Partidos recrutam famosos para repetir fenômeno Tiririca em 2014; veja quem são

Por Natália Peixoto - iG São Paulo | - Atualizada às

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Entre os famosos estão a Narcisa, cuja filiação já deu o que falar, e os tradicionais ex-BBBs, jogadores e cantores

De olho nos chamados puxadores de voto na eleição, os partidos fizeram uma maratona para filiar o maior número de celebridades que devem concorrer a uma vaga no Legislativo em 2014. A ideia é repetir o que aconteceu com a eleição de Tiririca (PR-SP): com 1,35 milhão de votos em 2010, o palhaço levou três deputados de sua coligação em sua cola: Otoniel Lima (PRB), Vanderlei Siraque (PT) e Protógenes Queiroz (PC do B).

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Entre os recrutados estão o jogador de vôlei Giba (PSDB-SP), a socialite Narcisa Tamborindeguy (PSDB-RJ), o ex-BBB Kléber Bambam, o estilista Ronaldo Ésper e a musa dos caminhoneiros Sula Miranda - os três pelo PRB-SP, o pagodeiro Belo (PP-RJ), o cirurgião plástico das estrelas Dr. Rey (PSC-SP), o nadador Fernando Scherer (PSB-SP) e o cantor José Rico (PMDB-GO), que faz dupla sertaneja com Milionário. 

No caso de Narcisa, sua filiação já deu o que falar. Ela se filiou ao PSD por engano e, depois que foi avisada do erro, teve de se desfiliar e em seguida entrar no partido certo, o PSDB.

Narcisa Tamborindeguy, integrante do programa Mulheres Ricas, se filiou ao PSDB. Foto: Band/DivulgaçãoDr. Rey, o cirurgião plástico das estrelas, também irá concorrer a deputado pelo PSC em São Paulo. Foto: André GiorgiO técnico Bernardinho, da seleção masculina de vôlei, está cotado para ser candidato ao governo do Rio pelo PSDB. Foto: DivulgaçãoO jogador de vôley Giba se filiou ao PSDB, mas nega que irá disputar cargos. Foto: Vagner Rosario/Futura PressEx-BBB Laisa agora é filiada ao PP e deve concorrer à deputada pelo Rio Grande do Sul. Foto: Anderson Borde / AgNewsBelo irá concorrer a deputado pelo PP no Rio de Janeiro. Foto: Felipe Souto Maior/DivulgaçãoEx-nadador Fernando Scherer, o Xuxa, também deve sair candidato pelo PSB. Foto: Thiago Duran/AgNewsEx-BBB Laisa se agora é filiada ao PP e deve concorrer à deputada pelo Rio Grande do Sul. Foto: Divulgação/PP-RSJosé Rico par de Milionário em uma dupla sertaneja, também concorrerá pelo PMDB em Goiás. Foto: AgNewsSula Miranda é filiada ao PRB e deve concorrer à Câmara pelo partido. Foto: André GiorgiO ex-BBB Kléber Bambam (esq.) e Ronaldo Ésper se filiaram ao PRB para concorrer em 2014. Foto: Montagem/Futura PressMarcelinho Carioca se filiou ao PT para concorrer ao Congresso em 2014. Foto: DivulgaçãoO Ratinho também foi sondado para se candidatar. Na foto, ele entrevista Lula em seu programa, em 2012. Foto: AERogério Ceni foi sondado pelo PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab, mas não aceitou o convite. Foto: Gazeta Press

Bernardinho, técnico da seleção masculina de vôlei, é cotado para disputar o governo do Rio de Janeiro. Já Marcelinho Carioca saiu do PSB em busca de maior projeção no PT de São Paulo. E Raul Gil Jr, filho do apresentador Raul Gil, saiu do PSC para o PR.

O cientista político David Fleischer vê com bons olhos o fenômeno e diz que a estratégia pode fazer bem para a renovação do parlamento. “Pode ser uma pessoa que vai chegar sem ideias viciadas e vai aprendendo como um novato, e de uma certa maneira é interessante. Mas não é bom ter um Congresso sem experiências”, pondera. Fleischer cita o deputado Romário (PSB-PR), eleito pela fama de jogador de futebol, como exemplo de um novato que fez a diferença. “Ele conseguiu tomar pé logo das coisas e conseguiu assumir logo causas importantes”, ao contrário de Tiririca que, segundo o Fleischer, mantém um mandato com pouca relevância.

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O grande responsável pela procura de nomes famosos é o sistema representativo proporcional adotado na democracia brasileira. Para determinar os eleitos, calcula-se o coeficiente eleitoral, que é o número de votos válidos dividido pelo número de cadeiras. Divide-se, então, o número de votos de cada partido por esse coeficiente, e assim é determinado o número de cadeiras de cada sigla. Para mudar isso, só uma reforma eleitoral.

Aldo Fornazieri, diretor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, diz que é difícil limitar a estratégia sem uma reforma, pois seria limitar direitos políticos dos cidadãos. E é difícil repetir o efeito Tiririca, pois, depois que ele foi eleito, as pessoas começaram a ficar “mais críticas” com os votos em celebridades.

Fornazieri diz que o método agrava a falta de credibilidade dos partidos brasileiros. “Se os partidos políticos tivessem credibilidade no País, não abalaria. O eleitor entenderia como uma coisa de momento, de conjuntura. Mas como os partidos não têm (credibilidade), só piora a avaliação do eleitorado”, avalia.

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