefeito também afirmou que a CGM investiga paralelamente outros 16 casos de servidores que estariam envolvidos em outras fraudes dentro de órgãos da Prefeitura.

Escutas

Vereador licenciado, Donato foi citado em escutas telefônicas reveladas na noite de domingo (3) pelo programa "Fantástico", da TV Globo, em que um dos envolvidos, o fiscal Luís Alexandre Cardoso de Magalhães, conversa com uma mulher apontada como amante dele pelo Ministério Público. Na gravação, a mulher afirma que Donato teria recebido do fiscal R$ 200 mil "para sua campanha eleitoral". Donato nega ter recebido dinheiro.

Em outra escuta revelada pelo jornal "O Estado de S.Paulo", do dia 16 de julho, o auditor fiscal Ronilson Bezerra Rodrigues marca um encontro com Donato durante o período em que era investigado. O secretário disse ter sido procurado por Ronilson no dia em que o auditor depôs na CGM, órgão que apura as denúncias contra servidores, e que revelou o esquema.

Em entrevista ao programa no domingo, Donato declarou que não conhece Magalhães e que não recebeu nenhum dinheiro. "Não recebi nenhum telefonema dessa pessoa, não a conheço, não recebi nenhum recurso desses servidores. Essa investigação só existe porque o nosso governo tomou uma decisão forte de criar uma controladoria autônoma pra combater a corrupção em São Paulo."

Haddad diz ver uma inconsistência na história da mulher, que narra o pagamento irregular que teria acontecido em 2008, mas que atesta só ter conhecido o secretário em 2011.

As investigações lideradas pela CGM revelaram um esquema liderado por quatro agentes públicos ligados à subsecretaria da Receita da Prefeitura de São Paulo, na gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD). Os suspeitos
foram presos na última quarta-feira (30), acusados de integrar um esquema de corrupção que teria causado prejuízos de pelo menos R$ 200 milhões aos cofres públicos, somente nos últimos três anos. Valor que pode chegar a R$ 500 milhões se considerado todo o tempo em que os operadores do grupo atuaram no esquema desvendado.

Na Operação Necator foram presos o ex-subsecretário da Receita Municipal, Ronilson Bezerra Rodrigues (exonerado do cargo em 19/12/2012); o ex-diretor do Departamento de Arrecadação e Cobrança, Eduardo Horle Barcelos (exonerado do cargo em 21/01/2013); o ex-diretor da Divisão de Cadastro de Imóveis, Carlos Augusto Di Lallo Leite do Amaral (exonerado do cargo em 05/02/2013), e o agente de fiscalização Luis Alexandre Cardoso Magalhães. Todos são investigados pelos crimes de corrupção, concussão, lavagem e dinheiro, advocacia administrativa e formação de quadrilha.

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