Marina decepciona simpatizantes e perde se aceitar ser vice no PSB de Campos

Por Wanderley Preite Sobrinho e Patrícia Basilio - IG São Paulo | - Atualizada às

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Para cientistas políticos, chances de vencer as eleições de 2014 aumentariam se ex-senadora fosse a cabeça de chapa na dobradinha com o governador de Pernambuco

A decisão da ex-senadora Marina Silva de se filiar ao PSB decepciona seus simpatizantes e prejudica suas pretensões políticas, avaliam especialistas consultados pelo iG. A decepção pode ser ainda maior se ela aceitar a proposta de ficar com a vaga de vice em uma chapa encabeçada por Eduardo Campos, presidente do partido e governador de Pernambuco, na disputa à Presidência em 2014. Ao se filiar ao PSB neste sábado, Marina descartou concorrer ao Planalto, disse que o partido já tem uma candidatura "posta" e declarou apoio a Campos, tratado como presidenciável no evento. A ex-senadora, no entanto, evitou falar sobre a vice.

Divulgação Facebook/Rodrigo Rollemberg
Marina Silva se reúne com Eduardo Campos para acertar detalhes sobre filiação ao PSB




“Essa decisão é uma surpresa, principalmente porque o PSB está distante do discurso ideológico que a Rede Sustentabilidade vinha construindo”, avalia a cientista política Maria do Socorro, professora da Ufscar. “Enquanto o PSB caminha para a direita, defendendo uma agenda cada vez mais neoliberal, a Marina vinha se portando como uma nova opção de sustentabilidade.”

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Rede: Membros que ficaram sem partido também se filiam ao PSB

Cientista político da PUC-SP, Pedro Fassoni Arruda lembra que “a proposta dela era oferecer algo diferente dos partidos tradicionais”: “Essa filiação com o PSB vai frustrar muitos simpatizantes”, avaliou.

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Professor da Unicamp, o cientista político Roberto Romano acredita que a escolha foi “estrategicamente ruim”. “A expectativa de seus eleitores era de que ela saísse candidata. Dificilmente o Campos vai abrir mão da cabeça de chapa.” Ele avalia que a oferta feita pelo PPS “era mais razoável” porque entregava à ex-senadora a chance de se candidatar.

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Para Arruda, a ex-ministra do Meio Ambiente também “perde com a decisão” porque as pesquisas a colocavam em segundo lugar. “Como ela tem um perfil de liderança personalizado, não é certo que seus votos acabem transferidos para Campos, principalmente porque o Brasil é um País em que as pessoas votam sem pesquisar sobre o vice.”

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David Fleischer, cientista político da UnB, pensa diferente. “Acredito que ela perde sendo vice-presidente, mas antes ser vice de um partido grande do que ser presidente de um partido mal estruturado.” Ele aposta que o reforço na candidatura de Campos será tamanha que “o partido vai para o segundo turno”.

Chances Eleitorais

Embora acredite que Marina perca prestigio, a professora da Ufscar aposta na viabilidade eleitoral da dupla. “Agora, do ponto de vista programático, tem de ver qual será o projeto, já que são correntes muito distintas.”

Já o cientista da Unicamp afirma que as chances de vencer as eleições no ano que vem seriam maiores se Marina fosse a candidata e Campos seu vice. “Aí tanto o PSDB quanto o PT teriam de colocar as barbas de molho. De qualquer forma, o Lula vai ter de fazer mais comício do que imaginava.”

Romano lembra que o governador de Pernambuco tem uma herança política no Nordeste e a Marina eleitorado no Brasil inteiro, com simpatizantes até na extrema esquerda. “Ela pode causar um estrago grande aos partidos favoritos.”

Para Fleischer, os eleitores estão cansados do PT e PSDB e querem uma terceira opção. “A Marina, nesse caso, pode ser uma boa alternativa.” Romano concorda, mas acredita que essa “terceira via” só será bem sucedida se a ex-senadora resistir à tentação de bater de frente com Campos.

“Ela tem uma tradição de relação tensa com os partidos. A Rede era um projeto quase pessoal para abriga-la como presidente”, diz ele. “A menos que ocorra um milagre de diplomacia, ela pode ter problemas no curto prazo.”

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