Lula elogia Sarney e diz que imprensa avacalha a política

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ao receber homenagem no Senado, ex-presidente ressalta o papel do peemedebista na Constituinte e alerta que a negação da política pode levar a regimes autoritários

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou nesta terça-feira (29) o senador José Sarney (PMDB-AP) e reconheceu a importância do papel do peemedebista na convocação da Assembleia Nacional Constituinte. O elogio foi feito pelo ex-presidente ao receber a medalha Ulysses Guimarães durante a solenidade em comemoração aos 25 anos da Constituição de 1988, no Senado.

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“Quero colocar sua presença na Presidência (da República), no momento da Constituição, em igualdade de forças com o companheiro Ulysses (Guimarães, presidente da Assembleia Constituinte), porque, em nenhum momento, mesmo quando o senhor era afrontado no Congresso, o senhor não levantou um único dedo para colocar qualquer dificuldade aos trabalhos da Constituinte, e certamente foi o trabalho mais extraordinário que o Congresso já viveu”, disse Lula.

Agência Brasil
Lula elogia papel de Sarney na Assembleia Constituinte

Lula destacou que a negação da política pode levar o país a regimes autoritários. “Na história desse país, se a juventude lesse a biografia de Getúlio Vargas, de Juscelino Kubitscheck e outras biografias, provavelmente não iriam desprezar a política, e muito menos a imprensa ia avacalhar a política como avacalha hoje. Não há nenhum momento da história, em nenhum lugar do mundo, que a negação da política tenha trazido algo melhor do que a política. O que aparece sempre quando se nega a política é um grupo praticando, na verdade, a ditadura”, afirmou.

O ex-presidente e hoje senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) também seria homenageado, mas não compareceu. FHC, que seria agraciado com a medalha, cancelou sua ida ao evento. Segundo Renan, FHC teve uma diverticulite.

Também receberam a homenagem os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Alvaro Dias (PSDB-PR), José Agripino (DEM-RN), Francisco Dornelles (PP-RJ), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Luiz Henrique (PMDB-SC) e Paulo Paim (PT-RS), o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o ministro de Minas e Energia Edson Lobão e o ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, que colaboraram na elaboração da nova Constituição.

Reforma política

Ao defender a aprovação de uma reforma política, Lula disse que é preciso "aprofundar os projetos de iniciativa popular", classificada por ele como salutar para a democracia. "A reforma política é a mais importante de todas as reformas", destacou o petista, dizendo que não há o que temer no debate.

Lula defendeu o financiamento público de campanha, citou o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) como entidade para debater os rumos do País e disse que o Congresso não pode fechar os ouvidos "às verdadeiras vozes da sociedade". "Quando este Parlamento se calou, a sociedade teve a liberdade cassada", alertou. Para o petista, a Câmara tem condições de responder aos desafios de hoje, mas ele insistiu que a reforma política é o mais importante de todos os desafios demandados pela sociedade.

Em seu discurso de mais de 30 minutos, Lula disse que o País teve uma "lição de civilidade democrática" em junho. "O povo foi para a rua exigir um pouco mais de Estado e para dizer que precisa de mais coisas", interpretou. De acordo com ele, o "povo aprendeu a comer filé e não quer mais comer acém".

Com Agência Brasil e Agência Estado

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