Minirreforma eleitoral é adiada na Câmara e PMDB ameaça obstruir

Por iG São Paulo |

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O líder da sigla, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusa PT de não cumprir acordo e promete atrapalhar votação de renegociação de dívidas dos Estados

A votação da Minirreforma eleitoral, prevista para a noite desta terça-feira (15) na Câmara dos Deputados, foi adiada para amanhã. A sessão de hoje do Plenário da Câmara, que mais uma vez não conseguiu aprovar a matéria, teve de ser encerrada para que seja realizada a sessão do Congresso que vai analisar vetos presidenciais.

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A chamada minirreforma eleitoral provocou um nova racha entre o PT e o PMDB. Ao final da sessão, o líder peemedebista Eduardo Cunha (RJ) deixou o plenário da Câmara acusando os petistas de descumprirem acordos e prometeu obstruir a votação do projeto que renegocia as dívidas de Estados e municípios enquanto a minirreforma eleitoral não for votada. "Não votamos nada, vamos obstruir tudo", disparou Cunha. "O PT não tem palavra, só isso". 

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Semana passada: PMDB ameaça obstruir Mais Médicos por minirreforma

Gustavo Lima / Câmara dos Deputados
O líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ)


“O intuito (do PT) de obstruir foi alcançado, não se vota hoje; mas, se não votar amanhã, o PMDB se sentirá no direito de também obstruir outras matérias, como o projeto da dívida, do qual eu sou relator”, disse Cunha. 

O líder do PT, deputado José Guimarães (CE), negou o descumprimento do acordo. Segundo ele, o partido não obstruiu a proposta, apenas votou a favor do adiamento da discussão por não concordar no mérito. “Não estamos derrubando a sessão, mas temos o direito de votar 'sim' pelo adiamento e, da mesma forma, vamos votar 'não' no mérito da proposta. Não foi feito acordo de mérito”, afirmou. O líder da minoria, deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), também criticou a posição do PT. “Estão com medo de discutir uma proposta que reduz custo das eleições”, disse.

A chamada minirreforma eleitoral, defendida pelo PMDB, é duramente criticada pelos petistas, que dizem que o projeto só promove mudanças pontuais e advogam pela votação de uma reforma política mais ampla. Nas últimas semanas, o PT vinha obstruindo sucessivamente as votações da minirreforma, até que Cunha ameaçou obstruir a votação da Medida Provisória do programa Mais Médicos caso o bloqueio petista não fosse levantado - os dois partidos selaram o acordo e o Mais Médicos foi aprovado na Câmara.

Com mais uma tentativa de votação da minirreforma naufragada, Cunha ameaça agora bloquear todas as votações enquanto o projeto que trata dos procedimentos eleitorais não for votado. Isso inclui o projeto de lei complementar que muda o indexador das dívidas de Estados e municípios, que é relatado pelo próprio Cunha e que tem o potencial de dar um alívio bilionário para as finanças da cidade de São Paulo.

Diante das acusações de Cunha de que os petistas estariam descumprindo o acordado entre as duas siglas, o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), reagiu. Ele negou que seu partido tenha feito obstrução e alegou que o combinado não envolvia concordância no mérito da matéria.

Tempo

Liderados pelo PMDB, os deputados favoráveis à minirreforma tentaram votá-la de forma acelerada nesta terça, uma vez que há uma sessão conjunta do Congresso Nacional marcada para esta noite com o objetivo de analisar vetos presidenciais. Já sem condições de aprovar a minirreforma eleitoral, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), deixou o plenário e disse que a discussão da matéria será retomada nesta quarta-feira, 16 - antes da votação do projeto de lei complementar que trata da renegociação de dívidas de estados e municípios.

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