‘Vai xingar meu time?’, diz Lula sobre comparação entre Marina e Vasco da Gama

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

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Ex-presidente evitou comentar abertamente a aliança com Campos, mas, em tom de brincadeira, manifestou seu incômodo por meio de uma metáfora futebolística

Em reunião com integrantes do núcleo de conjuntura do Instituto Lula, na tarde desta segunda-feira em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou comentar abertamente a aliança entre Marina Silva e Eduardo Campos, mas, em tom de brincadeira, manifestou seu incômodo por meio de uma metáfora futebolística na qual Marina é comparada ao Vasco da Gama.

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Lula respondeu a uma provocação do deputado Devanir Ribeiro (PT-SP). Embora o deputado seja santista e Lula torça para o Corinthians, ambos se dizem simpáticos ao Vasco da Gama no Rio de Janeiro. Em um intervalo da reunião, Devanir comparou Marina ao time de São Januário de forma pejorativa.

“Dizem que a Marina é igual o Vasco. Começa por cima, mas sempre termina em vice”, disse o deputado.

E Lula respondeu em tom de galhofa. “Vai xingar meu time, Devanir?”

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Na reunião marcada há 10 dias para análise da conjuntura econômica nacional e externa, Lula se negou a comentar a filiação de Marina ao PSB. Na abertura do encontro o ex-ministro dos Direitos Humanos Paulo Vannuchi, diretor do Instituto Lula, disse ao ex-presidente que muitos participantes desejavam ouvir sua opinião sobre a escolha de Marina. Lula disse que não faria comentários e pediu que Vannuchi passasse a palavra ao ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Além de Lula, Mantega e Vannuchi, participaram da reunião o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o economista Luiz Gonzaga Belluzo, o ex-ministro do Desenvolvimento,Miguel Jorge, o senador Wellington Dias (PT-PI), o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), o presidente da CUT, Vagner Freitas, entre outros.

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Durante mais de duas horas, Mantega respondeu a perguntas sobre economia, período em que não se falou em cenário eleitoral. Depois, almoçando na mesma mesa que Lula, Tarso fez uma avaliação. “Quem esvazia num primeiro momento sua potencialidade eleitoral é o Aécio (Neves, do PSDB) que aparentemente não tem para onde se mover”, disse Tarso. “Ainda é cedo para ter um diagnóstico mas podemos dizer que representa uma grande mudança no cenário político. Não vai mais ser uma disputa entre a memória do governo Fernando Henrique Cardoso e a memória do governo Lula. Vai ser uma disputa sobre o futuro”, completou.

Segundo o gaúcho, Lula escutou em silêncio e se absteve de comentar a avaliação. No meio da tarde, a assessoria do Instituto Lula emitiu uma nota desmentindo que o ex-presidente tenha dito a Campos, por telefone, que a aliança com Marina foi um “direto no fígado”. O instituto não negou o telefonema entre Lula e o pernambucano.

Interlocutores do ex-presidente admitem que tanto Lula quanto o PT foram surpreendidos pela decisão de Marina e que a filiação dela ao PSB muda completamente o cenário eleitoral para 2014.

O impacto disso na corrida eleitoral só poderá ser dimensionado depois das primeiras pesquisas, avaliam petistas. “Do ponto de vista do marketing foi um golpe de mestre. Marina estava em queda nas pesquisas, sofreu uma grande derrota na quinta-feira e no sábado conseguiu neutralizar a derrota”, disse um auxiliar próximo de Lula. “Mas se ela conseguir estancar a queda, cria um problema para o PSB lá na frente caso Marina continue na faixa dos 20% ou 15% e Eduardo não decole”, completou.

Petistas também apontam possíveis dificuldades nos Estados. “Alguém imagina Márcio França (PSB) e Walter Feldman (Rede) na mesma mesa?”, questionou um petista a respeito das divergências entre os dois deputados.

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