Operação prende auditores suspeitos de desvio milionário na Prefeitura de SP

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Segundo o Ministério Público Estadual, esquema em causou prejuízos de pelo menos R$ 200 milhões

Quatro agentes públicos ligados à subsecretaria da Receita da Prefeitura de São Paulo, na gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), foram presos na manhã desta quarta-feira (30) acusados de integrar um esquema de corrupção que teria causado prejuízos de pelo menos R$ 200 milhões aos cofres públicos, somente nos últimos três anos. Valor que pode chegar a R$ 500 milhões se considerado todo o tempo em que os operadores do grupo atuaram no esquema desvendado.

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Na Operação Necator foram presos o ex-subsecretário da Receita Municipal, Rolilson Bezerra Rodrigues (exonerado do cargo em 19/12/2012); o ex-diretor do Departamento de Arrecadação e Cobrança, Eduardo Horle Barcelos (exonerado do cargo em 21/01/2013); o ex-diretor da Divisão de Cadastro de Imóveis, Carlos Augusto Di Lallo Leite do Amaral (exonerado do cargo em 05/02/2013), e o agente de fiscalização Luis Alexandre Cardoso Magalhães. Todos são investigados pelos crimes de corrupção, concussão, lavagem e dinheiro, advocacia administrativa e formação de quadrilha.

MP-SP
Pousada em Visconde de Mauá, de propriedade de um dos agentes fiscais presos

Nas investigações, iniciadas há cerca de seis meses, apurou-se que os quatro auditores montaram um esquema de corrupção envolvendo os valores do ISS cobrado de empreendedores imobiliários. Ele ainda apresentavam indícios de evolução patrimonial incompatível com suas remunerações.  

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime de Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos (GEDEC), apurou que os eles construíram patrimônio superior a R$ 20 milhões com o dinheiro desviado dos cofres públicos. Dentre os bens adquiridos estão apartamentos de luxo, flats, prédios e lajes comerciais, em São Paulo e Santos, barcos e automóveis de luxo, uma pousada em Visconde de Mauá (RJ) e um apartamento duplex em Juiz de Fora (MG).

A operação ocorreu na cidade de São Paulo, em Santos e também em Cataguases, Minas Gerais, e mobilizou mais de 40 pessoas, entre promotores de Justiça, agentes da Controladoria Geral do Município, e das Polícias Civis de São Paulo e de Minas Gerais. Além das prisões, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas residências dos servidores e de terceiros, assim como nas sedes das empresas ligadas ao esquema.

Na operação desta quarta-feira foram apreendidos com os quatro investigados motos e carros importados, grande quantidade de dinheiro (reais, dólares e euros), documentos, computadores e pen-drives.

Também foi determinado pela Justiça o sequestro dos bens dos envolvidos e das empresas por eles operadas. Nas investigações, iniciadas há cerca de seis meses e que contaram com o apoio da Secretaria Municipal de Finanças e Desenvolvimento Econômico e dos componentes da Agência de Atuação Integrada de Combate ao Crime Organizado (Secretaria de Segurança Pública, Polícia Civil e Polícia Federal), apurou-se que os quatro auditores montaram um esquema de corrupção envolvendo os valores do ISS cobrado de empreendedores imobiliários.

ISS

MP/SP
Prédio em Juiz de Fora, onde um dos agentes fiscais tem um apartamento duplex

O recolhimento do ISS – calculado sobre o custo total da obra – é condição para que o empreendedor obtenha o “habite-se”. Segundo a investigação, os auditores fiscais sempre emitiam as guias com valores ínfimos e exigiam dos empreendedores o depósito de altas quantias em suas contas bancárias. Sem isso, os certificados de quitação do ISS não eram emitidos e o empreendimento não era liberado para ocupação.

Por meio de análise estatística efetuada pelo seu setor de inteligência e de produção de informações estratégicas, a Controladoria do Município constatou que nas obras sob a responsabilidade desses auditores fiscais a arrecadação do ISS era substancialmente menor ao percentual arrecadado pela média dos outros servidores que atuavam na mesma área.

Segundo o MP, em uma das ações, uma grande empresa empreendedora recolheu, a título de ISS, uma guia no valor de R$ 17,9 mil e, no dia seguinte, depositou R$ 630 mil na conta da empresa de titularidade de um dos auditores fiscais. O valor da propina corresponde a 35 vezes o montante que entrou nos cofres públicos.

As investigações também descobriram que empresas incorporadoras depositaram, em um período inferior a 6 meses, mais de R$ 2 milhões na conta bancária da referida empresa de titularidade de um dos investigados. O esquema tinha como foco prédios residenciais e comerciais de alto padrão, com custo de construção superior a R$ 50 milhões.

O Ministério Público ainda investiga se as empresas foram vítimas de concussão, porque não teriam outra opção para obter o certificado de quitação do ISS, ou se praticaram crime de corrupção ativa, recolhendo aos cofres públicos valor aquém do devido.

Grande parte do dinheiro obtido ilicitamente era depositada na conta bancária de uma empresa de administração de bens em nome do ex-diretor da Divisão de Cadastro de Imóveis e da esposa dele. Depósitos em cheque também foram identificados. Um dos membros do grupo, o ex-subsecretário da Receita Municipal, mantinha um escritório no Largo da Misericórdia, a 300 metros da sede da prefeitura, montado para atender aos interesses do grupo criminoso em detrimento do Patrimônio Público Municipal.

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