Adesão de Marina ao PSB foi resposta estratégica ao Planalto, admitem assessores

Por Wilson Lima - iG Brasília |

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Integrantes da Rede afirmaram que a rejeição do TSE ao registro do partido irritou a ex-senadora, que encontrou em Eduardo Campos a melhor resposta ao PT

Não foi apenas um desejo de participar das eleições de 2014 que motivou a filiação da ex-senadora Marina Silva ao PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Por trás do acordo entre PSB e Rede, está uma resposta de Marina Silva a supostos boicotes do Palácio do Planalto à criação da Rede. Do outro lado, os socialistas admitem que enxergam na aliança com Marina uma resposta para o isolamento do PSB dentro do governo do PT. A informação foi confirmada por assessores diretos da ex-senadora e do governador.

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Desde quinta-feira, Marina tem demonstrado extrema irritação com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que inviabilizou a criação da Rede. A interlocutores, Marina tem se queixado de uma eventual influência direta do governo federal na decisão do TSE. Ela classifica o ato como uma “cassação indireta” da Rede.

Pedro França/Futura Press
Ao se filiar ao PSB, Marina declara apoio ao presidenciável Eduardo Campos


Para Marina, a perseguição do governo à viabilidade da Rede já estava claro com a aprovação do projeto de lei que limitava a criação de partidos no início do ano. Pela proposta, que está parada no Congresso, o parlamentar que mudar de partido depois de eleito, seja a legenda existente ou recém-criada, não vai alterar a divisão do tempo de propaganda e dos recursos do fundo partidário.

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Depois da decisão do TSE, Eduardo Campos procurou Marina, mas somente teve uma reposta positiva na noite de sexta-feira após diversas reuniões internas na Rede. Assessores de Marina admitiram que durante as conversas sobre seu futuro político e diante das propostas do PPS, PDT e até do PTB, a opção pelo PSB foi vista como a única que atingiria, politicamente, o governo federal. Principalmente pelo fato de que o PSB se rebelou recentemente contra o PT.

Interlocutores da Marina classificaram a aliança entre o PSB e a Rede como um “xeque-mate” contra o Planalto. Principalmente pelo fato de que a aliança entre os dois não é vista, entre os líderes das duas legendas, como uma fusão entre os dois partidos. Oficialmente, a adesão entre os dois visa inibir o avanço do “modelo do PT” de fazer política.

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Do outro lado, aliados de Campos admitem que a adesão de Marina Silva ao partido é fundamental para dar uma demonstração de força ao Palácio do Planalto após a recente debandada de integrantes do PSB do governo. Nessa semana, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos poucos integrantes da cúpula nacional do PT a demonstrar clara preocupação com o desembarque do PSB. Conforme interlocutores do governador de Pernambuco, Campos ficou extremamente surpreso e feliz com a adesão de Marina Silva ao seu partido. “Se eles acharam que dava para resolver a eleição em primeiro turno, dessa vez eles erraram”, sinalizou o governador Eduardo Campos.

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