Áreas nobres têm menos interesse que periferia em disputar conselhos de Haddad

Por Natália Peixoto - iG São Paulo |

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Itaim Paulista e Cidade Tiradentes lideram procura pelo Conselho Participativo com 3,8 candidatos por vaga, ao contrário de Lapa, Pinheiros e Vila Mariana

Gabriela Bilo/Futura Press
Fernando Haddad durante o lançamento do Conselho Participativo Municipal, em agosto

Com eleições marcadas para o dia 8 de dezembro, o Conselho Participativo do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, recebeu 2.857 inscrições para concorrer a 1.125 vagas espalhadas pela capital paulista. Criados com o objetivo de ampliar a participação do cidadão nas decisões da cidade, os 32 conselhos terão número de vagas proporcional aos habitantes de cada distrito. A maior procura de candidatos para a disputa se concentra em bairros mais afastados do centro, como Itaim Paulista e Cidade Tiradentes, com concorrência de 3,8 inscritos por vaga. Em seguida estão Casa Verde e Perus, na Zona Norte, com 3,3, e São Miguel Paulista, também na zona Leste, com 3 candidatos por vaga.

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Entre os bairros com menor procura estão as subprefeituras mais nobres e centrais, como Lapa, na zona Oeste, (1,5), Sé, no Centro, (1,7), Pinheiros, zona Oeste, (1,7) e Vila Mariana, na zona Sul, (1,8). Guaianases, no extremo Leste da capital, também teve baixa procura pelo conselho: apenas 40 pessoas se inscreveram para ocupar as 26 vagas. 

Autor: Vereador ameaça ir à Justiça para garantir poder a Conselho Participativo de SP

Criação: Haddad lança conselho para ampliar 'democracia direta' e marca eleições em SP

Entre as razões para explicar a maior adesão em bairros afastados do Centro, estão o maior uso dos serviços públicos pela população dessas regiões, além da carência por canais de diálogo com o poder público. Para Marcos Tarcísio Florindo, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), a disputa mais acirrada na periferia é um indicador de que a implementação do Conselho está funcionando. "Se a periferia valoriza mais o Conselho é porque ela percebe que ali existe um canal aberto de negociação com o Estado, que é algo sempre rarefeito às populações periféricas", analisa.

Florindo entende que nas regiões mais nobres e mais centrais da cidade já existem outros canais de participação e grupos organizados independentes que encontram espaço de diálogo com o Estado. Ele também avalia como "algo positivo" a maior procura por participação nos extremos da capital. "É lá que é mais importante que esses conselhos funcionem, porque é lá onde a cidadania, e sobretudo a cidadania política, é mais escassa."

Conselheiros

Criado em agosto por Haddad, o Conselho Participativo Municipal é um organismo autônomo composto por membros da sociedade civil eleitos diretamente pelos moradores de cada distrito da capital. Com um conselheiro para cada 10 mil habitantes, ele servirá como órgão representante da sociedade nas subprefeituras, onde os conselheiros atuarão como consultores.

A lista final dos candidatos habilitados será divulgada no dia 28 de outubro. Para ser um conselheiro, é preciso ter mais de 18 anos e ter conquistado 100 fichas de apoio à subprefeitura do seu distrito. O mandato é de dois anos, com apenas uma reeleição possível. Para votar na eleição, que não será obrigatória, é preciso ter título de eleitor, e pode escolher até cinco candidatos.

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