Padre Júlio Lancelotti critica o que chamou de 'Big Brother do Haddad': 'O povo está sendo varrido e sem nenhuma alternativa. Espantam de um lado a outro'

Brasil Econômico

O padre Júlio Lancelotti, coordenador da Pastoral de Rua de São Paulo e liderança influente de movimentos sociais ligados à Igreja Católica -, criticou ontem a “política higienista” do prefeito petista de São Paulo, Fernando Haddad. Segundo Lancelotti, Haddad tem removido moradores de rua de um ponto a outro da cidade, sem saber o que fazer. Na visão da Pastoral de Rua, o prefeito estaria repetindo atitudes de administrações anteriores consideradas conservadoras, como as de Paulo Maluf (PP) e Gilberto Kassab (PSD). “O povo está sendo varrido e sem nenhuma alternativa. Apenas estão espalhando. Espantam de um lado a outro. Tiraram as pessoas da praça da Sé e colocaram no Parque Dom Pedro (região central de São Paulo)”, reclamou o religioso.

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O objetivo das remoções, como observa Lancelotti, seria combater o tráfico de drogas. “Mas quem alimenta o tráfico não está na Sé”, diz o padre. “Falta uma política pública articulada e consequente. Isso (remoções) não resolve nada”. Ele criticou o que chamou de “Big Brother do Haddad”, os ônibus com câmeras do programa “Crack, é possível vencer”, do governo federal, que ajudam a polícia a monitorar as chamadas “cracolândias”, pontos de consumo de drogas na região central. “Tem ônibus com nove câmeras de alta definição, que vão interligar a outras 19 e cobrir grandes áreas. Custaram R$ 2 milhões. Mas muitos que usam crack no Centro vão para outros pontos, como o bairro do Glicério”. A assessoria da Prefeitura afirmou que o objetivo do programa de atendimento a moradores de rua é dar “melhores condições de vida para essa população”.

Prefeitura diz que dará bolsa aluguel

A Prefeitura de São Paulo informou que dará uma bolsa aluguel aos moradores de rua removidos e irá cadastrá-los e encaminhá-los ao programa “Minha Casa, Minha Vida”. Essas famílias terão prioridade, de acordo com a assessoria do prefeito.

Comissão da Verdade ouve religiosos

Ex-exilado e ex-integrante da diretoria do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), o metodista Anivaldo Padilha - pai do ministro da Saúde e candidato do PT ao governo paulista, Alexandre Padilha -, participou ontem de audiência da Comissão da Verdade de São Paulo sobre a censura a órgãos de comunicação religiosos. Líder da juventude metodista e de movimentos ecumênicos, Anivaldo foi preso e torturado na época do regime militar. A comissão colheu o depoimento do bispo dom Angélico Bernardino sobre perseguição ao jornal O São Paulo, órgão oficial da Arquidiocese de São Paulo, do qual ele era diretor.

Lima negociou com Caiado

O deputado Newton Lima (PT-SP) passou a tarde de ontem negociando com Ronaldo Caiado (DEM-GO) a emenda que garante o rito sumário para julgamento de ações de pessoas que se sintam atingidos em sua honra por biógrafos. Vários constitucionalistas foram ouvidos. No final do dia, os deputados chegaram a um acordo e o processo seguiu para a pauta de votações.

Eduardo e Marina se encontrarão em SP para fechar programa

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e Marina Silva (Rede) vão se reunir na segunda-feira o dia inteiro, em São Paulo, para discutir o “acordo programático” que une os dois grupos políticos. O deputado Walter Feldman (SP) diz que nenhuma decisão sobre candidaturas será tomada, inclusive nos Estados, antes de ser fechado o programa..

Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), autor de proposta de emenda no Senado que proíbe divulgação de pesquisas 15 dias antes da eleição: "A intenção dessa emenda é evitar a interferência indevida no resultado eleitoral por pesquisas”

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