Lula vê 'hipócritas' entre críticos do programa Bolsa Família

Por iG São Paulo |

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Em evento dos 10 anos do programa, ex-presidente atribui parte das críticas a motivação política; Dilma, em sua fala, diz que só entende o Bolsa Família quem o conhece

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 30, que os críticos do programa Bolsa Família trataram erros de cadastro como se fossem casos de corrupção. "Um erro de cadastro é tratado por alguns hipócritas como se fosse fraude, como se fosse corrupção, sem o menor respeito", afirmou ele, em ato de comemoração dos dez anos do programa ao lado da presidente Dilma Rousseff.

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Lula listou uma série de declarações e de críticas, às quais ele atribui motivação política. Entre elas, a de que o programa é uma "tragédia social", "uma bolsa ilusão", uma bolsa cabresto". "E vai por aí os adjetivos que não faltam", cutucou. Segundo ele, a resposta para as críticas de que o programa investia anos atrás R$ 9 bilhões, é que ele está usando atualmente R$ 24 bilhões.

Roberto Suckert Filho/PR
Dilma e Lula participam de cerimônia dos dez anos do Bolsa Família ao lado de beneficiárias

O ex-presidente afirmou que, caso "tivesse de voltar no tempo", "com a experiência de hoje", começaria seu governo novamente pelo programa de transferência de renda. "O Bolsa Família, associado a políticas de valorização do salário e o acesso ao crédito, provou que era possível acabar com a fome", disse Lula. "Essa tarefa era absolutamente necessária para construir o País que estamos construindo".

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"O pobre está mais livre para exercer sua cidadania, não precisa mais trocar o seu voto por feijão, por jabá, por comida", disse Lula ao exaltar o sucesso do programa. Ele lembrou ainda que seu grupo político foi eleito para mostrar que "outro Brasil é possível". E mandou um recado à sua sucessora e afilhada política Dilma Rousseff: "Os outros (não pobres) não irão lembrar o que você fez."

Em sua fala, a presidente Dilma afirmou que o Bolsa Família foi criado para ser não apenas a porta de saída da miséria, mas também a porta de entrada em um mundo com futuro e esperança. Segundo ela, o programa funciona tão bem porque tem continuidade. Ela destacou que, sem tratá-lo de forma cuidadosa, não seria possível chegar aonde se chegou com o programa. "Mesmo tendo nascido ótimo, esta continuidade permitiu que ele fosse melhorado pelo empenho e criatividade de todos", destacou.

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Dilma também rebateu as críticas e disse que só não entende o programa quem não o conhece. "Ou quem, de forma muito obstinada, se recusa a entendê-lo", complementou, citando alguns números do programa, como o total de beneficiários: cerca de um quarto da população brasileira.

A presidente disse ainda considerar um "absurdo" determinar para o beneficiário do programa onde ele deveria gastar o dinheiro do Bolsa Família. "É justamente por isso que ele (o programa) não é esmola, ele é uma transferência de renda (...) para aquela parte da população que o Estado brasileiro (...) tem uma dívida", destacou.

Dilma, durante seu discurso, fez diversos elogios a Lula. Segundo ela, que integrou grupos de resistência à ditadura militar, sua geração acreditava que as transformações "só eram possíveis com as armas". "Com o senhor (Lula) aprendemos que a verdadeira transformação é feita unindo as nossas mãos às mãos dos nossos irmãos", disse. "Descobrimos que a energia pacífica é a grande força motriz da história", concluiu.

Com Agência Estado

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