Não queremos atrapalhar ações da PF, diz representante de agentes sobre cartilha

Por Wilson Lima , iG Brasília |

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Diretor parlamentar da entidade, Alexandre Santana Sally afirma que recomendações a agentes sobre como se comportar nas investigações seguem rito legal

O diretor parlamentar da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Alexandre Santana Sally, afirma que as orientações internas feitas a agentes sobre como se comportar em investigações não visam à paralisação ou boicote das ações da PF. Ontem, o iG revelou o teor de um comunicado repassado entre agentes, que dá dicas sobre como dificultar e atrasar procedimentos investigatórios.

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Cartilha de agentes da Polícia Federal recomenda boicote a investigações

AE
Policiais federais em greve no ano passado em frente ao prédio da Superintendência Regional da Polícia Federal, na Lapa, zona oeste de São Paulo

Sally admitiu que a cartilha de fato circulou dentro da corporação, mas afirma a orientação oficial é para que adotem a postura pregada na “Cartilha da legalidade”, documento formal da Fenapef. Esse outro documento prega a não realização de escutas telefônicas por um período superior a 15 dias sem determinação judicial; a não condução de veículos da PF com licenciamento atrasado e pede a disponibilização e meios de “comunicação adequados para todo e qualquer serviço externo”.

Alguns desses itens também constam do comunicado informal ao qual o iG teve acesso, cujo tom é muito mais duro e incisivo do que a cartilha oficial, com direito a palavrões e reclamações ácidas sobre a ação de delegados.

O documento formal da Fenapef critica o uso da expressão “doutor”. Não há menção direta aos delegados, mas, internamente, a recomendação visa atingi-los. “Doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico. Evite usá-lo indiscriminadamente. Empregue-o apenas em comunicações dirigidas a pessoas que tenham tal grau por terem concluído curso universitário de doutorado. O tratamento “Senhor” confere a desejada formalidade às comunicações”, afirma o “Manual da Legalidade”.

“A Polícia Federal deve disponibilizar meios de comunicação adequados para todo e qualquer serviço externo. Trata-se de meio essencial à segurança do policial e à eficiência do serviço. A falta de comunicação coloca em risco a segurança e dificulta ou inviabiliza o cumprimento de qualquer missão policial”, aponta o documento em outro trecho.

Alexandre Sally afirmou ao iG que algumas dessas medidas pregadas nesse “Manual da Legalidade” visam evitar ações de improviso que ocorriam dentro da PF. Segundo ele, alguns agentes chegaram a pagar do próprio bolso pela manutenção de viaturas e viajavam para operações sem o recebimento de diárias. “Não podemos trabalhar de improviso. Nós queremos de trabalhar de forma séria”, declarou Sally. “Temos gente muito boa e preparada trabalhando internamente. Nós não estamos nos negando a cumprir ordens ou boicotando operações. Só não temos como trabalhar em condições ilegais. Apenas isso”, esclareceu Sally.

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