Após derrota da Rede no TSE, ex-senadora deixa para o último dia o anúncio se vai se filiar a outro partido ou se fica fora da disputa em 2014

A ex-senadora Marina Silva adiou para sábado (5) a decisão sobre o seu futuro político após a derrota da Rede Sustentabilidade no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ela disse, em coletiva nesta sexta-feira, que tem “uma longa noite e um dia inteiro” para decidir e afirmou que “vive um grande desafio pessoal”. "Já me deparei com situações muito complexas na minha vida. A primeira foi quando perdi minha mãe, a segunda foi o processo de saída do PT e a terceira está sendo essa decisão que tenho de tomar até amanhã”, afirmou Marina, que vem sendo cobiçada por vários partidos.

Marina afirmou ainda que uma possível filiação para disputar a eleição do ano que vem será "programática" e "não terá caráter pragmático", e levará em consideração os partidos "preocupados com agenda de reformas". Disse também que sua decisão será tomada para contribuir com "a renovação política" e defendeu o fim da polarização nas eleições entre o PT e o PSDB.

Poder Online:

Marina indica que quer disputar Presidência, mas teme desgaste

PTB diz que convite a Marina tem ‘razão histórica’

Derrota no TSE: Aliado diz que Marina tem limitações e reage mal a críticas

Leia mais:  PDT entra na disputa com o PPS para abrigar Marina Silva

Justiça eleitoral:  TSE rejeita criação da Rede, partido de Marina

Marina diz que possível filiação será
Alan Sampaio / iG Brasília
Marina diz que possível filiação será "programática" e "não terá caráter pragmático"

Amanhã vence o prazo para os candidatos que querem concorrer em 2014 se filiarem aos partidos. Várias siglas ofereceram abrigo a Marina, entre elas o PPS, o PTB , o PDT e o PEN. A ex-senadora não só ocupa a segunda posição na preferência do eleitorado na disputa ao Palácio do Planalto como também possui um capital político de 20 milhões de voto da última eleição, quando ficou em terceiro lugar.

O partido liderado pelo deputado Roberto Freire (PPS-SP) teria oferecido uma "carta de alforria", que seria o compromisso de não buscar na Justiça o mandato de quem deixar o partido após as eleições de 2014. Nesta sexta-feira, Freire reiterou o convite: "Reafirmo convite do PPS para que junto com a Rede se integre conosco para se candidatar e disputar 2014!".

Já o PTB alegou “razão histórica” para fazer o convite a Marina. Segundo o secretário nacional da sigla, Campos Machado, a ex-senadora tem um programa político muito próximo da legenda. “Para nós, a Marina é o Getúlio Vargas de saia”, disse Machado. O PDT, por sua vez, cogitou até o desembarque do governo da presidente Dilma Rousseff, onde ocupa o Ministério do Trabalho, para poder abrigar Marina Silva.

Nota: Rede afirma que mobilização permanece 'inabalável'

Partido de Marina: Ministério Público se manifestou contra registro da Rede

Articulador da Rede: Walter Feldman entrega pedido de desfiliação do PSDB

Após a rejeição à Rede no TSE, Marina deu declarações em que reiterou a importância da legenda. Disse que não quer apenas o registro, mas que a sigla seja um partido político para o País. “O registro é questão de tempo. A Rede provou que temos representação social em todo o País. Não temos o registro legal, mas temos o registro moral”, afirmou a ex-senadora.

Na coletiva de hoje, Marina voltou a defender a Rede Sustentabilidade e disse que é um “partido que tem base social”. “Estamos efetivamente consolidados como um partido político do ponto de vista moral”, repetiu.

O único dos sete ministros do TSE a votar favoravelmente à Rede foi Gilmar Mendes, que substituiu Dias Toffoli. Ele questionou a invalidação de 95 mil assinaturas nos cartórios “sem justificação expressa” e defendeu atualização da Justiça e informatização dos cartórios. Existe, segundo ele, uma situação de abuso que justifica o reconhecimento das assinaturas invalidadas. “Não se trata de descumprir a legislação, mas de aplicar a legislação”, afirmou em seu voto.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.