"Não há dúvida, Campos será o cabeça da chapa", diz Miro Teixeira

Por Octávio Costa e Paulo Henrique de Noronha - Brasil Econômico |

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“O PSB não era um dos partidos que fizeram convite à Marina, ela é que tomou a iniciativa de procurar o Eduardo Campos", afirma o deputado recém filiado ao Pros

Em entrevista exclusiva ao Brasil Econômico, o deputado federal Miro Teixeira, recém filiado ao Pros e um dos mais próximos aliados da ex-senadora Marina Silva, confirma: o cabeça da chapa PSB-Rede Sustentabilidade à presidência da República em 2014 será o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

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“Marina tomou a decisão política de apoiar um partido com um candidato forte à presidência, porque ela não quer ficar fora do jogo das eleições de 2014. Não foi uma decisão eleitoral, foi política”.

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Agência Câmara
O deputado federal, Miro Teixeira

Nesta entrevista, Miro relata como foram as últimas reuniões que teve com o núcleo central da equipe de Marina nas 24 horas transcorridas entre a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de vetar a Rede e o anúncio da filiação da ex-senadora ao PSB. “O PSB não era um dos partidos que fizeram convite à Marina, ela é que tomou a iniciativa de procurar o Eduardo Campos para apoiá-lo e se filiar à legenda”, contou.

Brasil Econômico: Como foi o processo de decisão da Marina Silva em ir para o Partido Socialista Brasileiro?

Miro Teixeira: Logo após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nós fomos nos reunir, durante a madrugada de quinta para a sexta, bastante tristes com a não aprovação da Rede Sustentabilidade — que tinha mobilizado centenas de milhares de apoiadores empolgados com a proposta em todo o país. Ficamos até altas horas, acho que até umas 4h30, discutindo o futuro político da Marina e daquele movimento tão bonito. Ali, nós fomos informados de que havia 6 ou 7 convites de outros partidos para receber Marina e os militantes da Rede.

Brasil Econômico: Quais eram esses partidos? Naquela reunião já se discutiu quais seriam os melhores par-tidos?

Miro Teixeira: Não nos foi dito o nome dos partidos, ouvimos apenas esse número, de 6 a 7 convites. E não discutimos esse ou aquele partido, porque havia uma discussão anterior, que era se a Marina deveria entrar em outra legenda para ser candidata, ou continuar com a Rede fora do jogo político das eleições de 2014, cumprindo quase que um papel de Madre Teresa de Calcutá.

Brasil Econômico:  E depois, o que aconteceu?

Miro Teixeira: Depois eu peguei um avião para o Rio, às 7h, dei azar porque o aeroporto estava fechado e fui parar em Confins. Aí fui informado de que a decisão havia sido adiada para o dia seguinte e mais tarde retornei a Brasília, no voo das 19h. Fui direto para a casa da Marina, cheguei depois das 21h. Lá estava reunido o núcleo forte que trabalhava em torno da criação da Rede Sustentabildade. Ao chegar lá, como vi que a Marina não estava, imaginei que ela estaria descansando. Esperei, conversando com todos, até umas 23h30, quando achei que ela não viria mais naquela noite e que era melhor ir embora e descansar um pouco para o dia seguinte. Aí um companheiro da Rede me puxou até a varanda e me revelou que Marina estava naquele momento reunida com Eduardo Campos, do PSB, e ia chegar em breve. Logo depois ela realmente chegou e começou a nos contar que havia tomado uma decisão política, de não ficar fora do jogo e de apoiar um partido que já tivesse um candidato forte com quem se identificasse. E revelou que tinha acabado de decidir sua filiação ao PSB para apoiar Eduardo Campos à presidência. Foi uma decisão política dela, não foi uma decisão eleitoreira, ela deixou claro que optou por não ficar fora do jogo e queria discutir essa decisão com os colegas da Rede.

Brasil Econômico: O PSB era um dos 6 ou 7 partidos que fizeram o convite a Marina?

Miro Teixeira: Não, não era.

Brasil Econômico: Então foi a Marina que tomou a iniciativa de falar com o PSB?

Miro Teixeira: Exatamente. Foi uma iniciativa e uma escolha política dela.

Brasil Econômico: A Rede e o PSB já decidiram quem será o cabeça da chapa?

Miro Teixeira: Ora, será o Eduardo Campos, sempre foi. Como eu disse, Marina decidiu apoiar um partido que já tivesse um candidato forte à presidência. Vocês, jornalistas, é que ficam elocubrando outras coisas... Eduardo Campos é o cabeça da chapa.

Brasil Econômico: O ex-presidente Lula disse que o grande vencedor com essa decisão foi Eduardo Campos, que Marina é que sairá perdendo... o que você acha?

Miro Teixeira: Meu grande amigo Lula, que tem ótimas opiniões, tem o direito de achar o que quiser. Mas eu acho é que ele deveria dizer o que acha do PT e de seus problemas internos, que não são poucos.

Brasil Econômico: Por que você se filiou ao Pros e não ao PSB, para acompanhar Marina?

Miro Teixeira: Por causa da legislação eleitoral, eu só posso me filiar a um partido em construção, senão correria o risco de perder meu mandato. E no Pros conversei com o deputado estadual Hugo Leal, com o Ciro Gomes, com o deputado estadual Marcos Figueiredo, filho do Fernando, que eu conheci, e de lá darei meu total apoio a Eduardo Campos e Marina no PSB.</CW>

Brasil Econômico: Mas outros políticos com cargos (Walter Feldman, do PSDB, e Alfredo Sirkis, do PV) se filiaram ao PSB...

Miro Teixeira: Só que eles tiveram que chegar a um acordo com seus partidos e conseguir a concordância deles...

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