Por trás do poder, está a capacidade de influenciar processos e rumos do país

Por Wilson Lima - iG Brasília |

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Para especialistas, esta é a explicação para a diversidade do ranking ‘60 mais poderosos do país’, produzido pelo iG

Independentemente do cargo que ocupa e mesmo da visibilidade que é capaz de assegurar na mídia, o que define de fato o poder de um líder é sua capacidade de influenciar processos e interferir nos rumos do país. Essa prerrogativa pode estar nas mãos de um político, um empresário ou mesmo de uma personalidade com trânsito e influência nos canais certos. É assim que especialistas explicam a diversidade de perfis que preencheram o ranking “Os 60 mais poderosos do país”, publicado pelo iG no decorrer dos últimos três meses.

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Veja a lista dos 60 mais poderosos do País

Entenda o ranking Os 60 mais poderosos do País

“Ocupar um cargo público que assegure o controle de um orçamento importante, por exemplo, faz uma diferença imensa para determinar quem tem e quem não tem poder. Mas vale também para um empresário importante, um presidente de banco. O que conta é a capacidade de um determinado líder de influenciar processos e decisões”, avalia o cientista político Carlos Melo, do Insper.

Reprodução
Dilma é a mais poderosa no ranking do iG

Em tese, quanto maior é essa capacidade de influenciar os rumos de uma nação, maior o poder que se tem nas mãos. “Poder é a capacidade de manipular orçamentos, aparecer na mídia, capacidade de definir investimentos, políticas públicas. De como promover nomeações, enfim. Isso tudo acaba gerando poder”, afirmou o cientista político, Rubens Figueiredo, diretor do CEPAC (Centro de Pesquisas e Análises de Comunicação).

Hoje, segundo especialistas, é difícil estabelecer critérios que definem uma hierarquia, dada a interligação entre várias áreas onde esse poder se encontra: econômica, política, acadêmica ou cultural. Na prática, se sobressai hoje a personalidade que consegue ter a maior capacidade de influência não em uma, mas em várias dessas áreas.

“Para se estabelecer o mais poderoso, é necessário analisar diversos ângulos e sua capacidade de influência: influência empresarial, política ou institucional. Não é simples se estabelecer o poder de alguém a partir de um parâmetro único”, disse o doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UNB) e professor de História da América da instituição, Carlos Eduardo Vidigal.

Mas o poder é algo efêmero conforme alerta o doutor em Ciência Política pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e professor do Departamento de Gestão Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo, Marco Antônio Carvalho Teixeira. Para ele, nem sempre um poderoso hoje pode ser considerado um homem influente amanhã. “A posição de mais poderoso é circunstancial. Acredito que se esse ranking fosse realizado há um ano, acredito que o Eike Batista estaria no topo”, disse Teixeira. No ranking do iG, Batista foi o último da lista.

Pela sua capacidade de articulação e pelo seu comando decisório, os especialistas concordaram que a presidente Dilma Rousseff merecidamente encabeçou a lista dos mais poderosos. Isso porque, além de ter a “caneta” que define o rumo do país, como afirma Carlos Melo, Dilma também conseguiu se tornar uma das líderes mais influentes na cena internacional.

“Na história dos presidentes, sem dúvida a presidenta Dilma está em uma posição diferenciada de outros. No período Sarney, o Brasil era motivo de piada internacional e Juscelino Kubitschek teve mais importância local do que internacional”, afirmou Teixeira. “Em um sistema presidencialista, o mandatário é o chefe de governo e o chefe de Estado. Esse mundo globalizado, obriga que o mandatário de uma nação seja ativo internacionalmente. Por isso, ele ganha uma importância ainda maior”, analisa o cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Aldo Fornazieri.

“Não somente (a presidente) é a mais poderosa do país, como ela é uma das mais poderosas do mundo. O Brasil é uma das economias mais fortes do mundo e o mandatário nacional hoje tem uma concentração de poder extraordinária. E, soma-se a isso, a fiscalização quase nula do Congresso (a atos do executivo)”, opina Figueiredo.

Creditar a importância de Dilma não significa desconsiderar a influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo especialistas, apresenta capacidade de influência tanto na esfera política como econômica. Lula ficou na segunda colocação do ranking.

Analistas pontuam que Lula será decisivo para a definição dos rumos políticos do país em 2014 e que a diferença entre os dois é que Lula não detém de maneira formal a capacidade decisória de um presidente da República. Ainda assim, especialistas ressaltam que ele projetou a atual presidente e terá papel decisivo em sua campanha de reeleição.

“Do ponto de vista institucional, sem dúvida a Dilma é a mais poderosa. Mas, politicamente, eu colocaria o Lula acima dela. Principalmente dependendo dos resultados da próxima eleição. Afinal, muito do que ela é hoje depende da construção feita pelo ex-presidente”, disse Carlos Eduardo Vidigal. “Ele tem um grande poder de articulação. A sucessão (de 2014) passa por ele”, opina Fornazieri.

“A própria presidente tem a sua importância hoje pelo cargo que ocupa. Mas não acredito que ela terá uma influência política como tem hoje. Quando ela deixar o cargo, é possível que esse seja considerado um legado passado. O Lula hoje tem uma influência política considerável, mas não tem poder decisório de fato”, pontuou Teixeira.

Durante quase três meses, a série especial "Os 60 mais poderosos do País" relacionou diariamente em ordem decrescente os personagens mais influentes do Brasil na política e na economia. O ranking foi elaborado pelo iG a partir de quatro indicadores: Econômico, Político, Midiático e Social. Esses índices radiografam quem são, o que fazem e como fazem os principais nomes da política e da economia brasileira.

O ranking final tem a presença de políticos, autoridades de governo e do Judiciário, empresários e economistas. Entre os primeiros colocados, além de Lula e Dilma, figuram o presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho; o governador de Pernambuco, Eduardo Campos; e o senador e presidente do PSDB, Aécio Neves. 


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