PT vê risco de confusão em acordo de Campos e Marina

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento |

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A presidente orientou ministros a evitarem manifestações públicas e os petistas vão ‘esperar a poeira baixar’

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Para integrantes do governo Dilma Rousseff, há um grande risco de o acordo entre o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e a ex-ministra Marina Silva, da Rede, terminar numa bela confusão. “Conhecendo bem as figuras, há um grande risco. Não tem nada a ver um com o outro. São muito diferentes”, diz um ministro, em conversa reservada. Os petistas consideraram essa união um fato inesperado na política. “Foi uma iniciativa muito ousada. Pegou realmente todo mundo desarmado”, admitiu o representante do governo. Segundo ele, agora não haveria muito o que o governo fazer. O PT, avalia, deve consolidar a aliança nacional com o PMDB e o PDT. “Vamos seguir o nosso caminho. O que vai contar na campanha é a avaliação do nosso governo”, afirmou. Dilma não se manifestou.

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A presidente orientou seus ministros a evitarem manifestações públicas sobre o acordo entre Campos e Marina. Os petistas vão também “esperar a poeira baixar”. Pretendem aguardar a reação de políticos que sempre estiveram ao lado de Marina e discordaram da aliança com Campos. Citam casos de descontentamento como dos deputados do Distrito Federal José Antonio Reguffe e Joe Valle (distrital), ambos do PDT. O “marineiro” Reguffe, o mais votado do DF, acha que Campos “é mais do mesmo” e representa “a velha política”. Agora quer apoiar Cristovam Buarque ou Pedro Taques (senadores) para a Presidência e ameaça também se lançar candidato a governador e concorrer com o senador Rodrigo Rollemberg (PSB). Joe Valle deixou o PSD para apoiar Marina. Como a Rede não saiu, foi para o PDT e se sentiu traído. É brigado com Rollemberg. Em outros Estados, há problemas semelhantes.

PPS vai analisar apoio à aliança

O PPS tem reunião hoje e deve analisar a união de Marina com Eduardo Campos. O vereador paulistano Ricardo Young, empresário e quadro da Rede, achava que Marina devia entrar no partido. E vai defender o apoio à ex-ministra.

“Será o melhor para o projeto”, diz Young

Young ressalta que Marina não fez acordo com Campos em busca de vaga de candidata a presidente, mas afirma que a inversão dos nomes na chapa poderá ocorrer “dependendo do que for melhor para o projeto”.

Quem perdeu mais

O deputado Walter Feldman, agora no PSB, diz que quem mais sentiu os efeitos da união de Marina com Campos foi o governo. “Enquanto o Lula disse que foi um soco no estômago, Aécio me ligou de Nova York para dar parabéns a Marina”.

Docas: mudanças com saída do PSB

O governo pretende fazer modificações nas diretorias das companhias Docas de todo o País (oito, no total). Ontem, os presidentes foram chamados para reunião com o ministro interino dos Portos, Antonio Henrique Pinheiro. Devem sair diretores da cota do PSB, com exceção dos ligados aos irmãos Gomes.

Dirigentes petistas são indiciados

Dois dirigentes do porto de Laguna, em Santa Catarina, Denise Pegorara Antonio e Luis Miguel Durek Rivas, envolvidos em denúncias de desvios, foram indiciados pela Polícia Federal. O porto é administrado por petistas e as nomeações são atribuídas à ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Ela nega. Denise continua no cargo e Rivas não está trabalhando, dizem funcionários.

Camilo Capiberibe, governador do Estado, sobre manutenção de acordo com petistas: “No Amapá, a aliança PSB-PT é importante e promove a mudança”.

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